Os cem primeiros dias do governo Dilma – 10ª parte

28/02/2011

De 20 a 24/02/2011

dom – 20/02 – Completaram-se, ontem, 50 dias do governo Dilma, a metade portanto do período que alguns acreditam estabelecerão os contornos do desempenho do governante daí em diante. São os “100 dias de trégua” para que a turma nova que chega arrume as gavetas e comece a trabalhar. Se esse modismo vem de Wall Street ou da França de Napoleão pouco importa, pois de qualquer forma ainda é muito pouco para qualquer leitura definitiva sobre as escolhas de Dilma. Não me ocorre dar conselhos aos anjos, tampouco me deixar levar por truques da imaginação, apenas considerar a importância do assunto. Assim trago para cá, de um lado algumas das preocupações de analistas honestos e argutos quando se trata de comentar sobre o andar da carruagem e de outro, comentários considerados elogiosos, mas que podem conter armaldilhas mortais para o futuro político da presidenta. Como pano de fundo, o que disse Jane, a mãe da Dilma, que a maior qualidade da filha é a fidelidade, qualidade reiterada pelo seu ex-marido e pelas companheiras de prisão. Contrariando o modelo das postagens anteriores, vou inserir, a cada dia deste período, um ou mais desses “palpites”. Assim, começo com o jornalista Mauro Santayana que, à luz disso tudo, escreveu: “Seu perfil é de alguém que se dedica exaustivamente ao trabalho. É uma grande vantagem para quem chefia um governo, mas não basta para quem chefia um Estado democrático. Ela atendeu os grupos empresariais, ao convocar o industrial Jorge Gerdau para assessorar o governo. Espera-se que essa presença não venha a significar retorno do pensamento neoliberal na condução ideológica do Estado, como nos tempos de Fernando Henrique.”

seg – 21/02 – Já o, também jornalista, Rodrigo Viana, driblando aquilo que alguns querem fazer parecer o óbvio e evitando apontar para um arsenal de falsas maravilhas destaca: “Os primeiros sinais do governo Dilma indicam reversão da política ‘expansionista’ adotada no segundo governo Lula para enfrentar a crise. O ministro Mantega, da Fazenda, teve papel fundamental em 2009 e 2010, ao adotar um programa que – em tudo – contrariava a velha fórmula utilizada pelos tucanos em crise anteriores: quando o mundo entrou em recessão, com os EUA lançados à beira do precipício, o Estado brasileiro baixou impostos, gastou mais e botou os bancos estatais para emprestar (forçando, assim, o setor privado a também emprestar). O Brasil saiu bem da crise – maior, gerando emprego, e ainda distribuindo renda. Lula, quando falou em ‘marolinha’ naquela época, foi tratado como um néscio. E Mantega, ao abrir as torneiras do Estado, como um estúpido economista que se atrevia a rasgar a bíblia (neo) liberal. Lula pediu que o povo seguisse comprando. Os tucanos (e os colunistas e economistas a serviço do tucanato) diziam que era hora de ‘apertar os cintos’. Lula e Mantega não apertaram os cintos. Ao contrário: soltaram as amarras da economia, e evitaram o desastre.”

ter – 22/02 – Entretanto, o economista e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto (embora tenha servido à ditadura, nunca desistiu de pensar o Brasil futuro), em um texto na revista “Carta Capital”, foi fundo: “Não é preciso ser economista para entender uma coisa simples: cinco anos atrás, quando não se falava de desindustrialização, as condições importantes para o trabalho das indústrias eram as mesmas que são hoje. Qual é a única grande diferença entre o que tínhamos naqueles anos e o que temos hoje? É um câmbio extremamente valorizado por uma política monetária que mantém a taxa de juros brasileira no maior nível do mundo. O Brasil continua sendo aquele pernil com farofa à disposição do sistema financeiro internacional, mesmo fora da época das festas. Todas aquelas discussões não levaram a nada: só agora os mais sabichões começam a entender que a questão-chave que o Brasil tem de resolver não é um problema de câmbio; o que resolve é construir uma política monetária que, num prazo suportável, leve a taxa de juros interna ao nível da taxa de juros externa.”

Tal preocupação é também externada pelo economista Marcio Pochmann, presidente do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), quando, no final de 2010, entrevistado na “Record News” alertou que o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “FA-MA”. A “FA-MA”, segundo Pochmann, é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México). Ou seja: com câmbio desfavorável (por causa dos juros altíssimos que inundam o país com dólares), o “Brasil só conseguiria manter competitividade na agricultura, contentando-se com o papel de grande fazenda do mundo, a fornecer grãos e carne para chineses e europeus. Do lado da indústria, aconteceria algo parecido ao que ocorreu no México, depois de assinar o Nafta, tratado de livre comércio com EUA e Canadá. A indústria mexicana foi dizimada. Quase tudo vem pronto de fora, e o México mantem apenas ‘maquiladoras’ para fazer a ‘montagem’ final dos produtos (aproveita-se, pra isso, a mão-de-obra barata do país).”

qua – 23/02 -Mas entre os comentaristas de blogues, embora ainda pareçam essa almas que sussuram na escuridão, há quem deixe entrever, como a articulada Sônia Montenegro, que o tal andar da carruagem está adequado: “Como aconteceu com o Lula, o 1º ano foi de sacrifício. No caso dele, em circunstâncias muito mais graves por conta da herança maldita do FHC, mas no caso dela, também para dar uma nova organização na economia, por conta das providências corretamente tomadas pelo governo Lula para transformar a monumental crise mundial em marolinha. Bom lembrar que a Dilma estava no governo e concordou com todas as ações e ainda manteve o Mantega no controle da economia.”

Contudo, quem mais parece estar desorientada com o governo Dilma não é ninguém mais do que a nossa “grande imprensa”. Seus colunistas e comentaristas vivem momentos difíceis, como se encurralados numa neblina de pesadelo da qual tentam se livrar com saídas cômicas (a retirada do Cristo e da Bíblia do gabinete, o emprego do termo presidente ou presidenta, a presença correta da foto colorida na galeria do Planalto, etc.), bem ao sabor das parcelas das classes média e alta que ainda a lê. A raiz de seus problemas é que não sabem como lidar com Dilma. Quem nos assegura isso é o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi que, seguindo adiante, escreveu: “Achavam que Dilma seria uma cópia carbono de Lula. Piorada, naturalmente, pois sem sua facilidade de comunicação e carisma. Estava pronta a interpretação do novo governo: na melhor das hipóteses, uma repetição sem brilho das coisas que conhecíamos. Para quem, como nossos bravos homens e mulheres da ‘grande imprensa’, achou que o governo Lula havia sido uma tragédia, o de Dilma seria uma farsa.” E, num golpe final, põe por terra os que imaginaram que ela nada mais seria do que uma reencarnação do anterior: “Dá-se o caso que, neste início de governo, Dilma os surpreendeu. Exatamente naquilo que menos esperavam: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela.” Os ministros que escolheu “são ministros dela e não ex-ministros de Lula.”

qui – 24/02 – Nesse cenário, onde não estamos na plateia de um teatro de sombras, mas de uma confrontação real, nossa grande imprensa ainda recorre a um punhado de analistas quase idênticos, tidos como “especialistas”, que não raro acenam para uma perspectiva celestial e faustosa, rendendo elogios apenas ao fato de d. Dilma ter feito poucos discursos, e mesmo assim, bem menos carregados de retórica e de componentes ideológicos quando comparados com os do seu antecessor. E ainda, por exibir um perfil bem mais discreto do que Lula, voltando-se com mais frequência a questões administrativas, de natureza interna, “institucional” e “organizacional” do que aos palanques ou à exposição pública, que ficaria por conta dos ministros. Outros vaticinam que os conflitos entre o PT e o PMDB na busca por cargos e espaço político, vão se constituir num sofisticado desafio para a capacidade de articulação política da presidenta. Outros mais, e da mesma maneira, enaltecem as marcas distintas que Dilma vem exibindo, ora mais voltada para os direitos humanos, notadamente na cena internacional, ora brandindo a tesoura de um “gerente financeiro” que, sempre que for preciso, não pensará duas vezes em determinar um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, nos moldes deste de 2011, como se tivesse carregando os pecados do seu antecessor. Alardeiam até que a popularidade dela já teria alcançado algo em torno de 50%, mimando-a como se ela fosse o primogênito de um sultão.

Diante daquilo que imagino conter doses superlativas de farisaismo fico com o que escreveu o mesmo Mauro Santayana do início. É ele quem adverte – e com um certo ar de preocupação e juízo de sobra: “A melhor advertência à conduta governamental é o contato direto com a população, e não somente mediante as informações dos ministros.” Digo então: se algo não saiu bem nesses 50 dias iniciais do governo Dilma destaco esse quesito. Tomara que ela ouça as vozes da terra, argila e matriz dos personagens dos nossos sonhos e que esse “tecnicismo gerencial conservador” que a prendeu nos gabinetes não prospere, como pareceu realçado nas primeiras decisões do governo dela. Como escreveu Rodrigo Viana: “Não é à toa que a velha imprensa derrama-se em elogios à nova presidenta, tentando abrir entre Dilma e Lula uma ‘cunha’, como a dizer: Lula era o populismo ‘atrasado’ e ‘irresponsável’, Dilma é a linha justa (discreta, moderada, a seguir a velha fórmula liberal de gestão).” Longe de querer sugerir uma peregrinação ao passado e sem uma gota de hesitação afirmo: d. Dilma não seja dura e quadrada como um esquimó, ao contrário exiba o frescor de gente que confia na vida e na população humilde e trabalhadora deste país, prudência lógica para não arruinar o lado saudável do legado de Lula e otimismo desafiante para encarar o futuro. E isso é tudo, afinal ainda estamos tratando de meros 50 dias.

Antonio Fernando

Anúncios

Os cem primeiros dias do governo Dilma – 9ª parte

26/02/2011

 

De 15 a 19/02/2011

ter – 15/02 – Pensando na Educação. Hoje o Correio do Brasil anunciou que “as redes públicas dos 5.565 municípios brasileiros começaram o período letivo deste ano com 100% de implantação do ensino fundamental de nove anos. Isso significa que crianças de seis anos de idade têm matrícula assegurada no primeiro ano do ensino fundamental público, conforme determina a Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. De acordo com a secretária de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda, a universalização da matrícula aos seis anos é uma conquista, especialmente para as famílias das classes populares ou carentes que eram as que tinham as menores possibilidades de conseguir vagas para os filhos. Para a coordenadora do ensino fundamental da SEB, Edna Martins Borges, o ingresso das crianças aos seis anos representa uma ampliação do direito à educação.”

qua – 16/02 – Há um zum-zum-zum diário relacionado com “a decisão da presidenta Dilma Rousseff de promover um corte cirúrgico de 50 bilhões no Orçamento da União”. Segundo Altamiro Borges, em seu blog, isso “confirma que os tecnocratas neoliberais estão com a bola toda no início do novo governo. Eles já bombardearam a proposta de aumento real do salário mínimo, aplaudiram a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros e, agora, festejam os cortes nos gastos púbicos. Tudo bem ao gosto das elites rentistas e para delírio da mídia do capital, que agora decidiu bajular a nova presidenta.” E conclui em tom de inquietude: “Como se observa, as perspectivas no início do governo da presidenta Dilma Rousseff são preocupantes. Há indícios de que as velhas teses ortodoxas voltaram a ganhar força no Palácio do Planalto, sob o comando do ministro Palocci. Na prática [isso] evidencia a força da ditadura financeira no Brasil. Esta opção, porém, não tem nada de racional sob o ponto de vista dos trabalhadores. Foram exatamente as medidas heterodoxas de estímulo ao mercado interno, adotadas no segundo mandado de Lula, que evitaram que o país afundasse na crise mundial que abala o capitalismo desde 2008. Nas eleições de 2010, o povo votou na continuidade e no avanço daquele modelo econômico de desenvolvimento e não na regressão à ortodoxia neoliberal.”

É a jornalista Jussara Seixas quem escreve: “Em meio ao anunciado corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, o governo federal colocou hoje à disposição das 24 maiores cidades do país R$ 18 bilhões a serem distribuídos para bancar a realização de obras de infraestrutura de transportes públicos, como linhas de trens e metrôs, por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)Mobilidade Grandes Cidades. Os municípios, todos com mais de 700 mil habitantes foram divididos em três grupos, de acordo com sua população. Eles terão até o dia 3 de abril para apresentar projetos a serem analisados pelo governo. A divulgação dos projetos selecionados deverá acontecer até o próximo dia 12 de junho, segundo o governo.”

qui – 17/02 – Mas é bom que Emir Sader venha à tona e, em seu blog, coloque o tom adequado ao debate: “O acerto das contas publicas se faz na lógica do compromisso do governo da Dilma de estabelecimento de taxas de juros de 2% ao final do mandato, alinhadas com as taxas internacionais, golpeando frontalmente o eixo do principal problema econômica que temos: as taxas de juros reais mais altas do mundo, que atraem o capital especulativo. A negociação do salário mínimo se faz com o apoio do Lula. A intangibilidade dos investimentos do PAC já tinha sido reafirmada pelo Lula no final do ano passado.”

A mídia tradicional não dorme. E para manter suas artimanhas sempre vivas na cabeça, é o mesmo Emir Sader que nos alerta: “O esporte preferido da mídia é fazer comparações da Dilma com o Lula. Sem coragem para reconhecer que se chocaram contra o país – que deu a Lula 87% de apoio e apenas 4% de rejeição no final de um mandato que teve toda a velha mídia contra – essa mídia busca se recolocar, encontrar razões para não ser tão uniformemente opositora a tudo o que governo faz. O melhor atalho que encontraram é o de dizer que as coisas ruins, que criticavam, vinham do estilo do Lula, que Dilma deixaria de lado. Juntam temas de política exterior, tratamento da imprensa, rigor nas finanças públicas, menos discurso e mais capacidade executiva, etc., etc. Como se fosse um outro governo, de outro bloco de forças, com linhas politica e econômica distinta. Quase como se a oposição tivesse ganho. Ao invés de reconhecer seus erros brutais, tratam de alegar que é a realidade que é outra. A velha mídia busca pretextos para falar mal de Lula, no elogio a Dilma, tentando além disso jogar um contra o outro. A mesma imprensa que não se cansou de dizer que ela era um poste, que não existiria sozinha na campanha sem o Lula, etc., etc., agora avança na direção oposta, buscando diferenças e antagonismos onde não existem.”

sex – 18/02 – Os velhos jornalões “O Globo” e “Estadão” continuam em sua cruzada. Visam derrubar a qualquer preço a popularidade de Lula. Nunca antes na história deste país, os jornais chegaram ao ridículo de escalarem uma reportagem para espionar a hospedagem de um ex-presidente em um hotel. Mas sequer reportagem fizeram. Inventaram uma mentira despudorada. Os jornalões já começaram mentindo descaradamente ao dizer que a menor diária no hotel é R$ 2.785,00. Basta uma rápida consulta na internet para desmentir, pois existem diárias de R$ 695,00. Quem nos informa é o blog Amigos do Presidente Lula, que prossegue: “É um valor alto para o poder aquisitivo da maioria dos brasileiros, mas hotéis no Rio são mesmo caros nesta época de verão. Os mais baratos nos principais bairros da orla são próximos a R$ 300,00.” E finaliza: “nunca vi o Globo, o Estadão e companhia, se interessarem pelo hotel, nem pelo custo da diária, dos lugares onde se hospeda o ex-presidente FHC em Genebra, em Madri, em Nova York, Barcelona, em Paris… opsss…, em Paris o ex-presidente tucano é o feliz proprietário de um apartamento próprio na Av. Foch, endereço acessível apenas a milionários ou governantes corruptos.”

sab – 19/02 – Parece coisa do “reino de Avatar”, mas não, está ocorrendo no Acre. Tudo porque, quanto mais fusos horários exisitirem no Brasil, mais trabalheira será exigido das emissoras de TV para adaptar suas transmissões aos diferentes fusos horários vigentes no País em função da classificação indicativa dos programas. O que as emissoras alegam é que custo disso é alto, além de causar prejuízos com a queda de anunciantes. Só que não combinaram isso com a população que num referendo em 2010 decidiu que o Acre, sim, deveria manter o quarto fuso horário do território brasileiro (o primeiro é na ilha de Fernando de Noronha), ou seja, duas horas a menos do que a hora de Brasília. Ocorre que a ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão) – Rede Globo e Rede Amazônica de Televisão a frente – até agora não se conformou com o resultado. É o Altino Machado, que em seu blog da Amazônia, completa a informação assegurando-nos que, tendo o tal referendo sido homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), estava decidido a assinar Ato Declaratório reintegrando o Acre à faixa de fuso horário aprovada pela população. Foi quando entrou em cena a força do lobby da Abert, transferindo a decisão para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o senador Sérgio Petecão (PMN-AC) foi escolhido como relator. Quando tudo ia ser finalmente decidido no último dia 16/02, a favor da população do Acre, cancelaram a reunião do CCJ, levando o senador Petecão, após receber na quinta-feira (17/02) representantes da Abert, a exclamar:
– Nunca imaginei que esse assunto envolvesse um jogo tão pesado. Até o senador Eduardo Braga já telefonou para mim, a pedido do empresário Phelippe Daou, da Rede Amazônica.
Talvez seja oportuno perguntar se não teria sido esse um dos motivos pelo qual o então senador Tião Viana (PT-AC) – autor de Lei 11.662 contrária ao desejo da população e que pretendia atender a ABERT alterando o fuso horário do Acre, mas que não vingou – quase não se elege governador.

Antonio Fernando


Os cem primeiros dias do governo Dilma – 8ª parte

22/02/2011

 

De 10/02 a 14/02/2011

qui – 10/02 – Quem nesta quinta-feira nos chama atenção é Laerte Braga: “A crise no Egito traz essa lição para os países da América Latina, alvo de Barack Obama (o branco disfarçado de negro) e o Brasil é o objetivo principal. Por ser um país de dimensões continentais, a maior potência econômica da região é estratégico para o conglomerado. As características neoliberais do governo Dilma Roussef e um chanceler sem nenhuma expressão, dócil aos interesses dos EUA, devem servir para acender a luz laranja entre as forças populares do País. As políticas de estratégia e segurança nacional serão formuladas por Moreira Franco, assaltante de cofres públicos que substituiu Samuel Pinheiro Guimarães (pensador respeitado em todo o mundo), por conta das pressões de Washington.” E prossegue: “O dilema do Brasil é simples aos olhos de Washington. Ou aceita as regras, ou é considerado inimigo e fica fora do Conselho de Segurança da ONU (a ditadura das grandes potências na Organização).”

“Dilma está bonita. O poder lhe fez bem. E seu gestual demonstra ter sido estudado e construído milimetricamente. Cada sorriso, cada franzir de cenho, cada arquear de sombrancelhas se coadunam com vestimenta, luz e cenário.” Essas expressões de entusiasmo partiram do Eduardo Guimarães, tão logo se encerrou o primeiro pronunciamento à nação depois da posse, em rede nacional de rádio e TV, da presidenta Dilma Rousseff e ainda mais quando ela destacou que “a luta mais obstinada do meu governo será o combate à miséria”, conforme ele postou em seu blog. Tendo como tema central a educação, a presidenta Dilma lembrou, no início do pronunciamento, o período de volta às aulas vivido no Brasil. Partindo deste ponto, a presidenta frisou que estava diante da sociedade “para reafirmar o meu compromisso com a melhoria da educação e convocar todos os brasileiros e brasileiras para lutarmos juntos por uma educação de qualidade”. “Vivemos um momento especial de nossa história. O Brasil se eleva, com vigor, a um novo patamar de nação. Temos, portanto, as condições e uma imensa necessidade de darmos um grande salto na qualidade do nosso ensino. Um desafio que só será vencido se governo e sociedade se unirem de fato nesta luta, com toda a força, coragem e convicção.”

O Brasil ainda está longe de atingir uma situação de pleno emprego. A afirmação é do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann ao apresentar, nesta quinta-feira, em Brasília, um comunicado em que os técnicos do Ipea identificam que o desemprego entre os 20% mais pobres do país cresceu desde 2005. Para ele, mesmo tendo criado cerca de 15 milhões de postos de trabalho entre os anos de 2003 e 2009 e atingido a menor taxa de desemprego (5,3%) desde março de 2002, o enorme contingente de pessoas sem trabalho entre a população mais pobre indica a necessidade de políticas públicas que permitam aos menos favorecidos se beneficiar do crescimento econômico.

sex – 11/02 – Como em toda cana-de-braço especula-se à vontade e fazem-se as apostas. De um lado Dilma Roussef em sua primeira batalha política, do outro as centrais sindicais e os partidos derrotados na eleição de outubro passado. O alvo é o novo salário mínimo. O governo propõe R$ 545,00, Paulo Paim, R$ 560,00, as centrais R$ 580,00 e os derrotados R$ 600,00. Claro está que estes últimos – embora tenham imposto um arrocho no salário mínimo nos oito anos de FHC – mal conseguem disfarçar que agora querem apenas impor um constrangimento a Dilma desencavando a proposta demagógica e eleitoreira do Serra, no esforço de criar antipatia entre a presidenta e a base social conquistada pelo PT nos últimos oito anos. Tudo bem, faz parte do jogo, porém por trás da posição dos tucanos o que interessa de fato é – com um salário mínimo maior -, forçar um maior ajuste fiscal e assim diminuir a margem de investimentos do governo, reduzindo o papel do Estado na economia, os investimentos na área de infra-estrutura e na área social, o que, no frigir dos ovos significa menos votos em 2012/14. Já os movimentos sociais, de braços dados com as centrais, têm mais é que demonstrar uma posição firme, saudável e recomendável de autonomia dos trabalhadores em relação ao governo. Seus horizontes são outros, nada de ajuste fiscal e sim a mudança da política econômica, com o fim do superávit primário e a queda drástica dos juros, que drenam o orçamento da União para o pagamento de juros dos títulos da dívida pública, beneficiando apenas os bancos, a especulação do mercado financeiro e os setores rentistas. Esses são apenas alguns dos mais evidentes interesses escondidos por trás do debate do salário mínimo e cujo segundo “round” já aguarda o desfecho deste, a disputa em torno da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Ele está bombando. Sim, o “programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), lançado em 2009 com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no Brasil, superou a meta de financiar um milhão de moradias e atingiu a marca de 1.005.028 unidades habitacionais. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (11/2) pela Caixa Econômica Federal, agente operadora do programa. Somente em 2010 foram R$ 37,4 bilhões destinados ao programa do governo federal, beneficiando 639.983 famílias. Do total de moradias contratadas, 936.508 contaram com a intervenção direta do banco estatal, com investimento de R$ 51,31 bilhões. Entre as unidades financiadas no ano passado, desconsiderados os consórcios, repasses e o programa Pró-Moradia, 59% foram destinadas a pessoas na faixa de renda de até seis salários mínimos, onde se encontra o maior déficit habitacional. O Minha Casa, Minha Vida 2 foi lançado em dezembro de 2010 e tem a meta de construção de 2 milhões de unidades habitacionais até 2014.” (do Blog do Planalto)

sab – 12/02 – Do Portal Terra nos vem a notícia: o ministro de Defesa, Nelson Jobim, pretende assinar na próxima semana uma declaração conjunta com o ministro da Defesa argentino, Arturo Puricelli, sobre a relação bilateral na área militar, informaram neste sábado fontes oficiais. Os ministros se reuniram em 31 de janeiro durante a visita da governante brasileira a fim de avançar na agenda bilateral. Dilma e a presidente argentina, Cristina Kirchner, assinaram naquela ocasião 14 acordos de colaboração em áreas como energia nuclear, bioenergia, infraestrutura, agricultura, medicamentos, tecnologia e promoção de igualdade de gênero.

dom – 13/02 – O estrago foi maior do que se imaginava. O Correio do Brasil deste domingo informa que “a vitória da petista Dilma Rousseff, nas últimas eleições, vem causando a dissolvição dos partidos que representam a direita no país. Apenas alguns dias após o encerramento das eleições, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) já anunciava sua disposição de deixar a legenda, dominada por setores da ultradireita, que mingua no Congresso e nas administrações estaduais, com um reduto cada vez mais concentrado em Santa Catarina e Paraná, na Região Sul do país. Kassab estuda a possibilidade da formação de uma nova legenda, o Partido da Democracia Brasileira (PDB). Agora, chega a vez do candidato derrotado à Presidência da República José Serra (PSDB) buscar seu destino político fora do ninho tucano, tendo em vista o crescimento do senador mineiro Aécio Neves.”

seg – 14/02 – Marcelo Migliaccio, do JB Online acertou no tom exato quando abordou o tratamento que a mídia deu à despedida do jogador Ronaldo “Fenômeno”: “Ontem, gordo; hoje, mito.” E prossegue: “Derrotado pelo tempo, ele anunciou o fim da carreira. Enquanto teve velocidade, foi um ótimo jogador, mas nada de fenômeno. Esse título foi uma invenção de marketing, para que sua idolatria planetária gerasse bilhões de dólares. Tratam Ronaldo como um mito, um fenômeno, mas ontem ele era o gordo que teimava em continuar jogando para enterrar o time do Corinthians. Astros da maledicência, esses jornalistas chegam a faltar com o respeito em suas críticas recalcadas. Lembram-se com o episódio do travesti? Quase pregaram o craque na cruz. Hoje, ex-jogador, ele é um exemplo de ser humano e de pai de família para os mesmos repórteres que expõem situações privadas com a justificativa de que trata-se de uma pessoa pública. Agora, o sucesso de Ronaldo não os incomoda mais.” Por extensão, poderíamos até dar tratos à bola: e o sucesso do ex-presidente Lula, ainda incomoda alguns jornalistas?

Antonio Fernando


Os cem primeiros dias do governo Dilma – 7ª parte

12/02/2011
De 05 a 09/02/2011


sab – 05/02 – Ao mesmo tempo em que explode a revolta no Egito, Mair Pena Neto, no blog O Terror do Nordeste, comenta: “Qualquer cidadão brasileiro que se informe pelos tradicionais meios de comunicação, principalmente a televisão, tem opinião formada, e contrária, naturalmente, a Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro. Eles fazem parte do “eixo do mal” que os Estados Unidos difundiram aos quatro cantos, contando com a docilidade da imprensa que lhe serve de porta-voz. Evo Morales também está nesse grupo, assim como estava Nestor Kirchner até que sua morte levou uma multidão de argentinos às ruas, mostrando que o povo tinha entendido e apoiado integralmente sua política, que recuperou a Argentina do desastre neoliberal que a levou ao fundo do poço.” E prossegue:

“Lula seria outro a integrar o grupo dos vilões. Nesse caso, nem foi preciso orientação norte-americana. Os meios brasileiros tentaram destruí-lo durante oito anos, mas não conseguiram. Mantiveram-se num combate sem tréguas a um líder que o povo consagrava e que deixou o governo com o mais alto índice de popularidade da história. Até em sua saída, Lula poderia recorrer ao bordão que criou de que “nunca na história desse país” um governante foi tão popular apesar de toda a oposição midiática. Os mesmos que conhecem e condenam Chávez e Evo jamais ou pouco tinham ouvido falar de Hosni Mubarak, o ditador egípcio há 30 anos no poder com base num regime brutal e corrupto. Os Estados Unidos funcionam assim: aos inimigos, a condenação permanente. Aos aliados, olhos fechados. O Irã é brutal porque condena pessoas ao apedrejamento. A Arábia Saudita, que tem formas semelhantes de condenação, não merece uma linha de condenação.”


dom – 06/02 – “É imensamente simbólico e representativo o fato de Dilma Roussef ter escolhido a Argentina como o primeiro país a ser por ela visitado na condição de Presidenta do Brasil. Foi uma visita impregnada de significados que, explícitos ou não, possuem grande transcendência e merecem um olhar de atenção”, foi o que nos assegurou, neste domingo, o blog Direto da Redação. E prossegue numa linha que aponta para uma nova era em nossas relações com os argentinos: “Na verdade, porém, somente na cabeça dos fanáticos pelo futebol é que se devem alimentar ódios e animosidades entre Brasil e Argentina,  países que, no plano geopolítico, têm muito mais o que os possa irmanar do que aquilo que eventualmente os separe. Abstraindo-se uma ou outra questiúncula comercial, nossos interesses são comuns, nossas aspirações também, e são iguais as nossas dores, como de resto as de todos os países do continente sul americano. E as relações entre esses países de identidade regional deve mesmo constituir prioridade absoluta do Governo.”
A manchete do jornal O Globo deste domingo é bem reveladora de uma postura que a grande mídia vem adotando no sentido de escancarar as diferenças de estilo entre o do ex-presidente Lula e o da atual Dilma. Não à toa. Realçando os gestos comedidos, a pouca afeição aos microfones e a consequente continência no frequentar palanques para os discursos como fazia Lula, quando aproveitava para disparar críticas a torto e a direito contra as elites e os poderosos, tudo tão ao sabor do povão, seu público preferencial, pois bem, essa mesma imprensa utiliza-se dessa comparação no esforço de desconstruir essa imagem supostamente vulgar, raivosa e populista, taxando-a como “inadequada” a um primeiro mandatário. O que na verdade pretendem com isso? Fazer crer a Dilma que ela, como mais “educada” e “preparada” deve manter o recato, nada de discurseiras nem de colocar bonés ao lado de movimentos sociais. Se a presidenta aceitar esse embuste, esse comportamento distanciado do sal e do suor que legitimam as lideranças sustentadas por políticas públicas voltadas para os menos aquinhoados, estará entregando a sopa e o mel à grande mídia. Estará reforçando o discurso midiático e contribuindo para no coração do povo e aos poucos Lula vá sendo desqualifcado, para que até 2014 já não tenha mais tanta aprovação popular. Contando então com menos cacife será mais difícil pensar em sua volta ou até mesmo para apoiar uma possível reeleição de Dilma. Ela própria, então distanciada de suas bases populares, trancada em gabinetes ainda que promovendo ações voltadas para os menos favorecidos e os promova em pronunciamentos na TV, lhe faltará o contato direto, presencial junto ao eleitor, a fala em platéias, em eventos populares que marcam de forma indelével a proximidade dos líderes com seu povo.


seg – 07/02 – Hoje, às 6:00h, foi a estreia do “Café com a Presidenta” – agora em novo formato -, um instrumento, segundo Luis Nassif, utilizado pelos últimos presidentes para chegarem em todos os rincões do país e popularizarem seus governos. Para diferenciar do formato anterior usado pelo ex-presidente Lula e ter a cara de Dilma, as vinhetas foram trocadas e as chamadas no rádio agora são feitas por uma locutora. No programa de estreia Dilma abordou a distribuição gratuita de remédios para diabetes e hipertensão. A presidenta lembrou que essas são duas das doenças que mais matam no Brasil. Ela vê o acesso aos tratamentos de saúde e a melhoria das condições de vida da população como parte do combate à miséria. No programa de rádio Dilma responde a perguntas de ouvintes de todo país.

ter – 08/02 – A partir desta terça-feira, quando junto com o “Café com a Presidenta” assinalam o fim de seu “período de reclusão”, a presidenta Dilma estreia uma coluna semanal em cerca de 170 jornais brasileiros credenciados, chamada “Conversa com a Presidenta”, espaço onde ela responderá semanalmente perguntas enviadas por leitores de jornais cadastrados. Até agora, 170 veículos se cadastraram junto à Secretaria de Imprensa da Presidência da República, sendo 104 de veiculação diária, sete bissemanais, dois trissemanais e outros 57 semanais, quinzenais ou mensais. Uma das publicações circula nos Estados Unidos, segundo o blogue do Planalto.

qua – 09/02 – Embora a grande mídia não tenha dado destaque cerca de 80% dos brasileiros que já utilizaram os serviços do Saúde da Família, proporcionado pelo SUS, o consideram bom ou muito bom, enquanto que a distribuição gratuita de medicamentos alcançou 70% de satisafação e o atendimento prestado por especialistas chegou a 60%. Foi o que revelou hoje a pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre a percepção da população sobre a qualidade dos serviços prestados pelo SUS em 2010. É importante ressaltar também que entre os que nunca recorreram ao SUS, 34% classifica os serviços como ruins enquanto que quem já o utilizou, 30% tem avaliação positiva e 28% negativa. Para os pesquisadores isso ocorre porque quem usou o serviço tem sua própria experiência como referência enquanto ao demais formaram opinião através do relato de outrem ou dos informes da mídia. Em uma avaliação geral, 42% dos entrevistados considera os serviços regulares enquanto 29% os considera bons e outros 29% os avaliam como ruins. O que se evidencia portanto e que chama a atenção é o fato de que, provem de quem nunca utilizou o serviço ter a pior avaliação sobre ele.

Antonio Fernando

Os cem primeiros dias do governo Dilma – 6ª parte

05/02/2011

 

De 31/01 a 04/02/2011

seg – 31/01 –  Embora a carta que a presidenta Dilma enviou ao presidente italiano Giorgio Napolitano, no último dia 24/01 informe que caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) se “manifestar” sobre a decisão do ex-presidente brasileiro, negando a extradição ao Cesare Battisti e, com a qual ela está plenamente de acordo, O Globo do dia 28/01 anunciou que a decisão final sobre essa extradição “caberá” ao STF, confundindo e fraudando o teor da referida carta.

Também no último dia 28/01, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu seu primeiro título de doutor honoris causa, concedido pela Universidade Federal de Viçosa, cidade mineira distante 230 quilômetros de Belo Horizonte. A honraria entregue pela reitora Nilda de Fátima Ferreira Soares permite que o ex-presidente seja tratado da mesma forma como os que obtiveram doutorado acadêmico. A solenidade contou com a presença de aproximadamente seis mil pessoas. Segundo afirmou Lula na ocasião, “foi o 4º diploma que recebeu em sua vida: o primeiro foi o do primário, o segundo foi o do Senai, o terceiro diploma, o de presidente da República e o quarto, de doutor honoris causa, aqui da Universidade Federal de Viçosa.” Na ocasião o ministro da Educação, Fernando Haddad, conversou com a imprensa e contou que é a primeira vez que Lula recebe o título. “O presidente disse que não aceitaria o título como presidente, apenas quando deixasse o cargo”.

A presidenta Dilma Rousseff chegou nesta segunda-feira à Argentina acompanhada de uma comitiva de ministros para uma reunião de trabalho com a presidenta argentina, Cristina Kirchner. Cumpriu uma extensa agenda de assuntos que vão desde uma parceria para construção de casas populares baseada na experiência brasileira do Minha Casa, Minha Vida até uma outra, dessa vez para construção de dois reatores nucleares de pesquisa. Esta é a primeira viagem internacional de Dilma, que ainda abordou questões relacionadas com a ampliação de projetos conjuntos nas áreas de energia elétrica, de projetos de desenvolvimento social e também de tecnologia digital e investimentos no setor de mineração. Na oportunidade ela teve um encontro com um grupo de senhoras pertencentes às Mães e Avós da Praça de Maio que há 33 anos lutam para encontrar filhos e netos desaparecidos durante a ditadura argentina. A presidenta da Associação das Avós da Plaza de Mayo, Estela de Carlotto, disse que teve uma conversa “de mulher para mulher” com a presidenta do Brasil, e irá compartilhar com ela experiências da luta contra a ditadura militar. – Compartilhamos com ela a história de seu país, ela que foi vítima da ditadura militar brasileira e sabe o que fala quando o tema é direitos humanos. Dilma fez a gentileza de pedir o encontro e dividimos com ela nossas histórias de vida, de luta, de busca da verdade – disse Estela De Carlotto.

ter – 01/02 – A repórter da Agência Brasil, Priscilla Mazenotti informou que os deputados empossados hoje na Câmara Federal formaram cinco blocos partidários sendo que o maior deles é o governista com 257 deputados, o que significa maioria absoluta na Casa. Esse bloco é formado pelos principais partidos da base de apoio ao governo: PT, PMDB, PP, PDT, PSC e PMN. O DEM e o PSDB, com 96 deputados, formam o bloco de oposição. Em outro bloco, com 71 parlamentares, estão o PTB, o PcdoB e o PSB. Os chamados partidos nanicos – PR, PRB, PTdoB, PHS, PRTB, PRP, PTC e PSL – constituíram o quarto bloco, com 60 deputados. Com 26 deputados, o PV e o PPS foram o quinto bloco. O P-SOL, que tem três deputados, não participará de bloco algum. José Sarney foi eleito pela quarta vez Presidente do Senado.

Segundo o Correio do Brasil, a presidenta do grupo Tortura Nunca Mais (seção Rio de Janeiro), Cecília Coimbra, tem expectativa de que o encontro de Dilma Rousseff, em Buenos Aires, com militantes das organizações não governamentais (ONGs) Mães e Avós da Praça de Maio estimule o governo brasileiro a investigar crimes contra os direitos humanos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) e fazer as reparações a vítimas e familiares de desaparecidos. – Espero que essa agenda possa atualizar as marcas que ela (a presidenta da República) traz – disse Cecília em referência ao fato de Dilma Rousseff ter atuado na resistência contra a ditadura e ter sido torturada e encarcerada por “subversão”, no Presídio Tiradentes, em São Paulo, entre 1970 e 1972. Segundo Cecília, o Brasil, diferentemente da Argentina, é um “país atrasado” na apuração de crimes e reparações. Em entrevista publicada neste final de semana (30/01) na imprensa argentina, a presidenta Dilma Rousseff fez transparecer que seu governo será engajado na defesa dos direitos humanos. O encontro com as Mães e Avós da Praça de Maio, a pedido de Dilma, seria mais um sinal nesse sentido.

qua – 02/02 – Diante do Congresso a presidenta Dilma reafirmou seu compromisso para a erradicação da miséria no país convocando todos para trabalharem em conjunto em torno de um “pacto de avanço social”, que implica em apoiar medidas desenhadas pela equipe do governo para fortalecer a autonomia das famílias carentes, dentro do conceito de inclusão produtiva ou seja capacitando os beneficiários das políticas, para que possam seguir de forma autônoma no processo de inserção no mercado. Repetindo um gesto de seu antecessor, fez questão de estar presente à cerimônia de abertura da nova legislatura.

qui – 03/02 – Segundo uma avaliação bem-humorada da própria presidenta Dilma Rousseff feita hoje, seu primeiro mês de governo foi de “muito trabalho”, garantindo aos jornalistas presentes que isso foi apenas uma breve indicação do que virá pela frente. Na ocasião ela saía de uma cerimônia, na qual junto com o ministro da saúde, Alexandre Padilha, acabara de anunciar a gratuidade de medicamentos para todos os portadores de diabetes e hipertensão e assim cumprindo, um mês após sua posse, uma promessa de campanha e colocando em prática a política de seu governo de distribuição de renda.

sex – 04/02 – Conforme denuncia o jurista Fábio Konder Comparato, hoje o Brasil completa dois meses em que foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, no caso conhecido como “Guerrilha do Araguaia”. A nossa grande mídia insiste em fazer de conta de que nada temos a ver com isso e, assim, “limitaram-se a noticiar o fato segundo o estilo de um famoso ministro da justiça do regime militar: ‘Sem comentários’.” Isso não surpreende mais do que o fato do novo governo federal, prossegue Comparato, presidido por uma vítima da repressão criminosa comandada pela gente fardada no poder, ter resolvido fazer côro com a omissão da imprensa como se dissesse “Fomos mesmo condenados? Bem, ainda não tivemos tempo de nos ocupar do caso.” Depois de indicar para leitura os principais pontos conclusivos dessa sentença condenatória, conclui assinalando “o caráter invariavelmente dúplice das classes dirigentes brasileiras: civilizadas por fora e selvagens por dentro.”

Antonio Fernando

Lista das companhias aéreas + seguras

05/02/2011

J.A.C.D.E.C. – Jet Airliner Crashes Evaluation Centre é um projeto alemão nascido em 1989 cujo objetivo é oferecer acuradas informações sobre segurança de voo para passageiros e profissionais. Abaixo, as companhias áereas mais seguras do mundo, arroladas em 2010. Nossa posição, fortemente impactada pelos últimos grandes desastres, não apenas deixa de nos orgulhar, mas nos assusta.

 

1 Qantas Airways
2 Finnair
3 Air New Zealand
4 TAP Portugal
5 Cathay Pacific Airways
6 All Nippon Airways
7 Air Berlin
8 Virgin Atlantic Airways
9 Emirates
10 Transaero Airlines

11 EVA Air
13 Shenzhen Airlines
14 Qatar Airways
15 JetBlue Airways
16 Virgin Blue
17 Etihad Airways
18 EasyJet
19 WestJet
20 British Airways

21 Lufthansa
22 Southwest Airlines
23 KLM
24 Thomsonfly
25 Continental Airlines
26 Air Canada
27 Ryanair
28 Delta Air Lines
29 Swiss
30 Singapore Airlines

31 Condor Flugdienst
32 United Airlines
33 Jet Airways
34 Malaysia Airlines
35 Aeroflot – Russian Airlines
36 China Eastern Airlines
37 Alitalia
38 AirTran Airways
39 LAN Airlines
40 American Airlines

41 Air France
42 US Airways
43 Air China
44 Alaska Airlines
45 Asian Airlines
46 Japan Airlines
47 Iberia
48 Scandinavian Airlines
49 China Southern Airlines
50 South African Airways

51 SkyWest Airlines (USA)
52 Philippine Airlines
53 Thai Airways International
54 Turkish Airlines
55 Korean Air
56 Garuda Indonesia
57 Saudi Arabian Airlines
58 GOL Transportes Aéreos
59 China Airlines
60 TAM Airlines

 

Edemar.