Os cem primeiros dias do governo Dilma – 8ª parte

 

De 10/02 a 14/02/2011

qui – 10/02 – Quem nesta quinta-feira nos chama atenção é Laerte Braga: “A crise no Egito traz essa lição para os países da América Latina, alvo de Barack Obama (o branco disfarçado de negro) e o Brasil é o objetivo principal. Por ser um país de dimensões continentais, a maior potência econômica da região é estratégico para o conglomerado. As características neoliberais do governo Dilma Roussef e um chanceler sem nenhuma expressão, dócil aos interesses dos EUA, devem servir para acender a luz laranja entre as forças populares do País. As políticas de estratégia e segurança nacional serão formuladas por Moreira Franco, assaltante de cofres públicos que substituiu Samuel Pinheiro Guimarães (pensador respeitado em todo o mundo), por conta das pressões de Washington.” E prossegue: “O dilema do Brasil é simples aos olhos de Washington. Ou aceita as regras, ou é considerado inimigo e fica fora do Conselho de Segurança da ONU (a ditadura das grandes potências na Organização).”

“Dilma está bonita. O poder lhe fez bem. E seu gestual demonstra ter sido estudado e construído milimetricamente. Cada sorriso, cada franzir de cenho, cada arquear de sombrancelhas se coadunam com vestimenta, luz e cenário.” Essas expressões de entusiasmo partiram do Eduardo Guimarães, tão logo se encerrou o primeiro pronunciamento à nação depois da posse, em rede nacional de rádio e TV, da presidenta Dilma Rousseff e ainda mais quando ela destacou que “a luta mais obstinada do meu governo será o combate à miséria”, conforme ele postou em seu blog. Tendo como tema central a educação, a presidenta Dilma lembrou, no início do pronunciamento, o período de volta às aulas vivido no Brasil. Partindo deste ponto, a presidenta frisou que estava diante da sociedade “para reafirmar o meu compromisso com a melhoria da educação e convocar todos os brasileiros e brasileiras para lutarmos juntos por uma educação de qualidade”. “Vivemos um momento especial de nossa história. O Brasil se eleva, com vigor, a um novo patamar de nação. Temos, portanto, as condições e uma imensa necessidade de darmos um grande salto na qualidade do nosso ensino. Um desafio que só será vencido se governo e sociedade se unirem de fato nesta luta, com toda a força, coragem e convicção.”

O Brasil ainda está longe de atingir uma situação de pleno emprego. A afirmação é do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann ao apresentar, nesta quinta-feira, em Brasília, um comunicado em que os técnicos do Ipea identificam que o desemprego entre os 20% mais pobres do país cresceu desde 2005. Para ele, mesmo tendo criado cerca de 15 milhões de postos de trabalho entre os anos de 2003 e 2009 e atingido a menor taxa de desemprego (5,3%) desde março de 2002, o enorme contingente de pessoas sem trabalho entre a população mais pobre indica a necessidade de políticas públicas que permitam aos menos favorecidos se beneficiar do crescimento econômico.

sex – 11/02 – Como em toda cana-de-braço especula-se à vontade e fazem-se as apostas. De um lado Dilma Roussef em sua primeira batalha política, do outro as centrais sindicais e os partidos derrotados na eleição de outubro passado. O alvo é o novo salário mínimo. O governo propõe R$ 545,00, Paulo Paim, R$ 560,00, as centrais R$ 580,00 e os derrotados R$ 600,00. Claro está que estes últimos – embora tenham imposto um arrocho no salário mínimo nos oito anos de FHC – mal conseguem disfarçar que agora querem apenas impor um constrangimento a Dilma desencavando a proposta demagógica e eleitoreira do Serra, no esforço de criar antipatia entre a presidenta e a base social conquistada pelo PT nos últimos oito anos. Tudo bem, faz parte do jogo, porém por trás da posição dos tucanos o que interessa de fato é – com um salário mínimo maior -, forçar um maior ajuste fiscal e assim diminuir a margem de investimentos do governo, reduzindo o papel do Estado na economia, os investimentos na área de infra-estrutura e na área social, o que, no frigir dos ovos significa menos votos em 2012/14. Já os movimentos sociais, de braços dados com as centrais, têm mais é que demonstrar uma posição firme, saudável e recomendável de autonomia dos trabalhadores em relação ao governo. Seus horizontes são outros, nada de ajuste fiscal e sim a mudança da política econômica, com o fim do superávit primário e a queda drástica dos juros, que drenam o orçamento da União para o pagamento de juros dos títulos da dívida pública, beneficiando apenas os bancos, a especulação do mercado financeiro e os setores rentistas. Esses são apenas alguns dos mais evidentes interesses escondidos por trás do debate do salário mínimo e cujo segundo “round” já aguarda o desfecho deste, a disputa em torno da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Ele está bombando. Sim, o “programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), lançado em 2009 com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no Brasil, superou a meta de financiar um milhão de moradias e atingiu a marca de 1.005.028 unidades habitacionais. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (11/2) pela Caixa Econômica Federal, agente operadora do programa. Somente em 2010 foram R$ 37,4 bilhões destinados ao programa do governo federal, beneficiando 639.983 famílias. Do total de moradias contratadas, 936.508 contaram com a intervenção direta do banco estatal, com investimento de R$ 51,31 bilhões. Entre as unidades financiadas no ano passado, desconsiderados os consórcios, repasses e o programa Pró-Moradia, 59% foram destinadas a pessoas na faixa de renda de até seis salários mínimos, onde se encontra o maior déficit habitacional. O Minha Casa, Minha Vida 2 foi lançado em dezembro de 2010 e tem a meta de construção de 2 milhões de unidades habitacionais até 2014.” (do Blog do Planalto)

sab – 12/02 – Do Portal Terra nos vem a notícia: o ministro de Defesa, Nelson Jobim, pretende assinar na próxima semana uma declaração conjunta com o ministro da Defesa argentino, Arturo Puricelli, sobre a relação bilateral na área militar, informaram neste sábado fontes oficiais. Os ministros se reuniram em 31 de janeiro durante a visita da governante brasileira a fim de avançar na agenda bilateral. Dilma e a presidente argentina, Cristina Kirchner, assinaram naquela ocasião 14 acordos de colaboração em áreas como energia nuclear, bioenergia, infraestrutura, agricultura, medicamentos, tecnologia e promoção de igualdade de gênero.

dom – 13/02 – O estrago foi maior do que se imaginava. O Correio do Brasil deste domingo informa que “a vitória da petista Dilma Rousseff, nas últimas eleições, vem causando a dissolvição dos partidos que representam a direita no país. Apenas alguns dias após o encerramento das eleições, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) já anunciava sua disposição de deixar a legenda, dominada por setores da ultradireita, que mingua no Congresso e nas administrações estaduais, com um reduto cada vez mais concentrado em Santa Catarina e Paraná, na Região Sul do país. Kassab estuda a possibilidade da formação de uma nova legenda, o Partido da Democracia Brasileira (PDB). Agora, chega a vez do candidato derrotado à Presidência da República José Serra (PSDB) buscar seu destino político fora do ninho tucano, tendo em vista o crescimento do senador mineiro Aécio Neves.”

seg – 14/02 – Marcelo Migliaccio, do JB Online acertou no tom exato quando abordou o tratamento que a mídia deu à despedida do jogador Ronaldo “Fenômeno”: “Ontem, gordo; hoje, mito.” E prossegue: “Derrotado pelo tempo, ele anunciou o fim da carreira. Enquanto teve velocidade, foi um ótimo jogador, mas nada de fenômeno. Esse título foi uma invenção de marketing, para que sua idolatria planetária gerasse bilhões de dólares. Tratam Ronaldo como um mito, um fenômeno, mas ontem ele era o gordo que teimava em continuar jogando para enterrar o time do Corinthians. Astros da maledicência, esses jornalistas chegam a faltar com o respeito em suas críticas recalcadas. Lembram-se com o episódio do travesti? Quase pregaram o craque na cruz. Hoje, ex-jogador, ele é um exemplo de ser humano e de pai de família para os mesmos repórteres que expõem situações privadas com a justificativa de que trata-se de uma pessoa pública. Agora, o sucesso de Ronaldo não os incomoda mais.” Por extensão, poderíamos até dar tratos à bola: e o sucesso do ex-presidente Lula, ainda incomoda alguns jornalistas?

Antonio Fernando

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