O PIG não divulga

24/06/2010

Projeção do 1° jogo de futebol em resolução 4K do mundo

A projeção em super alta definição 4K 3D faz parte do Projeto 2014K, uma das 11 iniciativas da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, em exposição na Casa Brasil, em Joanesburgo – África do Sul, de 14 de junho a 11 de julho. O objetivo é mostrar para o mundo que o Brasil também tem empresas capazes de produzir conteúdo e projetar em 4K.

Os jogos da Copa do Mundo de 2014 poderão ser transmitidos em 4K, permitindo aos torcedores que não estiverem nos estádios assistir às partidas como se ali estivessem. Esta tecnologia já existe e está sendo apresentada durante a Copa 2010 pela absolut technologies, empresa especializada em realidade virtual, 3D e soluções para projeções em alta resolução em parceria com a Universidade Mackenzie e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações e TI (CPqD).

Com a supervisão de Keith Collea, produtor de filmes hollywoodianos, como Homem de Ferro 2, foi filmado o jogo da final do Campeonato Gaúcho de 2010, entre Grêmio x Internacional. O clássico do futebol brasileiro, popularmente conhecido como “Gre-Nal”, serviu de experimentação para a primeira filmagem de 4K 3D no mundo. E é este filme que será apresentado pela primeira vez em 3D com resolução de 4096X2160 durante a Copa na África.

As imagens capturadas por uma câmera de aproximadamente 150 kg tem 8 milhões de pixels e qualidade oito vezes superior às das imagens gravadas no atual formato HDTV. Entretanto, elas só garantem ao espectador a sensação de terceira dimensão (de imagem e áudio) se projetadas com equipamentos específicos para esta finalidade. Para garantir o sucesso dessa demonstração no continente africano, a absolut levará dois projetores JVC 4K, uma tela especial para projeção 3D e óculos 3D, entre outros equipamentos que constituem a solução completa para a projeção 4K 3D, além de uma equipe de técnicos e engenheiros. O Brasil faz parte de um seleto grupo de países com conhecimento de transmissão em super alta definição. A ideia é desenvolver esta tecnologia a ponto de ser utilizada em auditórios de grande escala em 2014.

O Projeto 2014k é parte do Programa 2014Bis, idealizado a partir de uma reunião com o presidente Luis Inácio Lula da Silva em agosto de 2009. Homenageando Santos Dumont, o grande inovador do País, o programa tem por objetivo encantar, surpreender e emocionar o mundo nos grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil – a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Fonte: FINEP


Gênese do caso Dunga & Globo

23/06/2010


Saiu na “Tribuna da Imprensa” on-line.

Segunda-feira, 21 de junho de 2010 | 17:13

“Vejam Dunga dando uma de João Saldanha em cima da TV Globo.

O Jornal O Globo em sua primeira página da edição de hoje,
quarta-feira 16 de junho de 2010, desce a lenha na seleção e
principalmente no seu treinador.

Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ? Vamos aos fatos :

Segunda-feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra
a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na
África do Sul.

Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona
Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo
televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe
completa de filmagem, iluminação etc.Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a dominadora
esposa do chefão William Bonner sentenciou :

“Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo,
com o treinador e alguns jogadores…”

Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão
e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e
grosso, como convém a uma pessoa da sua formação.

“Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM
EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras
de TV ou não fala pra nenhuma…”

Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro
peitava publicamente a Vênus Platinada !!!”Mas… prosseguiu dona Fátima – esse acordo foi feito ontem entre o
Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de Esportes de O Globo ) e o
Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”.

“Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que
resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho
mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se
ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!”

O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e
saiu sem ao menos se despedir.

Dunga pode até perder a Copa , seu time pode até tomar uma goleada,
mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência.

Dunga, simplesmente, mijou na Vênus Platinada ! Uma estátua para ele!!!

Dunga II – O tsunami na Rede Globo.

Quem presenciou na noite de domingo o editorial do programa
“Fantástico” da rede Globo, lido pelo repórter Tadeu Schmidt, há de
ter compreendido todo o desespero que se apossou da “Vênus Platinada”,
em relação ao técnico da seleção brasileira.

Chamando-o de “grosseiro, mal educado” e outros mimos a mais, a
poderosa estação do Jardim Botânico viu pela primeira vez em mais de
40 anos, um brasileiro desafiar seu domínio, e literalmente mijar na
sua cabeça.

Recordando os fatos mais recentes, inconformado com a proibição das
tais “entrevistas exclusivas” que só seriam concedidas à Globo, na
sexta feira o Assessor de Imprensa da CBF levou ao técnico Dunga outro
memorandum, dessa vez do próprio Presidente Ricardo Teixeira,
solicitando que se ordenasse a abertura para que as tais “exclusivas”
fossem concedidas.

Dunga então rasgou o memorandum na frente do Assessor de Imprensa e
como a reclamação vinha diretamente por ordem da Todo-Poderosa Sra.
Fátima Bernardes, Prima Dona do jornalismo televisivo, Dunga foi mais
uma vez taxativo:

– Diz pro Ricardo que se é o que ele deseja, que coloque essa senhora
como treinadora da seleção, eu entrego meu cargo” !!!!

Lógico que o técnico permaneceu. Dona Fátima então, sentindo-se
“desprestigiada”, alegou um problema de “cordas vocais” e teria tomado
o primeiro avião retornando ao Brasil.

Na entrevista coletiva, após o jogo contra a Costa do Marfim, Dunga
então resolveu “premiar” os repórteres da rede Globo que lá se
encontravam. Pela leitura labial ficou fácil identificar que ele chamou Marcos Uchoa de “chato” e Alex Escobar de “babaca” e “cagão”.

E disse tudo. O sr. Marcos Uchoa com aquela cara de diarréia reprimida
é realmente um chato de galochas, e o sr. Alex Escobar, metido a
engraçadinho e a bobo da corte, é a própria imagem do babaca cagão.

Em razão disso tudo que foi descrito, o sr. William Bonner,
absolutamente descontrolado, escreveu do próprio punho o editorial
ridículo que foi lido no Fantástico.

Agora à tarde chega a notícia publicada no Portal do Lancenet que a
FIFA punirá Dunga pelos fatos ocorridos. A rede Globo certamente está
por detrás dessa punição covarde e canalha.

Dunga merece uma estátua em praça pública.

É o primeiro brasileiro vivo a desafiar publicamente a força e o
poderio da rede Globo, numa competição de cunho internacional. Leonel
Brizola já o fizera antes, mas em assuntos de política interna.

A seleção brasileira de 2010, muito mais que uma seleção, passa a ser
o retrato fiel de seu treinador. Que o seu sucesso seja um insulto à
podridão que reina nas hostes da emissora do Jardim Botânico.

Dunga mijou na rede Globo por todos nós.”

Nota deste blog: A FIFA já declarou não caber punição ao técnico Dunga pelos fatos aqui mencionados.
Edemar.

Copa de 58, jogadores & Lula

16/06/2010
Opinião que não vale um Tostão!
Quinta-Feira – 15/10/2009
 
O ex-jogador e atual cronista esportivo Eduardo Gonçalves, mais conhecido como Tostão, o Mineirinho de Ouro, chegou de férias outro dia e logo no seu retorno nos brindou com sua opinião a respeito do prêmio que o Governo Federal resolveu oferecer aos jogadores de futebol que se tornaram campeões mundiais há 50 anos.
 
Para o médico ao que parece aposentado (Tostão se formou em medicina depois que parou de jogar aos 26 anos), o Governo não tem nada que gastar dinheiro com ex-atletas que hoje estão todos na casa dos 75/80 anos. Ou seja, com aqueles que pela primeira vez conquistaram a Copa do Mundo de Futebol e que ainda estão vivos.
 
Na pose de um baluarte e vestal do politicamente correto, o Dr. Eduardo ainda informa, sem ninguém ter solicitado, que no seu caso ele abre mão do prêmio de cerca de R$ 400 mil que o Governo oferece aos pioneiros campeões.
 
E, previdente, informa preocupado, antes que alguém se lembre do fato de que, lá atrás, no longínquo 1970, ele próprio, Tostão, recebeu um Volkswagen zero quilômetro do então Prefeito de São Paulo, Paulo Maluf: a este respeito esclarece que hoje se arrepende de ter aceito o presente.
 
E que, na verdade, o que alivia os seus tristes ais é o fato de o Supremo Tribunal Federal ter recentemente obrigado aquele conhecido político a devolver aos cofres públicos o valor dos carros dados de presente aos campeões mundiais no México, dos quais ele é um.
 
Dr. Eduardo deveria ser mais atento ou pesquisar mais quando quer abordar um assunto, escrever sobre ele e de quebra, na carona do comentário, fazer questão de se apresentar como exemplo de comportamento.
 
Primeiro, que o Governo decidiu premiar os atletas campeões mundiais de futebol de 1958 e não todos os campeões mundiais de futebol. Portanto, Tostão se incluiu de alegre, mas está fora desta.
 
Depois, porque numa visão histórica fácil de ser constatada, o título na Suécia representou muito mais do que uma conquista esportiva. O país, a nação brasileira, teve com aquela vitória sua auto-estima elevada, como em poucas ocasiões.
 
Sendo o futebol um de nossos produtos culturais mais identificados com o povo, o Governo de então se aproveitou da conquista e utilizou ao máximo a figura dos jogadores em suas campanhas oficiais. Por vários anos.
 
Como não havia naquela época uma proteção ao uso da imagem e nem se contava com os sofisticados mecanismos de defesa e de remuneração para os que são expostos nos veículos de comunicação, nada mais justo do que reparar a injustiça.
 
A célebre frase de Nelson Rodrigues, contida pela primeira vez numa crônica do Jornal dos Sports, após a derrota em 1950 para o Uruguai na Copa do Mundo realizada em nossa terra, tornou-se parte integrante do perfil do brasileiro que, segundo o jornalista pernambucano radicado no Rio, “tinha complexo de vira-lata”.
 
Impactante, o carimbo ficou mais conhecido do que o brasileiro “é um homem cordial”, conforme o definira anteriormente o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico.
 
Foram precisos oito anos para que o complexo de vira-lata começasse a ser superado.
 
Quando Didi, pegou a bola debaixo do braço após o primeiro gol da Suécia na partida final da Copa de 1958 e veio para o meio-campo gritando com todo o time de que não tinha viajado para tão longe para perder, um pouco da noção de que o brasileiro poderia ser o melhor do mundo, mesmo que fosse apenas num esporte, começou a nascer.
 
Zito, Orlando, Nilton Santos, Djalma Santos, De Sordi, Belini e Gilmar (estes dois últimos que estão tão doentes) e todos os demais que ainda estão vivos merecem muito mais do que os R$ 400 mil que o Governo lhes oferece. É uma pequena retribuição pelo que fizeram. E mais ainda pelo que foi utilizado politicamente com a conquista destes heróis.
 
Só alguém tolo, frio ou desinformado pode achar o contrário. Ou, então, pior: alguém que quer posar de falso ético em cima da premiação (eu prefiro reparação) que estes ídolos receberam tão tardiamente.
 
Que coisa mais feia!
Além disso, o Dr. Eduardo, o Mineirinho de Ouro, que ganhou muito dinheiro com a sua transação do Cruzeiro para o Vasco da Gama, em 1972, talvez não precise mesmo deste tipo de reconhecimento material.
 
A sua parte em grana ele recebeu com a venda de seu passe que custou aos vascaínos U$$ 550 mil, há quase quatro décadas! É só fazer as contas.
 
Azar do Vasco que contabilizou um de seus maiores prejuízos financeiros com o negócio, pois o Dr. Eduardo quase não jogou lá, uma vez que com o descolamento de sua retina, ocorrido anos atrás, não pôde – pouco tempo depois de sua contratação – mais atuar como jogador.
 
O Dr. Eduardo pode, porém, atuar como cronista esportivo, embora não seja formado em jornalismo.
 
Como tal, seria bom que ele fosse mais bem informado: o Supremo Tribunal Federal não obrigou o controverso e criticado político Paulo Maluf a devolver o dinheiro dos Volks doados aos campeões mundiais de 1970. Pelo contrário: considerou, em última instância, a doação legal.
 
Mas, como sugeriu o jornalista Adilson Laranjeira (que foi editor da Folha de São Paulo, onde Tostão escreve) em carta ao jornal:
 
“Já que é pessoa tão preocupada com o assunto, o Dr. Eduardo poderia corrigir o valor de um carro zero quilômetro de 1970 até nossos dias e doar a quantia a uma instituição de caridade. Mesmo que tivesse levado 39 anos para se arrepender de ter recebido o presente”.
 
E.T.
No afã de bajular Tostão, outro colunista que escreve no seu mesmo espaço, se bem que sem brilho algum, afirmou que Tostão foi o primeiro jornalista (?) a se negar a fazer merchandising e, por isso, deixou seu emprego na TV Bandeirantes anos atrás.
 
Informação inteiramente falsa. Na mesma TV Bandeirantes, muito antes de Tostão se aventurar a falar profissionalmente num microfone, o jornalista Juarez Soares comandava o programa Show do Esporte todos os domingos. O programa chegava a ficar no ar por oito horas seguidas e era vice-líder de audiência.

Embora muito solicitado, Juarez Soares, porém, sempre se negou a fazer qualquer tipo de merchandising. E não precisou pedir demissão. Apenas fazia comentários esportivos. Foi esta sua postura que possibilitou ao conhecido apresentador Elia Jr. a aparecer no programa somente para fazer os merchans que Juarez sempre se negou a fazer.

Embora Juarez, como pessoa bacana que é, nunca tenha feito marketing pessoal disso. Duvide sempre de quem se diz a toda hora ser exemplo de ética.

 
EDGARD SOARES

Original em

http://www.futebolinterior.com.br/aColuna.php?iD=1542.

Edemar.


LÁ COMO CÁ

16/06/2010

Copa é alvo da extrema direita dos Estados Unidos

A Copa do Mundo é a mais nova vítima da raivosa extrema direita dos Estados Unidos. Vários comentaristas norte-americanos estão atacando a popularização do esporte no país, dizendo que se trata de uma modalidade esportiva “de pobre”, coisa de sul-americano, resultado da crescente influência dos hispânicos no país e ligado às “políticas socialistas” do presidente Barack Obama.

Glenn Beck, o mais famoso comentarista conservador da Fox News, compara o futebol às políticas de Obama. “Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo, quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não queremos ter nada a ver com isso”, esbravejou Beck na TV. Segundo ele, o futebol é como o governo atual: “O restante do mundo gosta das políticas de Obama, mas nós não.”

Com o bom desempenho do time norte-americano no jogo contra a Inglaterra no sábado, os tradicionais fãs de beisebol e futebol americano estão mais entusiasmados com a Copa do Mundo. Mas isso é resultado de uma “conspiração da esquerda”, dizem os conservadores. “Futebol é um jogo de pobre”, afirma o analista conservador Dan Gainor, do Media Research Center.

“A esquerda está impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está se ‘amarronzando'”, afirmou, em referência ao aumento do número de hispânicos no país. Para Matthew Philbin, do centro de pesquisas de direita Culture and Media Institute, “a mídia liberal sempre se sentiu desconfortável com o fato de sermos únicos entre as nações, sermos líderes; e os esquerdistas são contra nossa rejeição ao futebol, da mesma maneira que são contra nossa rejeição ao socialismo”.

O radialista Mark Belling foi além, “eles nos estão enfiando futebol goela abaixo”, disse Belling no programa de rádio de Rush Limbaugh, ouvido por 20 milhões de norte-americanos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 Original em: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,copa-e-alvo-da-extrema-direita-dos-estados-unidos,567372,0.htm

Os comentários são notáveis.

Edemar



 

BONS & BARATOS I

12/06/2010

Banana previne infarto

Uma das frutas mais abundantes e baratas do Brasil é também auxiliar na prevenção de diversas doenças. Trata-se da banana, considerada o alimento número um dos maiores atletas do mundo, por fornecer boa quantidade de energia logo após sua ingestão. Estudos revelam que o seu consumo diário reduz em até 40% o risco de infarto, devido à presença de alto teor de potássio e baixa concentração de sódio, índices fundamentais para se combater a pressão alta. Autores da pesquisa que revelou tal benefício, publicada na revista médica The New England Jornal of Medicine, e a Food and Drug Administration (FDA), agência responsável pelo controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, autorizaram produtores e comerciantes de banana a divulgarem oficialmente este informe à população.

Edemar.


O Porquê do factóide da semana

06/06/2010

Os porões da privataria

Amaury Ribeiro Jr.

Introdução

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do País, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três de seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, têm o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marin Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marin. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como Marin é conhecido, precisa explicar onde obteve US$3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos de 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil…

Atrás da máxima “siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República, mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista, nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$448 milhões(1) para irrisórios R$4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. (Ricardo Sérgio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m…”, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico(2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$3,2 milhões no exterior por meio da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$17 mil (3 de outubro de 2001) até US$375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a Presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, por intermédio de contas no exterior, US$20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, dentre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do País para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo Banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas têm o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$7,5 milhões em ações da Superbird.com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A. Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante ao Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no País. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia pelos sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no País.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações – que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade”, conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” –, foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e às contas sigilosas da América Central ainda nos anos de 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenci

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1) A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$3,2 por um dólar.

(2) As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

Original em http://www.viomundo.com.br

Edemar.


CAMED ontem, CASSI amanhã?

04/06/2010

A corda mais uma vez quebrou do lado mais fraco. Os funcionáriosdo BNB vão receber a folha de maio com uma conta adicional salgada para pagar: 30% e 24% a mais nas contribuições dos planos Natural e Família, respectivamente, além do reajuste da taxa de proteção financeira de R$ 10,00 para R$ 22,00 para os dependentes do Plano Família.

Antes de onerar os funcionários, a direção da Camed deveria ser responsabilizada, no mínimo por imprudência, ao deixar a situação agravar-se ao ponto de estrangulamento em que se encontra. Falta de aviso não foi: as entidades dos funcionários cansaram de alertar para o excesso de gastos administrativos da Camed, caracterizado por elevado número de funcionários, colocando a relação funcionário/beneficiário em patamar bem maior que o verificado no mercado.

A gestão executiva da Camed é toda de responsabilidade dos três diretores indicados pelo Banco que, portanto, deveria se responsabilizar pelo desequilíbrio financeiro da Caixa. Atualmente, o Banco contribui paritariamente para o o custeio da Camed, mas o correto é que contribuísse com bem mais, a exemplo do Banco do Brasil que, para cada real dos funcionários, contribui com  50% a mais. Hoje a contribuição em folha do BB para a Cassi é de 4,5%, enquanto o funcionário contribui com 3,0%.

A assistência à saúde é vital para os trabalhadores e a empresa tem que se responsabilizar por isso. Expressa ou tácitamente, faz parte do contrato de trabalho.

Edemar.