Os cem primeiros dias do governo Dilma – 7ª parte

De 05 a 09/02/2011


sab – 05/02 – Ao mesmo tempo em que explode a revolta no Egito, Mair Pena Neto, no blog O Terror do Nordeste, comenta: “Qualquer cidadão brasileiro que se informe pelos tradicionais meios de comunicação, principalmente a televisão, tem opinião formada, e contrária, naturalmente, a Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad e Fidel Castro. Eles fazem parte do “eixo do mal” que os Estados Unidos difundiram aos quatro cantos, contando com a docilidade da imprensa que lhe serve de porta-voz. Evo Morales também está nesse grupo, assim como estava Nestor Kirchner até que sua morte levou uma multidão de argentinos às ruas, mostrando que o povo tinha entendido e apoiado integralmente sua política, que recuperou a Argentina do desastre neoliberal que a levou ao fundo do poço.” E prossegue:

“Lula seria outro a integrar o grupo dos vilões. Nesse caso, nem foi preciso orientação norte-americana. Os meios brasileiros tentaram destruí-lo durante oito anos, mas não conseguiram. Mantiveram-se num combate sem tréguas a um líder que o povo consagrava e que deixou o governo com o mais alto índice de popularidade da história. Até em sua saída, Lula poderia recorrer ao bordão que criou de que “nunca na história desse país” um governante foi tão popular apesar de toda a oposição midiática. Os mesmos que conhecem e condenam Chávez e Evo jamais ou pouco tinham ouvido falar de Hosni Mubarak, o ditador egípcio há 30 anos no poder com base num regime brutal e corrupto. Os Estados Unidos funcionam assim: aos inimigos, a condenação permanente. Aos aliados, olhos fechados. O Irã é brutal porque condena pessoas ao apedrejamento. A Arábia Saudita, que tem formas semelhantes de condenação, não merece uma linha de condenação.”


dom – 06/02 – “É imensamente simbólico e representativo o fato de Dilma Roussef ter escolhido a Argentina como o primeiro país a ser por ela visitado na condição de Presidenta do Brasil. Foi uma visita impregnada de significados que, explícitos ou não, possuem grande transcendência e merecem um olhar de atenção”, foi o que nos assegurou, neste domingo, o blog Direto da Redação. E prossegue numa linha que aponta para uma nova era em nossas relações com os argentinos: “Na verdade, porém, somente na cabeça dos fanáticos pelo futebol é que se devem alimentar ódios e animosidades entre Brasil e Argentina,  países que, no plano geopolítico, têm muito mais o que os possa irmanar do que aquilo que eventualmente os separe. Abstraindo-se uma ou outra questiúncula comercial, nossos interesses são comuns, nossas aspirações também, e são iguais as nossas dores, como de resto as de todos os países do continente sul americano. E as relações entre esses países de identidade regional deve mesmo constituir prioridade absoluta do Governo.”
A manchete do jornal O Globo deste domingo é bem reveladora de uma postura que a grande mídia vem adotando no sentido de escancarar as diferenças de estilo entre o do ex-presidente Lula e o da atual Dilma. Não à toa. Realçando os gestos comedidos, a pouca afeição aos microfones e a consequente continência no frequentar palanques para os discursos como fazia Lula, quando aproveitava para disparar críticas a torto e a direito contra as elites e os poderosos, tudo tão ao sabor do povão, seu público preferencial, pois bem, essa mesma imprensa utiliza-se dessa comparação no esforço de desconstruir essa imagem supostamente vulgar, raivosa e populista, taxando-a como “inadequada” a um primeiro mandatário. O que na verdade pretendem com isso? Fazer crer a Dilma que ela, como mais “educada” e “preparada” deve manter o recato, nada de discurseiras nem de colocar bonés ao lado de movimentos sociais. Se a presidenta aceitar esse embuste, esse comportamento distanciado do sal e do suor que legitimam as lideranças sustentadas por políticas públicas voltadas para os menos aquinhoados, estará entregando a sopa e o mel à grande mídia. Estará reforçando o discurso midiático e contribuindo para no coração do povo e aos poucos Lula vá sendo desqualifcado, para que até 2014 já não tenha mais tanta aprovação popular. Contando então com menos cacife será mais difícil pensar em sua volta ou até mesmo para apoiar uma possível reeleição de Dilma. Ela própria, então distanciada de suas bases populares, trancada em gabinetes ainda que promovendo ações voltadas para os menos favorecidos e os promova em pronunciamentos na TV, lhe faltará o contato direto, presencial junto ao eleitor, a fala em platéias, em eventos populares que marcam de forma indelével a proximidade dos líderes com seu povo.


seg – 07/02 – Hoje, às 6:00h, foi a estreia do “Café com a Presidenta” – agora em novo formato -, um instrumento, segundo Luis Nassif, utilizado pelos últimos presidentes para chegarem em todos os rincões do país e popularizarem seus governos. Para diferenciar do formato anterior usado pelo ex-presidente Lula e ter a cara de Dilma, as vinhetas foram trocadas e as chamadas no rádio agora são feitas por uma locutora. No programa de estreia Dilma abordou a distribuição gratuita de remédios para diabetes e hipertensão. A presidenta lembrou que essas são duas das doenças que mais matam no Brasil. Ela vê o acesso aos tratamentos de saúde e a melhoria das condições de vida da população como parte do combate à miséria. No programa de rádio Dilma responde a perguntas de ouvintes de todo país.

ter – 08/02 – A partir desta terça-feira, quando junto com o “Café com a Presidenta” assinalam o fim de seu “período de reclusão”, a presidenta Dilma estreia uma coluna semanal em cerca de 170 jornais brasileiros credenciados, chamada “Conversa com a Presidenta”, espaço onde ela responderá semanalmente perguntas enviadas por leitores de jornais cadastrados. Até agora, 170 veículos se cadastraram junto à Secretaria de Imprensa da Presidência da República, sendo 104 de veiculação diária, sete bissemanais, dois trissemanais e outros 57 semanais, quinzenais ou mensais. Uma das publicações circula nos Estados Unidos, segundo o blogue do Planalto.

qua – 09/02 – Embora a grande mídia não tenha dado destaque cerca de 80% dos brasileiros que já utilizaram os serviços do Saúde da Família, proporcionado pelo SUS, o consideram bom ou muito bom, enquanto que a distribuição gratuita de medicamentos alcançou 70% de satisafação e o atendimento prestado por especialistas chegou a 60%. Foi o que revelou hoje a pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre a percepção da população sobre a qualidade dos serviços prestados pelo SUS em 2010. É importante ressaltar também que entre os que nunca recorreram ao SUS, 34% classifica os serviços como ruins enquanto que quem já o utilizou, 30% tem avaliação positiva e 28% negativa. Para os pesquisadores isso ocorre porque quem usou o serviço tem sua própria experiência como referência enquanto ao demais formaram opinião através do relato de outrem ou dos informes da mídia. Em uma avaliação geral, 42% dos entrevistados considera os serviços regulares enquanto 29% os considera bons e outros 29% os avaliam como ruins. O que se evidencia portanto e que chama a atenção é o fato de que, provem de quem nunca utilizou o serviço ter a pior avaliação sobre ele.

Antonio Fernando
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One Response to Os cem primeiros dias do governo Dilma – 7ª parte

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