Copa de 58, jogadores & Lula

Opinião que não vale um Tostão!
Quinta-Feira – 15/10/2009
 
O ex-jogador e atual cronista esportivo Eduardo Gonçalves, mais conhecido como Tostão, o Mineirinho de Ouro, chegou de férias outro dia e logo no seu retorno nos brindou com sua opinião a respeito do prêmio que o Governo Federal resolveu oferecer aos jogadores de futebol que se tornaram campeões mundiais há 50 anos.
 
Para o médico ao que parece aposentado (Tostão se formou em medicina depois que parou de jogar aos 26 anos), o Governo não tem nada que gastar dinheiro com ex-atletas que hoje estão todos na casa dos 75/80 anos. Ou seja, com aqueles que pela primeira vez conquistaram a Copa do Mundo de Futebol e que ainda estão vivos.
 
Na pose de um baluarte e vestal do politicamente correto, o Dr. Eduardo ainda informa, sem ninguém ter solicitado, que no seu caso ele abre mão do prêmio de cerca de R$ 400 mil que o Governo oferece aos pioneiros campeões.
 
E, previdente, informa preocupado, antes que alguém se lembre do fato de que, lá atrás, no longínquo 1970, ele próprio, Tostão, recebeu um Volkswagen zero quilômetro do então Prefeito de São Paulo, Paulo Maluf: a este respeito esclarece que hoje se arrepende de ter aceito o presente.
 
E que, na verdade, o que alivia os seus tristes ais é o fato de o Supremo Tribunal Federal ter recentemente obrigado aquele conhecido político a devolver aos cofres públicos o valor dos carros dados de presente aos campeões mundiais no México, dos quais ele é um.
 
Dr. Eduardo deveria ser mais atento ou pesquisar mais quando quer abordar um assunto, escrever sobre ele e de quebra, na carona do comentário, fazer questão de se apresentar como exemplo de comportamento.
 
Primeiro, que o Governo decidiu premiar os atletas campeões mundiais de futebol de 1958 e não todos os campeões mundiais de futebol. Portanto, Tostão se incluiu de alegre, mas está fora desta.
 
Depois, porque numa visão histórica fácil de ser constatada, o título na Suécia representou muito mais do que uma conquista esportiva. O país, a nação brasileira, teve com aquela vitória sua auto-estima elevada, como em poucas ocasiões.
 
Sendo o futebol um de nossos produtos culturais mais identificados com o povo, o Governo de então se aproveitou da conquista e utilizou ao máximo a figura dos jogadores em suas campanhas oficiais. Por vários anos.
 
Como não havia naquela época uma proteção ao uso da imagem e nem se contava com os sofisticados mecanismos de defesa e de remuneração para os que são expostos nos veículos de comunicação, nada mais justo do que reparar a injustiça.
 
A célebre frase de Nelson Rodrigues, contida pela primeira vez numa crônica do Jornal dos Sports, após a derrota em 1950 para o Uruguai na Copa do Mundo realizada em nossa terra, tornou-se parte integrante do perfil do brasileiro que, segundo o jornalista pernambucano radicado no Rio, “tinha complexo de vira-lata”.
 
Impactante, o carimbo ficou mais conhecido do que o brasileiro “é um homem cordial”, conforme o definira anteriormente o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico.
 
Foram precisos oito anos para que o complexo de vira-lata começasse a ser superado.
 
Quando Didi, pegou a bola debaixo do braço após o primeiro gol da Suécia na partida final da Copa de 1958 e veio para o meio-campo gritando com todo o time de que não tinha viajado para tão longe para perder, um pouco da noção de que o brasileiro poderia ser o melhor do mundo, mesmo que fosse apenas num esporte, começou a nascer.
 
Zito, Orlando, Nilton Santos, Djalma Santos, De Sordi, Belini e Gilmar (estes dois últimos que estão tão doentes) e todos os demais que ainda estão vivos merecem muito mais do que os R$ 400 mil que o Governo lhes oferece. É uma pequena retribuição pelo que fizeram. E mais ainda pelo que foi utilizado politicamente com a conquista destes heróis.
 
Só alguém tolo, frio ou desinformado pode achar o contrário. Ou, então, pior: alguém que quer posar de falso ético em cima da premiação (eu prefiro reparação) que estes ídolos receberam tão tardiamente.
 
Que coisa mais feia!
Além disso, o Dr. Eduardo, o Mineirinho de Ouro, que ganhou muito dinheiro com a sua transação do Cruzeiro para o Vasco da Gama, em 1972, talvez não precise mesmo deste tipo de reconhecimento material.
 
A sua parte em grana ele recebeu com a venda de seu passe que custou aos vascaínos U$$ 550 mil, há quase quatro décadas! É só fazer as contas.
 
Azar do Vasco que contabilizou um de seus maiores prejuízos financeiros com o negócio, pois o Dr. Eduardo quase não jogou lá, uma vez que com o descolamento de sua retina, ocorrido anos atrás, não pôde – pouco tempo depois de sua contratação – mais atuar como jogador.
 
O Dr. Eduardo pode, porém, atuar como cronista esportivo, embora não seja formado em jornalismo.
 
Como tal, seria bom que ele fosse mais bem informado: o Supremo Tribunal Federal não obrigou o controverso e criticado político Paulo Maluf a devolver o dinheiro dos Volks doados aos campeões mundiais de 1970. Pelo contrário: considerou, em última instância, a doação legal.
 
Mas, como sugeriu o jornalista Adilson Laranjeira (que foi editor da Folha de São Paulo, onde Tostão escreve) em carta ao jornal:
 
“Já que é pessoa tão preocupada com o assunto, o Dr. Eduardo poderia corrigir o valor de um carro zero quilômetro de 1970 até nossos dias e doar a quantia a uma instituição de caridade. Mesmo que tivesse levado 39 anos para se arrepender de ter recebido o presente”.
 
E.T.
No afã de bajular Tostão, outro colunista que escreve no seu mesmo espaço, se bem que sem brilho algum, afirmou que Tostão foi o primeiro jornalista (?) a se negar a fazer merchandising e, por isso, deixou seu emprego na TV Bandeirantes anos atrás.
 
Informação inteiramente falsa. Na mesma TV Bandeirantes, muito antes de Tostão se aventurar a falar profissionalmente num microfone, o jornalista Juarez Soares comandava o programa Show do Esporte todos os domingos. O programa chegava a ficar no ar por oito horas seguidas e era vice-líder de audiência.

Embora muito solicitado, Juarez Soares, porém, sempre se negou a fazer qualquer tipo de merchandising. E não precisou pedir demissão. Apenas fazia comentários esportivos. Foi esta sua postura que possibilitou ao conhecido apresentador Elia Jr. a aparecer no programa somente para fazer os merchans que Juarez sempre se negou a fazer.

Embora Juarez, como pessoa bacana que é, nunca tenha feito marketing pessoal disso. Duvide sempre de quem se diz a toda hora ser exemplo de ética.

 
EDGARD SOARES

Original em

http://www.futebolinterior.com.br/aColuna.php?iD=1542.

Edemar.

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One Response to Copa de 58, jogadores & Lula

  1. emerson57 disse:

    alem disso tostão escreve opiniões que são divulgadas pela direita para denegrir o presidente lula.

    como diria o outro craque, romário:

    tostão, calado é um poeta……..

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