Microdestilarias, quem lembra?

Emilio Lisboa, DILMA, Temer e MST

Gilberto Felisberto Vasconcellos

Emilio Lisboa foi prefeito de Angatuba quatro vezes, implantou a microdestilaria
a álcool, depois de tomar conhecimento dessa tecnologia concebida por
Marcelo Guimarães, que infelizmente não foi chamado pelo governo Lula.

Emilio Lisboa é o político (fundador do PMDB, amigo de Michel Temer) que tem
condições de dirigir um programa de álcool combustível em pequenas propriedades
tendo o apoio do Movimento Sem Terra.

Stedile sabe o que significa socialmente a deseconomia de escala embutida
nas microdestilarias a álcool. Esse programa agrário, antípoda do
latifúndio “for export”. é a única estratégia para a criação de milhares de
empregos. Trata-se de uma iniciativa descentralizada de produção energética,
democratizante, ecológica e igualitária.

Se Emilio Lisboa a implantou na esfera municipal, poderia implantá-Ia em âmbito
nacional, induzindo o processo de reforma agrária que será bem vindo pelo
proletariado urbano.

A microdestilaria a álcool é a via brasileira do socialismo para erradicar
a miséria no campo e desinchar as cidades, portanto é uma medida eficaz
de reduzir a criminalidade.

Emilio Lisboa assimilou e realizou o projeto de autodesenvolvimento de Marcelo
Guimarães e Bautista Vidal.

O autodesenvolvimento consiste em produzir simultaneamente, nas pequenas
propriedades, energia vegetal (biomassa renovável e limpa), comida (leite, rapadura,
queijo, carne) e adubo orgânico com o bagaço de cana. Livrando-se com isso do
agrotóxico cancerígeno produzido pelas toxinas das multinacionais.

Onde se faz cachaça pode ser produzido álcool-combustível, portanto qualquer
alambique converte-se em uma microusina de energia limpa e renovável, espalhada
por todo o Brasil.

Dilma não pode ficar seduzida pelo fetichismo imediatista do petróleo. É um
equívoco concentrar-se no Pré-Sal e relegar a plano secundário a fonte de energia
vegetal, que é a verdadeira vocação da natureza dos trópicos.

Evidentemente a energia vegetal perderá seu potencial democrático,
igualitário e descentralizado (afinal, o sol não é paulista). se for explorada por latifúndios
multinacionais. Por outro lado, com reforma agrária direcionada aos Sem-
Terra, a produção de álcool e comida cria milhares de empregos (ao contrário do
Pré-Sal), e resolve a questão da segurança, pois desincha as cidades. É também
uma oportunidade de mostrar que a ecologia do PVde dona Marina é antiecológica,
porque não altera o regime de propriedade e não substitui a matriz fóssil.

O petróleo é uma armadilha, o principal fator do aquecimento do planeta.
Vamos continuar fazendo uso dessa energia suja? Desde Kioto o desastre climático
tem mostrado o seguinte: se não forem abandonados os combustíveis fosseis,
a natureza poderá ser destruída.

Ademais, o petróleo é finito. Eis a arapuca: tem pouco e o pouco que tem
faz mal.

Gilberto Felisberto Vasconcellos é sociólogo, jornalista e escritor.
In “Caros Amigos”, dez/2010.

Edemar

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