Os cem primeiros dias do governo Dilma – 4ª parte

De 21 a 25/01/2011


sex – 21/01 – O aumento de 0,5 ponto percentual na taxa Selic (10,75% para 11,25% ao ano), promovido pelo BC (Comitê de Política Monetária-COPOM) em sua primeira reunião sob o comando de Alexandre Tombini realizada ontem, provocou uma grita geral entre as centrais sindicais e expressões de descontentamento entre economistas e jornalistas. Altamiro Borges em seu blog chama atenção para o que ficou conhecido como o “tripé neoliberal da política macroeconômica, com juros elevados, arrocho fiscal e cambio flutuante” que o Brasil insiste em manter favorecendo a oligarquia financeira que, por sua vez, “ganha com os juros, com o superávit e com a libertinagem cambial” em detrimento da atividade industrial (competindo com o produto importado, principalmente o chinês) e com nossa pauta de exportação (produtos manufaturados, semimanufaturados e commodities). O economista José Carlos Braga prega o imediato fim do tripé do câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário. “É um triângulo de ferro mortal. A política cambial é homicida do nosso desenvolvimento… [O governo] tem que chamar a banca privada para negociar o seu engajamento num projeto nacional de desenvolvimento. Precisa dar um basta nessa moleza de ficar faturando com a dívida pública”.

Em seu blog, Eduardo Guimarães aponta como sendo o primeiro erro da Dilma e do governo federal como um todo deixar que a imprensa jogasse em si a culpa pelas desgraças que se abatem sobre vários municípios do Rio, por absoluta responsabilidade deles e dos governos estaduais, pois são as instâncias que podem atuar diretamente nas cerca de cinco mil cidades brasileiras. De que adianta o governo federal prometer um sistema de informações metereológicas para antecipar às populações anualmente atingidas pelas tragédias de que devem fugir se o que precisam não é uma estratégia para antecipar a ocorrência das calamidades e, sim, para impedir que ocorram?

O fato é que Estados e municípios não apresentaram ao governo federal projetos de maior envergadura contra os desastres anuais provocados pelas chuvas de verão. Aliás, é um mistério a razão pela qual essas administrações parecem ter se acostumado a esperar que as desgraças ocorram. Por razões políticas ou por prioridades diferentes das autoridades estaduais e municipais – sejam do partido que forem -, elas não consideram possível dar soluções imediatas às desgraças que as chuvas de verão causam todos os anos. Assim, continuam no mesmo passo de tartaruga de piscinões ou construção de casas populares fora de regiões de risco.

sab – 22/01 – Com informações da agência Reuters, de Zurique, o Correio do Brasil em seu número 4039, informou que os habitantes de economias emergentes estão muito mais confiantes sobre suas perspectivas financeiras do que os habitantes de economias avançadas, com 78% dos brasileiros otimistas em comparação a apenas 4% da população francesa. Dos 24 países pesquisados mensalmente pelo Ipsos Public Affairs, com cerca de 19 mil pessoas, os cidadãos do Brasil foram claramente os mais confiantes sobre a força da economia nos próximos seis meses. A Índia ficou em segundo lugar, com 61% de otimismo, seguida pela Arábia Saudita, com 47%, de acordo com a sondagem “Pulso Econômico do Mundo”, conduzida em dezembro. Depois de França, os países menos otimistas foram Japão, Hungria e Grã-Bretanha. Apesar da recuperação econômica, o gasto dos consumidores alemães continua baixo. O panorama da economia global será o principal tema na agenda do Fórum Econômico Mundial, em Davos, que acontece entre 26 e 30 de janeiro. No agrupamento por regiões, a mais otimista foi a América Latina, com 52%. As nações do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) registraram 50% de otimismo, enquanto Oriente Médio e África viram uma taxa de 32%. A Europa foi a região mais pessimista, com 16%.
O repórter Sérgio Pardellas, da Isto É online anotou: “A três dias da posse, sem fazer alarde, a presidente Dilma Rousseff sacou o telefone celular da bolsa e ligou para o presidente do PCdoB, Renato Rabelo. Na pauta da conversa, a candidatura do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara. Começava ali a operação comandada com mãos de ferro por Dilma destinada a mudar os rumos da eleição da Câmara, que prenunciava uma disputa fratricida de consequências imprevisíveis entre integrantes de partidos da base aliada ao governo. Desde então, os candidatos avulsos saíram, um a um, do páreo. Nos últimos dias, os parlamentares tiveram um aperitivo do que poderá vir a ser o relacionamento com a presidenta. Já os ministros aos poucos vão tentando se acostumar com o novo modelo de gestão. Logo nas primeiras reuniões, eles receberam determinações que podem soar desagradáveis para quem não está acostumado com o trabalho duro. Uma delas: agora, as sextas-feiras são consideradas dia de expediente normal. Não por acaso, a primeira reunião ministerial ocorreu na sexta-feira 14. Outra mordomia usufruída a torto e a direito pelos antigos ministros está expressamente proibida por Dilma. A partir deste mês, nenhum deles poderá usar jatinhos da FAB para desfrutar do fim de semana em seu Estado de origem.”

dom – 23/01 – Apostar na África pautou nossa política externa durante o governo Lula contrariando os “especialistas” a serviço da imprensa conservadora. Não sabemos o que dirão a partir de agora quando a revista britânica The Economist anunciou hoje que seis das dez economias que mais crescerão nos próximos cinco anos ficam na África Subsaariana. Angola aparece em primeiro lugar, seguida da China. Os outros africanos da projeção são a Nigéria, Etiópia, o Chade, Moçambique e Ruanda. Para todos eles, a estimativa é de crescimento anual médio de cerca de 8%. De acordo com a revista, as altas demandas da China por matéria-prima, junto com o alto preço das commodities tornaram o país asiático o maior parceiro comercial da África, superando a União Europeia e os Estados Unidos. Com o aumento de países em rápido crescimento, a África deve superar a Ásia em cinco anos. O Standard Chartered prevê crescimento anual de 7% para o bloco africano nos próximos 20 anos, mesmo com a maior economia – a África do Sul – crescendo menos que a média. De acordo com a revista, a Nigéria, maior exportadora de petróleo da África, pode ultrapassar os sul-africanos nos próximos 10 ou 15 anos.

Neste domingo o Correio do Brasil anunciou que já passam de 800 os mortos na Região Serrana do Rio e que as equipes de resgate ainda procuram cerca de 400 desaparecidos nas cidades atingidas pela tragédia, que deixou ao menos 15 mil desalojados e desabrigados. Com a profunda mudança na geografia dos municípios provocada pela avalanche de terra, autoridades locais já admitem dificuldades no resgate de todos os soterrados, o que nos leva a deduzir que o número de mortos deve alcançar algo próximo a 1300. Hoje também esse mesmo noticiário informou que em Santa Catarina cerca de 700 mil pessoas foram atingidas por fortes enxurradas que já provocaram a morte de 5 pessoas.

seg – 24/01 –  Segundo o blog do Planalto “o futebol entrou na agenda da presidenta Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto. A presidenta abriu espaço para um bate-papo com Marta, eleita pela quinta vez consecutiva a melhor jogadora de futebol do mundo. Após a audiência, a jogadora contou que a conversa serviu para que as duas pudessem trocar algumas informações sobre o futebol feminino no Brasil. Na conversa, Marta convidou a presidenta Dilma para ir a Alemanha, entre os dias 26 de junho e 17 de julho, assistir a participação da seleção feminina de futebol na Copa do Mundo de Futebol Feminino. A jogadora explicou que, mesmo não tendo confirmado “100%” a presença na competição, há expectativa de que a presidenta Dilma esteja presente num dos jogos. Segundo a atleta, tal fato seria importante para o grupo. Marta disse também que durante a audiência a presidenta perguntou sobre a trajetória da jogadora, de origem humilde do município de Dois Riachos, interior de Alagoas, até ser consagrada por cinco vezes a melhor jogadora de futebol de mundo.

ter – 25/01 –  Nesta terça o ex-vice-presidente da República, José Alencar recebeu uma homenagem no aniversário de 457 anos de São Paulo, na Câmara Municipal da cidade onde chegou em uma cadeira de rodas. A medalha concedida a Alencar foi entregue pela presidenta Dilma Roussef, que compareceu somente a este evento na capital paulista, antes de voltar a Brasília. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o vice-presidente da República, Michel Temer, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o prefeito Gilberto Kassab e o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, também compareceram à solenidade. Em seu discurso a presidenta Dilma além de “homenagear uma pessoa de tão profunda dimensão humana que todo o nosso povo aprendeu a respeitar, admirar e amar sem limites”, referindo-se ao ex-vice-presidente, enfatizou a necessidade de trabalhar junto com os governantes paulistas ainda que ambos pertençam a partidos de oposição. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também recebeu a Medalha 25 de Janeiro, mas não pode ficar para a cerimônia devido a um compromisso internacional.

Segundo Altamiro Borges em seu blog, “há algo de muito podre no ninho tucano. Até a mídia, que sempre protegeu a espécie, resolveu abrir o bico. Nos últimos dias, um festival de denúncias enlameia dois dos principais chefões do PSDB – o governador Geraldo Alckmin e o presidenciável derrotado José Serra. Por enquanto, o mineiro Aécio Neves trabalha em silêncio na sua tentativa de assumir o comando do partido. Primeiro foram as denúncias contra Paulo César Ribeiro, o Paulão, irmão da primeira-dama do Estado, Lu Alckmin. Ele chefiaria uma quadrilha que garfou licitações em prefeituras de São Paulo e de mais quatro estados para fornecer merenda escolar. Sob investigação do Ministério Público do Estado, ele é acusado de pagar propina e de financiamento ilegal de campanhas eleitorais.” Confirmando essa fala José Dirceu em seu blog assegura que o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) está com tudo pronto, estratégia traçada, homens e mulheres-chave a postos (a maioria na máquina de governo de Minas), em marcha batida para tomar, por enquanto, o controle nacional do PSDB. Depois, com o comando do partido em mãos, ser o candidato tucano a presidente da República em 2014 desalojando o rival, candidatíssimo, José Serra. Com o que já montou, Aécio Neves conta com uma verdadeira tropa de choque a partir de Minas. Os pontas de lança são o governador que elegeu, Antônio Anastasia (PSDB), que lhe deu a máquina do Estado, e a irmã, Andréa Neves, que foi mantida no governo mineiro, no comando da área social e que ela já tocou nos últimos 8 anos.

Antonio Fernando

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One Response to Os cem primeiros dias do governo Dilma – 4ª parte

  1. Entendo que ao governo não cabe bater boca com a imprensa. Não entendo por que, diante das constantes e sujas investidas da velha mídia contra o governo, seu partido, o PT, não sai em defesa de seus líderes maiores. Espero que se trate apenas de covardia, pois caso se trate de interesses, mais triste se torna o fato.

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