As perspectivas de Dilma Roussef

 

Laerte Braga

Se levarmos em conta os fatos que têm sido mostrados todos os dias em
documentos vazados pelo site WIKILEAKS, Dilma Roussef começa sua caminhada
em janeiro como um acrobata que faz aquelas travessias fantásticas pelos
Alpes, quilômetros acima do nível do chão.

Não há como imaginar que um governo possa ser diferente de um exercício de
equilibrismo quanto entre seus ministros tem figuras como Moreira Franco e
Nelson Jobim, isso para ficar em dois. E ambos em ministérios estratégicos,
ambos, comprovadamente corruptos e comprometidos com interesses de potência
e grupos estrangeiros.

Há um risco que Dilma corre e de saída vai precisar mostrar que está à
altura do desafio. O de ser capaz de se equilibrar sem concessões a esse
tipo de bandido travestido de político. Dilma não é Lula e até que ponto vai
conseguir não sei, só depois dos primeiros momentos do seu governo vai ser
possível avaliar.

O fato torna-se mais preocupante ainda quando afasta figuras respeitadas
mundialmente como Samuel Pinheiro Guimarães e Celso Amorim de ministérios
chaves e nomeia para as Relações Exteriores um diplomata que em sua primeira
declaração critica o voto do País sobre o Irã. Antônio Patriota está no
governo Lula há oito anos e agora manifesta essa posição.

De fazer inveja a qualquer camaleão.

O que talvez Dilma não tenha entendido é que foi eleita presidente em função
de Lula. Do contrário nem vereadora em Porto Alegre, ou Belo Horizonte. E em
função de Lula significa dizer das políticas do atual governo nesses oito
anos do presidente.

Em tese poderíamos dizer um programa, estratégias e táticas montadas em cada
momento, de cada dificuldade. Segurou-se em seu carisma, nos avanços obtidos
em políticas sociais, na estabilidade econômico/financeira (sem mudanças em
relação às políticas neoliberais), acima de tudo na política externa que foi
capaz de transformar o Brasil de um gigante adormecido numa voz influente e
decisiva em todo o mundo.

Dilma foi escolhida e eleita para isso. Não quer dizer que tenha que ser
tutelada ou fantoche de Lula, mas deve e tem o dever de mostrar um
compromisso expresso com essa postura. E perceber, aí sim, a possibilidade
de avanços concretos e efetivos já que os anos de turbulência passaram e os
brasileiros foram claros na sua opção.

O “capitalismo a brasileira”, invenção de Lula na perfeita definição de Ivan
Pinheiro, pode e deve começar a ser transformado em avanços na direção do
socialismo. É fundamental compreender que o confronto com as forças
conservadoras é inevitável, hoje ou amanhã e quando mais tarde acontecer,
maiores serão as chances de sermos engolidos.

O PT não é um partido de caráter revolucionário, “diferente” como se dizia,
tampouco uma vestal. É só um PMDB ou um PSDB diferente (sem aspas) no jogo
do clube de amigos e inimigos cordiais preocupado em manter cargos,
sinecuras, ocupar espaços na máquina estatal, nada além disso. As principais
lideranças petistas hoje nem sabem mais a história e a gênese do partido.

O movimento popular e a parte não contaminada do movimento sindical, formas
de participação popular serão essenciais. E nisso o debate da comunicação é
decisivo.

Os mais recentes documentos do WIKILEAKS mostram a preocupação e as pressões
do governo dos EUA sobre o Brasil na questão iraniana. Os norte-americanos
não gostam da política de Amorim em relação ao Irã. Não se trata da questão
nuclear, qualquer leigo sabe que o Irã está se preparando para construir
armas nucleares e o caráter dessas armas, ali, é defensivo, diante da
barbárie dos EUA e de Israel (milhões de iranianos morreram na guerra contra
o Iraque, montada, orquestrada e dirigida por Washington.)

A política externa brasileira dificultou ações terroristas tanto dos EUA
quanto de Israel na região. A maior potência do mundo estava acostumada com
a submissão brasileira no governo de FHC (até sapato o chanceler tirava no
aeroporto de New York para submeter-se a revista).

Imaginar que dois sacripantas como Nelson Jobim (o WIKILEAKS já mostrou suas
ligações com os norte-americanos) e Moreira Franco vão se preocupar com o
Brasil é acreditar na conversão do diabo.

Como Dilma vai lidar com isso é uma incógnita. Como vai lidar com os
apetites de PT, PMDB e outros menores para cargos na máquina estatal é outro
problema.

O risco de tornar-se presa fácil de forças conservadoras e jogar por terra
todos os motivos que a transformaram em presidente é grande.

O fim do governo Lula, respeitado no mundo inteiro, vai fazer com que
norte-americanos aumentem o som e o tom das pressões sobre o governo
brasileiro para um alinhamento incondicional. Se isso acontecer o retrocesso
será sem tamanho, levando em conta que o próprio governo Lula funcionou em
compartimentos estanques administrados na prodigiosa capacidade de
equilibrismo do presidente.

E tudo isso sem levar em conta que as forças armadas brasileiras em sua
absoluta maioria bate continência para Washington e essa maioria esta louca
para o restabelecimento da “ajuda por fora”, para treinamento com os
brinquedinhos que lá se tornam imprestáveis e aqui ajudam a silenciar
consciências.

O desafio da integração latino-americana, um processo que se iniciou a
partir do presidente Chávez da Venezuela e hoje tem a força de uma realidade
da qual não se pode fugir sob pena de voltarmos a ser a velha AMÉRICA
LATRINA, ou nos transformamos num México separado dos enviados divinos por
um muro.

É só olhar a Europa Ocidental. Um amontoado de ex-grandes impérios
transformados em colônias e bases militares de um monstrengo chamado OTAN
(ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE), pretexto para a ocupação imperial
norte-americana.

Ou alguém ainda acredita que o primeiro-ministro britânico, ou a chanceler
da Alemanha acorda e reza a Papai do Céu? Agradece a Obama mais um dia e
pronto.

Nem falo de Berlusconi. Qualquer crítica feita na Itália a Tiririca seria
desqualificada na figura do próprio primeiro-ministro.

Apostar única e exclusivamente nas políticas sociais, sem transformá-las em
alavancas de transformações no modelo, ampliando o processo de reforma
agrária e na estabilidade econômica é o mesmo que não sair do lugar e
permitir espaços que os grupos conservadores vão ocupar e preparar para a
reconquista do poder.

Aécio está aí prontinho para isso.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza é autor de um
projeto de lei redigido pela advogada da multinacional MONSANTO. Libera o
uso da tecnologia “terminator” – que é proibida em todo o mundo e condenada
pela ONU – para atender a interesses dos agronegócio.

O veneno nosso de cada dia naquela conversa fiada de feijão/soja/arroz/milho
do tamanho de uma abóbora.

Como Dilma vai lidar com isso? A proposta revoga a lei de Biossegurança, do
governo Lula e introduz a tecnologia da dependência absoluta. A semente que
germina uma só vez, a semente estéril. A dependência alimentar plena e
absoluta e com recheio de veneno.

Uma das tecnologias a “terminator” é considerada ameaça a diversidade de
cultivos e a soberania alimentar desde 1998. ONU, Convenção de
Biodiversidade recomendam que países não usem essas sementes, nem as
comercializem. O Brasil em 2006 manteve a decisão de não fazê-lo e
naturalmente a MONSANTO financiou a campanha de Vaccarezza, como qualquer
VALE financia latifundiários padrão Kátia Abreu no afã de destruir o
Pantanal a Amazônia, colocar o Brasil na Idade Média.

Vaccarezza é um escárnio. O projeto foi redigido pela advogada Patrícia
Fukuma, da MONSANTO e soa como fatura do financiamento da campanha do
deputado petista. Nem escondem isso nos documentos constantes do PL
5575/2009. Vaccareza diz que conversou com ela, mas “não tem nenhuma
relação”. Aprendeu a arte da cretinice depressa. É óbvio, essa pressa é
proporcional ao aumento da conta bancária.

Como é que Dilma vai lidar com esse tipo de gente formando a base do
governo?

Não são perspectivas positivas. Os primeiros momentos, com certeza, serão de
festas. Os segundos, terceiros, vão depender da presidente honrar os
compromissos de campanha no mínimo e buscar avanços no curso do próprio
processo conseqüência das conquistas do governo Lula, tanto quanto
rejeitando as concessões do atual presidente.

Do contrário se Sarney vier a morrer no meio do caminho mumificam e o mantém
na presidência do Senado, ou exumam ACM.

Não consegui identificar fontes (recebi por imeil), logo não confirmo a autoria. Concordo                                                                                                                                                     com tudo, claro, muito especialmente com a apreciação feita do nobre Deputado Vacarezza.                                                                                                                                             Como dizia minha avó, os bons, quando se tornam maus, ficam péssimos. 

Edemar.

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2 Responses to As perspectivas de Dilma Roussef

  1. Neri Perrud disse:

    Vamos aguardar se estas previsoes se concretizam…, Em todo o caso, a ambição e ganancia por cargos e poderes não é privilegio de nenhum partido~..
    Que venha o Parlamentarismo, algo mais moderno e eficaz para se lidar com a avidez destes politicos e a falta de participação das pessoas fora do periodo eleitoral.

  2. Denis Libanio disse:

    Em complemento a essa informação, há a resposta do Deputado Vaccarezza PT-SP, abaixo:
    22/12/2010 – 18h20 – Congresso em Foco
    Vaccarezza refuta fazer projeto sob influência de lobby
    Renata Camargo

    O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), mais uma vez, refutou ter redigido sob influência de lobbies o projeto de lei sobre a liberação de sementes estéreis (chamadas de terminator). Ele diz que não houve interferência em sua proposta da indústria de alimentos e de multinacionais como a Monsanto. Vaccarezza considerou “grave” o entendimento de entidades ambientalistas e da agricultura familiar segundo as quais ele atendeu a um lobby. O deputado pediu mais apurações sobre o caso. “Eu quero incentivar a pesquisa com os transgênicos. Acho que é um avanço da humanidade. Sou defensor dos transgênicos e defendo em qualquer lugar”, disse Vaccarezza. “Eu não sou deputado de lobby. Eu não tenho medo de defender minhas ideias. Se pegar desde quando eu era deputado estadual, eu sou um deputado de ideias, de teses, eu não sou de lobby, de esquema”, finalizou.
    http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_Canal=1&cod_Publicacao=35644

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