Os cem primeiros dias do governo Dilma – 6ª parte

 

De 31/01 a 04/02/2011

seg – 31/01 –  Embora a carta que a presidenta Dilma enviou ao presidente italiano Giorgio Napolitano, no último dia 24/01 informe que caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) se “manifestar” sobre a decisão do ex-presidente brasileiro, negando a extradição ao Cesare Battisti e, com a qual ela está plenamente de acordo, O Globo do dia 28/01 anunciou que a decisão final sobre essa extradição “caberá” ao STF, confundindo e fraudando o teor da referida carta.

Também no último dia 28/01, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu seu primeiro título de doutor honoris causa, concedido pela Universidade Federal de Viçosa, cidade mineira distante 230 quilômetros de Belo Horizonte. A honraria entregue pela reitora Nilda de Fátima Ferreira Soares permite que o ex-presidente seja tratado da mesma forma como os que obtiveram doutorado acadêmico. A solenidade contou com a presença de aproximadamente seis mil pessoas. Segundo afirmou Lula na ocasião, “foi o 4º diploma que recebeu em sua vida: o primeiro foi o do primário, o segundo foi o do Senai, o terceiro diploma, o de presidente da República e o quarto, de doutor honoris causa, aqui da Universidade Federal de Viçosa.” Na ocasião o ministro da Educação, Fernando Haddad, conversou com a imprensa e contou que é a primeira vez que Lula recebe o título. “O presidente disse que não aceitaria o título como presidente, apenas quando deixasse o cargo”.

A presidenta Dilma Rousseff chegou nesta segunda-feira à Argentina acompanhada de uma comitiva de ministros para uma reunião de trabalho com a presidenta argentina, Cristina Kirchner. Cumpriu uma extensa agenda de assuntos que vão desde uma parceria para construção de casas populares baseada na experiência brasileira do Minha Casa, Minha Vida até uma outra, dessa vez para construção de dois reatores nucleares de pesquisa. Esta é a primeira viagem internacional de Dilma, que ainda abordou questões relacionadas com a ampliação de projetos conjuntos nas áreas de energia elétrica, de projetos de desenvolvimento social e também de tecnologia digital e investimentos no setor de mineração. Na oportunidade ela teve um encontro com um grupo de senhoras pertencentes às Mães e Avós da Praça de Maio que há 33 anos lutam para encontrar filhos e netos desaparecidos durante a ditadura argentina. A presidenta da Associação das Avós da Plaza de Mayo, Estela de Carlotto, disse que teve uma conversa “de mulher para mulher” com a presidenta do Brasil, e irá compartilhar com ela experiências da luta contra a ditadura militar. – Compartilhamos com ela a história de seu país, ela que foi vítima da ditadura militar brasileira e sabe o que fala quando o tema é direitos humanos. Dilma fez a gentileza de pedir o encontro e dividimos com ela nossas histórias de vida, de luta, de busca da verdade – disse Estela De Carlotto.

ter – 01/02 – A repórter da Agência Brasil, Priscilla Mazenotti informou que os deputados empossados hoje na Câmara Federal formaram cinco blocos partidários sendo que o maior deles é o governista com 257 deputados, o que significa maioria absoluta na Casa. Esse bloco é formado pelos principais partidos da base de apoio ao governo: PT, PMDB, PP, PDT, PSC e PMN. O DEM e o PSDB, com 96 deputados, formam o bloco de oposição. Em outro bloco, com 71 parlamentares, estão o PTB, o PcdoB e o PSB. Os chamados partidos nanicos – PR, PRB, PTdoB, PHS, PRTB, PRP, PTC e PSL – constituíram o quarto bloco, com 60 deputados. Com 26 deputados, o PV e o PPS foram o quinto bloco. O P-SOL, que tem três deputados, não participará de bloco algum. José Sarney foi eleito pela quarta vez Presidente do Senado.

Segundo o Correio do Brasil, a presidenta do grupo Tortura Nunca Mais (seção Rio de Janeiro), Cecília Coimbra, tem expectativa de que o encontro de Dilma Rousseff, em Buenos Aires, com militantes das organizações não governamentais (ONGs) Mães e Avós da Praça de Maio estimule o governo brasileiro a investigar crimes contra os direitos humanos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) e fazer as reparações a vítimas e familiares de desaparecidos. – Espero que essa agenda possa atualizar as marcas que ela (a presidenta da República) traz – disse Cecília em referência ao fato de Dilma Rousseff ter atuado na resistência contra a ditadura e ter sido torturada e encarcerada por “subversão”, no Presídio Tiradentes, em São Paulo, entre 1970 e 1972. Segundo Cecília, o Brasil, diferentemente da Argentina, é um “país atrasado” na apuração de crimes e reparações. Em entrevista publicada neste final de semana (30/01) na imprensa argentina, a presidenta Dilma Rousseff fez transparecer que seu governo será engajado na defesa dos direitos humanos. O encontro com as Mães e Avós da Praça de Maio, a pedido de Dilma, seria mais um sinal nesse sentido.

qua – 02/02 – Diante do Congresso a presidenta Dilma reafirmou seu compromisso para a erradicação da miséria no país convocando todos para trabalharem em conjunto em torno de um “pacto de avanço social”, que implica em apoiar medidas desenhadas pela equipe do governo para fortalecer a autonomia das famílias carentes, dentro do conceito de inclusão produtiva ou seja capacitando os beneficiários das políticas, para que possam seguir de forma autônoma no processo de inserção no mercado. Repetindo um gesto de seu antecessor, fez questão de estar presente à cerimônia de abertura da nova legislatura.

qui – 03/02 – Segundo uma avaliação bem-humorada da própria presidenta Dilma Rousseff feita hoje, seu primeiro mês de governo foi de “muito trabalho”, garantindo aos jornalistas presentes que isso foi apenas uma breve indicação do que virá pela frente. Na ocasião ela saía de uma cerimônia, na qual junto com o ministro da saúde, Alexandre Padilha, acabara de anunciar a gratuidade de medicamentos para todos os portadores de diabetes e hipertensão e assim cumprindo, um mês após sua posse, uma promessa de campanha e colocando em prática a política de seu governo de distribuição de renda.

sex – 04/02 – Conforme denuncia o jurista Fábio Konder Comparato, hoje o Brasil completa dois meses em que foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, no caso conhecido como “Guerrilha do Araguaia”. A nossa grande mídia insiste em fazer de conta de que nada temos a ver com isso e, assim, “limitaram-se a noticiar o fato segundo o estilo de um famoso ministro da justiça do regime militar: ‘Sem comentários’.” Isso não surpreende mais do que o fato do novo governo federal, prossegue Comparato, presidido por uma vítima da repressão criminosa comandada pela gente fardada no poder, ter resolvido fazer côro com a omissão da imprensa como se dissesse “Fomos mesmo condenados? Bem, ainda não tivemos tempo de nos ocupar do caso.” Depois de indicar para leitura os principais pontos conclusivos dessa sentença condenatória, conclui assinalando “o caráter invariavelmente dúplice das classes dirigentes brasileiras: civilizadas por fora e selvagens por dentro.”

Antonio Fernando
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One Response to Os cem primeiros dias do governo Dilma – 6ª parte

  1. Marilda Fernandes disse:

    Assim, somos todos desmemoriados.
    Ainda bem que existe a imprensa para nos lembrar.
    Mas que diferença faz para as vitimas?
    Até elas querem esquecer para não doer mais.

    Mas não devia – o esquecimento leva à repetição de ledos enganos.

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