Os cem primeiros dias do governo Dilma, 3ª parte

Nosso colaborador Antonio Fernando Araujo continua alerta e atuante. Seu material deve ser salvo para permanente memória dos fatos, sem as distorções costumeiras da velha mídia hegemônica.

Edemar.

De 16 a 20/01/2011

dom – 16/01 – Não dá pra cochilar com a Rede Globo. Entre imagens da tragédia que se abateu sobre a região serrana do Rio a TV Globo exibiu no Jornal Nacional de sexta-feira,14/01, o início da reunião ministerial do governo Dilma ocorrida na véspera, dia 13, ela própria muito sorridente posando para a imprensa enquanto alguns Ministros falavam ao telefone e outros mascavam chicletes, tudo como se fosse o momento em que tratavam da tragédia no Rio de Janeiro (http://www.youtube.com/watch?v=PmQMGDMTqtU). Intercalando falas e imagens de eventos tão distintos, qual a impressão que tais manipuladores querem passar para o telespectador? Não é difícil perceber que entre a dor dos que perderam tudo e os sorrisos ministeriais há um abismo supostamente recheado de falsas promessas e descaso com a população. Que a ida de Dilma à Nova Friburgo não passou de um jogo de cena revelado agora por esses sorrisos de alienação no instante de tanto sofrimento. Como escreveu o Edmar Motta, em uma de suas crônicas, esses caras que se travestem de jornalistas “para infectar os incautos” cometem “um ato de escrotidão” (http://cronicasdomotta.blogspot.com/2011/01/o-fundo-do-poco.html). Todos sabem, prossegue, que a Globo e vários outros órgãos de comunicação do país ainda não digeriram a derrota do seu candidato à Presidência. É uma guerra que está decretada. A coisa foi de tal forma escandalosa que repercutiu até no diário espanhol El País, provocando uma reação indignada de Eduardo Guimarães em seu Blog da Cidadania, endereçada, através de um telefonema e de mensagens, diretamente à redação do jornal. Bem, do fato tiremos ao menos uma lição: não podemos nem devemos subestimar Ali Kamel, o todo-poderoso do noticiário global, ele é do ramo, escroto mesmo e muito bom no que faz.

seg – 17/01 – A manipulação da informação não é privilégio do JN, corre à solta no jornal, na rádio CBN, na TV Globo e na Globo News. O Globo está no terceiro turno das eleições presidenciais ou, na melhor das hipóteses, já está na campanha presidencial de 2014. Não importam os fatos. Qualquer que seja, há sempre uma forma de manipular a informação. Manchetes negativas para fatos positivos é uma delas, como relata Augusto da Fonseca, em seu blog Festival de Besteiras da Imprensa. Ontem o jornal estampou na capa: “No governo Lula, mais 82 mil servidores”. Como a maioria das pessoas não passa das manchetes, ou seja, não lêem a matéria completa, fica a impressão de que Lula inchou “indevidamente” a máquina pública que era tão “enxutinha” ao final do governo FHC. Entretanto, as pessoas que se dispuserem a ler a matéria completa terão uma surpresa, uma notícia altamente positiva para o país! “Maioria das contratações ocorreu na área de educação, com mais 49 mil servidores“. Não há o que criticar, portanto. Aumentou muito o número de professores e de profissionais da educação para as Escolas Técnica e Universidades.

ter – 18/01 – Ontem, segundo o blog Luis Nassif Online, o jornal O Globo na sua versão online publicou matéria com chamada em letras garrafais fazendo suposta denúncia de que a Cruz Vermelha de Teresópolis estaria sendo  impedida de trabalhar no socorro às vítimas pela prefeitura local. O Prefeito de Teresópolis, Jorge Mário é do PT. Ontem mesmo, à tarde, Valmir Moreira Serra, presidente nacional da Cruz Vermelha, em entrevista à rádio CBN, disse desconhecer qualquer problema entre a Cruz Vermelha e a Prefeitura de Teresópolis. Segundo o jornal O Globo, o atrito teria ocorrido anteontem, em Teresópolis. “As doações está sendo recebidas, ou seja, muitas das vezes, um atrito aqui, entre uma pessoa da prefeitura e a vontade de ajudar e um voluntário, acaba gerando uma notícia desse tamanho. Mas, até o momento, não nos chegou absolutamente nada.”, declarou Moreira Serra.

qua – 19/01 – Uma das principais metas do governo Dilma é levar internet de alta velocidade por um preço mais acessível a todos os domicílios brasileiros, afirmou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em participação na Campus Party 2011, considerada o maior evento de inovação, ciência, criatividade e entretenimento digital de todo o mundo, segundo o blog do Planalto. “No Brasil tem uma demanda crescente por serviços de internet em alta velocidade. Nós estamos trabalhando para que antes mesmo de 2014 o Plano Nacional de Banda Larga [PNBL] já tenha resultados visíveis”, afirmou o ministro.
No palco principal, ele falou sobre os desafios e acrescentou que uma das medidas que pode ser adotada pelo governo para ajudar na massificação da banda larga é a redução de alguns impostos que incidem sobre o serviço. Segundo ele, o governo federal e alguns estaduais já estudam essa possibilidade. Afirmou ainda que nos próximos meses o governo fará um grande arranjo institucional com todos os agentes envolvidos no PNBL. “Até o final de abril fecharemos os acordos para baratear o preço da internet proposto no plano. Uma das intenções é reduzir impostos”, disse.
A Campus Party, que é realizada pela quarta vez no Brasil, reúne na capital paulista 6,5 mil participantes vindos de países como Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, México, Portugal e Reino Unido, além do Brasil.
Por outro lado, “é importante falar que a internet não pode e nunca poderá ser uma ferramenta restrita, pois isso causaria um atraso enorme no desenvolvimento do país” assegurou Marcelo Saldanha em seu blog. “Quero citar o exemplo de uma rede onde a comunidade possa fazer uma vaquinha e montar seu provedor comunitário local e rachar a conta do link, que sem dúvida ficará mais barato que 35,00 por mês, e sem dizer que será uma rede do povo e não de uma empresa ou prefeitura.” E prossegue: “em nossos estudos vimos que a convergência das mídias para a rede é iminente e já sabemos o que uma mídia pode fazer e no caso da internet a coisa é simplesmente gigantesca, pois, é o único meio de comunicação de massas com interatividade.” E conclui: “Se deixarmos o PNBL fazer o papel dele como está hoje, qual a garantia que teremos depois que as redes de última milha nas cidades já estiverem formadas por empresas e prefeituras? Como fazer com que o povo, em cada comunidade, possa usar esta rede para fins maiores que o simples acesso a internet? Melhor, como garantir que as empresas e prefeituras abram estas redes, de forma gratuita, para que o povo possa usá-la para fins de controle social, debate sobre políticas públicas de relevância popular, reivindicações locais, criação de rádios e tvs comunitários on line, enfim usar a banda sem custos, para fins sociais e livre de restrições ou censuras?”

qui – 20/01 – Abro espaço para partes do artigo de Laerte Braga, hoje, no jornal O Rebate(www.jornalorebate.com.br): “Não existe estado em qualquer lugar do mundo que possa sobreviver, ao longo dos anos, a governadores como Chagas Freitas (dois mandatos), Moreira Franco, Marcelo Alencar, Anthony e Rosinha Garotinho e agora Sérgio Cabral.”

“A primeira lição que a tragédia nos traz é a da imperiosa necessidade de canais de participação popular, com caráter deliberativo, de fiscalização, para impedir que governos doem dinheiro público a fundações como a Roberto Marinho, disfarce, fachada de uma das maiores máfias do País. Ou legalizem a casa, em área proibida, de um apresentador de tevê – Luciano Huck – porque cliente do escritório de advocacia da mulher do governador.”

“Não se pode permitir que o projeto de “reconstrução” das cidades destruídas pelas chuvas fique restrito a prefeitos e vereadores (câmaras municipais são uma aberração, conselhos de cidadãos substituem-nas e dão representatividade real aos habitantes da cidade, de cada cidade). Do contrário vira uma festa de empreiteiras e todo o entorno dessas organizações criminosas, sob a batuta de prefeitos sem rumo e/ou corruptos.”

“Ou o povo das cidades atingidas, de todas as cidades brasileiras toma o destino de cada uma de suas cidades, nossas cidades, em nossas mãos, ou tudo vai continuar como farsa, se repetindo indefinidamente de tempos em tempos. E é assim que vamos construir uma política ambiental, que envolva saneamento, obras básicas de contenção de encostas, preservação de áreas que implicam riscos, nas cidades, nos estados e no Brasil. Do contrário, em breve, estaremos afogados nos “negócios” dos que ganham com tragédias como essa.”

Antonio Fernando

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