Os cem primeiros dias do governo Dilma

 

Com satisfação o Desconfiado dá guarida a trabalho do colega Antonio Fernando, o qual se propõe a
uma tarefa interessante para agora e da maior importância para o futuro. Como até os cães e gatos sabem, a imprensa
hegemônica, seja ‘escrita, falada ou televisada’, a velha mídia brasileira, ignorou e ignora  as boas ações do Governo Lula
ou as divulgou e divulga distorcidamente, com o permanente objetivo  de desacreditar um governante que concluiu seus
mandatos com índices de aprovação popular nunca antes vistos na história deste País. Vox populi vox dei.

Todos percebemos a mesma atitude dessa mídia parcial com relação à nova Presidenta Dilma, cujo governo já desmentiu,               via Twitter, um dos expoentes desse jornalismo tendencioso e, muitas vezes, alheio aos fatos. Muitos de nós reagimos                 pontual e anônimamente, tentando, através de grandes e pequenos blogues, em listas de discussão por imeil, em comentários         onde se os permitissem, em redes sociais tipo Orkut, Facebook e outras tantas, estabelecer os necessários contrapontos  às falsas informações distribuidas pelos oligopolizados gigantes midiáticos.

Esse trabalho de milhares de pessoas, sempre voluntário, raramente organizado ou sob coordenação de qualquer natureza,     graças à dedicação de todos e à persistência e talento de grandes jornalistas, professores, artistas, militantes de várias       correntes partidárias, logrou êxito, o resultado das eleições o afirma. Agora, Antonio Fernando se propõe a continuar a luta,          introduzindo um diferencial: um método. Pretende comparar dia por dia o que o PiG (Paulo Henrique Amorim, tudo bem?) propala
com sua visão particular, muito parecida com a de 87% dos brasileiros. Seja bem vindo.

 

Edemar.

 

 

Antonio Fernando

07/01/2011
Decidi pinçar algumas notícias e eventos pertinentes a primeira semana do governo Dilma. Pretendo prosseguir nessa tarefa até completar “100 dias”. Estou certo de que a nossa grande imprensa prepara algo semelhante e não me surpreenderei se daqui a 100 dias ela venha a apresentar ao inestimável público o “lado negro” deste período. Estou tentando documentar o que seria uma visão neutra, mas com um claro viés positivo desse tempo que costuma ter um carater emblemático e ser apresentado aos leitores como o provável símbolo de todo uma gestão. Espero com isso estar contribuindo para que, na mesma ocasião, possamos ter uma percepção mais favorável dessa etapa, já que não me convém apostar que nossa imprensa o fará. Conto poder a cada dia ir registrando os avanços e eventuais recuos do novo governo para que ao final o trabalho sintetizado possa servir como uma espécie de contraponto ao PIG. Entretanto e para que as notas não sejam decorrentes única e exclusivamente do meu olhar coloco este trabalho à disposição de todos, para que com suas sugestões ele vá se tornando mais rico abrangendo aspectos que, a cada dia, mereçam ser ressaltados.

sab – 01/01 – Posse da Dilma – despedida do Lula – povo na rua – aclamação em São Bernardo, no ABC paulista que a imprensa não destacou, preferindo aludir à beleza da esposa do Michel Temer, às “heranças malditas” (tipo Cesare Battisti) que Lula estaria deixando, ao imaginário apagão aéreo do final de ano.

Claudio Ribeiro, no blog Palavras Diversas, postou:
Marcelo Migliaccio em seu blog no JB on line, analisou o comportamento daqueles que já tendo perdido a batalha, cuidam de negar a realidade dos vencedores e do Brasil real ao público, preferem se ocupar “em estragar a festa” dos vitoriosos:
“Na Globo News, deu raiva ouvir os comentários do Carlos Monfort [por ocasião da despedida do Lula no aeroporto], eivados de inveja e preconceito.
– Será que agora o presidente entra no avião? Ou ele vai descer a escada novamente e voltar para cumprimentar os militantes?
Sim, para Monfort e seus colegas de empresa, o povo que aplaude, beija e chora com um presidente-operário não é povo, é “militante”.”

dom – 02/01 – A imprensa PIG repercute negativamente a decisão de Lula de, no dia 31/12/2010, conceder abrigo no Brasil para Cesare Battisti, condenado pela justiça italiana e pouco espaço relativo à posse da presidenta. Ainda do mesmo post de Claudio Ribeiro: “A Folha de São Paulo cobre o iminente conflito armado entre Itália e Brasil, por causa da negação do governo brasileiro em extraditar Cesare Batistti, apesar das negativas do governo italiano em retaliar a posição brasileira sobre o caso.  O governo italiano recorrerá a Corte de Haia e ao STF, exercendo seu direito de recorrer de uma decisão que não concorda.”

Por outro lado, na cerimônia de posse da nova ministra do Desenvolvimento Social, a economista Tereza Campello, esta, segundo o Valor, anunciou que está nos planos do governo Dilma Rousseff a transformação de parte da clientela do Bolsa Família, o programa de transferência de renda de maior sucesso da gestão Lula, em uma nova categoria de empreendedores rurais e urbanos. O Valor apurou que a nova ministra pretende dar ênfase ao desenvolvimento empresarial das 12,9 milhões de famílias assistidas pelo programa.  Entre os planos está a criação de uma espécie de “força-tarefa” institucional para criar, transferir e aplicar tecnologias em benefício da “nova classe média” resultante das políticas de redução da pobreza no país. Essa “porta de saída” estimularia investimentos em mercearias, restaurantes, cabeleireiros, revendas e “lan houses”. “As famílias do Bolsa Família têm microcrédito e crédito urbano, mas precisamos avançar. Temos de garantir a elas a ascensão, para que deixem de precisar do Bolsa Família”, disse Campello em sua concorrida cerimônia de posse.

Ao mesmo tempo alguns jornalões, através de alguns dos seus colunistas, que passaram 8 anos espinafrando o governo Lula, neste domingo se derramaram em elogios ao ex-presidente e ao seu governo (ver o texto inimaginável da Eliane Catanhêde na FSP). Afinal as verbas da publicidade institucional ainda pesam no balanço. Por sorte ou por azar continuam tratando a parcela da população cada vez menor que ainda os lê como se fossem retardados (embora, a rigor, alguns até o sejam).

seg – 03/01 – De uma vez por todas, como disse Claudio Ribeiro, a grande mídia decidiu escrever unicamente para o nicho conservador dos seus leitores, aqueles que como já é sabido reprovam todas as ações e políticas do governo. Na ideia de pautar, diaramente, o governo que se inicia, fornecem análises sempre contrárias a política atual do novo governo, sugerindo através dos seus “especialistas” as alternativas “viáveis” para resolver os problemas nacionais. Caso não sejam aceitas “vislumbram” trágicas consequências no futuro ainda que este futuro não venha se confirmando, como aliás vem ocorrendo, sistematicamente nos últimos dez anos, no Brasil. O Globo por exemplo, prossegue Claudio Ribeiro, insiste nas idéias neoliberais derrotadas nas urnas em quase toda a América Latina na última década: corte de gastos, privatizações, crítica mordaz ao reaparelhamento do Estado e a sua recuperação da capacidade de investimento, estabelecimento de metas superavitárias mais apertadas, reformas na previdência e flexibilização da CLT.

ter – 04/01 – Hoje Dilma deu o primeiro ‘puxão de orelha’ em ministro do novo governo. Conforme a Agência Estado a presidente Dilma Rousseff repreendeu o general José Elito de Carvalho Siqueira, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), por dizer em entrevista, ontem (dia 03/01) que não é motivo de vergonha para o País o desaparecimento de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). Escolhido para comandar os seguranças e arapongas do governo, José Elito pediu desculpas a Dilma pela declaração polêmica, segundo fontes do Planalto. Ao longo do dia, ele já tinha recebido recados de assessores de que Dilma não gostou do comentário sobre as vítimas do regime militar. Ao ser recebido à noite pela presidente, ele chegou a jogar a culpa na imprensa, afirmando que sua declaração foi “mal interpretada”. A presidente aceitou a desculpa.

A imprensa deu destaque a uma possível “conspiração” oriunda do PMDB. Este partido aliado estaria disposto a questionar o valor do novo salário mínimo de R$ 540,00 estabelecido para vigir a partir de 01/01/2011. No “Jornal das Dez” (Globo News), Merval Pereira, articulista do O Globo lascou: “… Eu, sinceramente, não entendo porque a oposição, o PSDB em especial, não empunha, também, junto com o PMDB, a bandeira de um salário mínimo superior aos R$540,00 propostos pelo governo!…” E ainda acrescentou na maior cara-de-pau:  “É bem verdade que o valor de R$600,00 proposto, durante a campanha eleitoral, pelo candidato José Serra era demagógico!…”

Na verdade o que alguns deputados queriam era questionar a distribuição de cargos no novo governo Dilma ameaçando propor um aumento maior apenas com o intuito de exibir uma força parlamentar logo no início da atual legislatura e assim constranger Dilma. Essa parte do “baixo clero” recorre sempre ao velho expediente do vice-raposa Temer de “morder e assoprar” ou como prefere a jornalista Maria Inês Nassif (Valor Econômico), “um apoia, outro ameaça”, para assim manter cooptado essa malta de deputados sem expressão política.

qua – 05/01 – No esforço de criar fendas entre os maiores partidos aliados do governo a imprensa PIG volta a dar destaque a uma imaginária briga entre PT e PSDB por disputas de cargos, primeiro nos Ministérios (Saúde e Comunicações). Esforçam-se para “transformar negociação política em ‘guerra sangrenta’ e vil.” Nessa “guerra” o PMDB já começaria derrotado e agora ela se aprofundaria na disputa pelos cargos do segundo escalão. Procuram ressaltar o quanto o PMDB possuía de cargos e das respectivas verbas associadas no governo Lula e a quanto ele ficou reduzido com o avanço do PT sobre os Ministérios mais “polpudos” do governo Dilma, no esforço de criar uma rivalidade entre eles.

Hoje um grupo de 4 professores italianos radicados na França (Saverio ANSALDI – Università di Montpellier III, Carlo ARCURI – Università di Amiens, Giorgio PASSERONE – Università di Lille III e Luca SALZA – Università di Lille III) que se autodefinem como exilados, diante da tristeza da situação italiana, com Berlusconi e outros fascistas no poder, xenófobos querendo dividir o país, membros do ex-Partido Comunista Italiano (atual PD) que agora defendem a anulação do direito de greve divulgaram uma carta na qual, entre outros tópicos declaram: “Contrariamente ao que se tem escrito e dito, nós acreditamos que a decisão de competência do presidente brasileiro não é resultado de um juízo superficial e apressado sobre nosso país, mas resultado de uma avaliação aprofundada e pertinente da situação política e judiciária italiana. O Brasil é o último de uma longa lista de países, após Grécia, Suíça, França, Grã Bretanha, Canadá, Argentina, Nicarágua, que se recusaram a colaborar com a justiça italiana.” Quanto a imprensa nacional, esta prosseguiu golpeando a decisão do governo Lula.

qui – 06/01 – Dilma se reune com 12 Ministros e lança o PAC de Combate à Miséria. Ainda do Claudio Ribeiro: “O lançamento do PAC de combate a miséria extrema é um ‘up’ de esquerda na ponta do queixo dos analistas de plantão e estabelece, de fato, quem dita a agenda política social do governo.  Ou seja, o Brasil real é analisado e prognosticado a partir de seus mais complexos contextos atuais e não pelas idéias mesquinhas do Brasil propagado pelo PIG.”

Hoje, o ministro-chefe do Supremo (STF), Cezar Peluso, conservador e reacionário, decidiu manter preso o ex-ativista Cesare Battisti e reabrir a questão de sua extradição determinando a remessa dos autos ao relator do processo, ministro Gilmar Mendes. O advogado de Battisti, Luís Roberto Barroso afirmou: “Trata-se de ato de soberania, praticado pela autoridade constitucionalmente competente, que está sendo descumprido e, pior que tudo, diante de manifestações em tom impróprio e ofensivo da República italiana”. Afirmou ainda que as declarações das autoridades italianas após a decisão de Lula, as passeatas e as sugestões publicadas na imprensa de que Cesare Battisti deveria ser sequestrado no Brasil e levado à força para a Itália confirmam o acerto da decisão presidencial. “Em uma democracia, deve-se respeitar as decisões judiciais e presidenciais, mesmo quando não se concorde com elas”.

E, como escreveu Celso Lungaretti: “O Caso Battisti terminou em janeiro de 2009, quando o Governo brasileiro decidiu que havia motivos suficientes para conceder ao escritor italiano o direito de residir e trabalhar em nosso país.” Por culpa única e exclusiva do STF o “processo” foi-se alongando e com a “detenção arbitrária de quem jamais deveria ter sido preso no Brasil e há mais de três anos é mantido como nosso único preso político, para imensa vergonha de quantos juramos nunca mais deixar que o País incidisse nos abusos de 1964/85.”

Depois de afirmar anteontem que o “Brasil estava sofrendo danos colaterais daquilo que, o ministro da Fazenda Guido Mantega vem chamando de uma ‘guerra cambial’ global provocada pela manipulação das taxas de câmbio pelos governos” o Brasil decidiu partir para o controle da elevação do real. Isso fez com que o jornal conservador inglês Finantial Times escrevesse no dia seguinte, dia 07: “As medidas, com o objetivo de interromper a valorização ainda maior do real, mostram os dentes da ameaça do novo governo da presidente Dilma Rousseff de que o Brasil agirá para proteger a competitividade de sua indústria doméstica de base de flutuações na taxa de câmbio”. O jornal pontuará, ainda, que a medida anunciada pelo Banco Central segue a decisão do Chile, anunciada também nesta semana, de intervir nos mercados de câmbio para conter a valorização do peso deverá ser seguida por outros países emergentes.
– Nós vemos tais medidas como medidas macroprudenciais que visam fortalecer o sistema bancário no Brasil diante de grandes ingressos de capital, e elas podem ser uma parte apropriada do kit de ferramentas – disse Caroline Atkinson, porta-voz do FMI

sex – 07/01 – Universalizar o serviço de banda larga é prioridade do governo, afirmou nesta sexta-feira o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) após se reunir com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Segundo ele, a presidenta recomendou manter foco num plano nacional que leve à população um sistema com qualidade e baixo custo. O ministro revelou que inicia, na próxima semana, reuniões com setores envolvidos na questão, como empresas de telefonia e provedores de acesso, além de entidades sindicais e sociais. O ministro espera que até o mês de abril tenha fechado o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) (Blog do Planalto).
Por outro lado, termina hoje o prazo para as empresas de telecomunicações encaminharem dúvidas e sugestões ao edital de licitação que prevê a contratação de 13 mil pontos de conexão à internet para o Programa Gesac, de inclusão digital, do Departamento de Serviços de Inclusão Digital (Desid) do governo federal.

O ministro Nelson Jobim (Defesa) afirmou, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro desta sexta-feira  – a primeira edição do ano – ser favorável à instalação da Comissão Nacional da Verdade para investigar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, e disse que não há divergência entre ele e Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos. “Não há nenhuma divergência com a ministra de Direitos Humanos, ela conhece bem o projeto e nós temos uma excelente relação”, disse Jobim, destacando ter ido à posse de Maria do Rosário no cargo. (Blog do Planalto)

Pode-se depreender desta primeira semana que Dilma imprimiu um “estilo” absolutamente novo no cotidiano de gerir o país. Acorda cedo, exercita-se, lê, revelou-se metódica, pontual, reunindo-se com seus auxiliares, recebendo delegações estrangeiras, mas, aparentemente, pouco afeita a, todo instante, fazer pronunciamentos à imprensa. Por outro lado, através de seus Ministros, pareceu demonstrar vivo interesse por assuntos que estão na ordem do dia, por dar a partida em providências relacionadas com promessas de campanha, enfim pautando sua atuação com “disparos” que deixaram transparecer a dinâmica que já estabeleceu para cuidar da lide diária.

Segundo Eduardo Guimarães, do blog da Cidadania, referindo-se também a essa primeira semana do governo Dilma, “há vários fatores que explicam a postura de Dilma. Em primeiro, sai de cena a emotividade de Lula para dar lugar à atitude sempre cerebral que marca o perfil técnico da presidente, em contraposição com a formação eminentemente política do antecessor. E também o fato de que ela ainda parece pretender desfazer a especulação de que seria mais de esquerda do que ele.” E prossegue: “A menos que Dilma comece a ceder sem parar às exigências da direita midiática, confrontos surgirão. Se o seu governo não se tornar tucano, terá que enfrentar o debate político. A única manifestação que a mídia não poderá ignorar ou distorcer muito será a dela. Se não se manifestar, seu governo será censurado.” Concluindo: “É cedo para dizer que Dilma cometerá o erro de governar o Brasil como uma gerente. Mas se fizer isso, será, sim, um erro. O cargo de presidente é político. Os brasileiros votaram nela seguindo um líder político – o maior da história brasileira, ao lado de Getúlio Vargas. Ninguém segue gerentes. E sem liderar politicamente, ela não se reelegerá.”

Penso que é ótima a ideia de realizarmos esse acompanhamento nos moldes do sugerido pelo Frederico Cardoso, segmentando e lançando mão de informações significativas daquelas áreas que – impressão minha -, tornaram-se as meninas dos olhos da administração Dilma, tais como saúde, erradicação da miséria, educação, valorização das minorias, etc. sem descuidarmo-nos, evidentemente, de eventos de porte ocorridos em outros segmentos vitais como os da área cultural, econômica, de infra-estrutura, etc.

Para quem se dispuser a rechear esse trabalho com sua benvinda contribuição (informativa e analítica, é bom destacar) meu email é: afgaleriaum@gmail.com (ou comentando neste blog)

sab-08/01 – No momento em que o governo da Presidenta Dilma se propõe a erradicar a miséria no país, uma boa notícia que aflorou neste sábado é a de que o tucano Roger Agnelli, presidente da Vale, está com os dias contados na direção da empresa privatizada por FHC em 1997. Seu mandato termina em março/11 e não será prorrogado. O governo Dilma, através dos fundos de pensão das estatais e do BNDES (sócios da Vale), tem condições de interferir na sucessão. Quem informa-nos isso é Carta Maior, revelando-nos ainda que Agnelli travou uma queda de braço com o governo Lula nos últimos anos tornando-se um personagem à altura daquele que foi o mais indecoroso capitulo do processo de  privatização realizado pelo PSDB nos anos 90. Vendida  quando era a principal estatal brasileira, a Vale rendeu ao Estado a  bagatela de  R$ 3,3 bi,  exatamente a metade do lucro líquido obtido em um único  trimestre de 2010 (R$  6,6 bi entre abril/junho do ano passado). FHC  não tremeu a voz  ao narrar uma fábula tucana no programa ‘Palavra do Presidente’, em 26/11/1996: “Vendendo a Vale”, justificou, “nosso povo vai ser mais feliz, vai haver mais comida no prato do trabalhador “. Nos  últimos anos, Agnelli  resistiu aos apelos do Presidente Lula para traduzir a “felicidade” prometida por FHC em investimentos que agregassem valor às exportações brasileiras, em vez de simplesmente produzir buracos no país mandando minério bruto para o exterior. Não o fez. Pior que isso, a exemplo de todo o setor de mineração, a Vale paga à sociedade menos royalties do que a Petrobrás: 2% contra 10%. Se reverter o processo de alienação tornou-se difícil, que se obtenha da mineradora, ao menos, uma alíquota dos lucros equivalente à propiciada pela estatal que mais adiciona investimentos à economia. É hora portanto de cobrar uma contribuição justa de quem há 13 anos usufrui riquezas, sem contrapartida proporcional. Não basta trocar Agnelli, é preciso trocar a lógica da espoliação.

dom – 09/01 – A mídia, sob a liderança da FSP, deu ampla repercussão à renovação do passaporte diplomático dos filhos do ex-presidente Lula, como se fosse um ato ilegal. Até o presidente da OAB, o bisonho Ophir Cavalcante, arranjou tempo para fornecer argumentos “legais” e “morais” e para uma ameaça-lambança de processá-los caso os dois lulinhas não devolvessem o tal passaporte. Sequer se preocupou em verificar o que diz o decreto da Casa Civil da Presidência da República, nº  5.978, de 4 de dezembro de 2006, em seu artigo 6º, sobre a concessão de passaportes diplomáticos, nem que fosse para constatar que nada havia de ilegal ou desonroso.
Ao mesmo tempo essa mesma mídia resolveu implicar com as férias que o governante que sai deixando tanta saudade foi passar em uma instalação militar no Guarujá durante um período em
que o Estado tem o dever de garantir a todo ex-mandatário as melhores condições para retomar sua vida. Dá pra se perceber com clareza o quanto a mídia dá de tratamentos diferentes aos ex-presidentes Lula e FHC, ainda que Lula tenha deixado o poder sob recorde mundial de aprovação – módicos 87% – enquanto que FHC o fez com pouco mais de um quarto disso.

seg – 10/01 – Segundo Virgínia Toledo, da Rede Brasil Atual, brasileiros que retornarem do exterior e estiverem em busca de recolocação profissional no mercado de trabalho terão um auxílio especial  a partir desta segunda-feira (10). Foi inaugurado em São Paulo pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o Núcleo de Informação e Apoio aos Trabalhadores Brasileiros Retornados do Exterior, que terá como principal função orientar os brasileiros que, de volta ao país, busquem acesso aos serviços públicos e a reinserção ao mercado de trabalho. Segundo estudos do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), os maiores fluxos de retorno de brasileiros do exterior são oriundos do Japão e dos Estados Unidos, países que tiveram forte impacto da crise financeira, iniciada em 2007/2008. No caso do Japão, informações de autoridades japonesas apontaram para um retorno de cerca de 80 mil brasileiros entre outubro de 2008 e abril de 2010.

ter – 11/01 – Ao contrário do que muitos supunham, até porque a grande mídia nunca fez muita questão de revelar, só em 2010, 521 funcionários públicos federais foram punidos por práticas ilícitas, segundo divulgou hoje, no Jornal do Brasil, o jornalista Luiz Orlando Carneiro, de acordo com um levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), ontem divulgado. Dos mais de 2.500  funcionários demitidos, destituídos de cargos em comissão ou que tiveram aposentadorias cassadas por corrupção, durante os oito anos do governo Lula, o maior contingente em percentual (1,906%) foi dos quadros do Ministério do Meio Ambiente – apesar de a pasta que cuida de licenciamento ambiental ser a nona em número absoluto de servidores estatutários. Os ministérios da Previdência Social (1,832%) e da Justiça (1,455%) vêm logo a seguir. Portanto aquela história de que Lula fez “vista grossa” pra corrupção está merecendo um novo enredo.

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