Os cem primeiros dias do governo Dilma – 9ª parte

 

De 15 a 19/02/2011

ter – 15/02 – Pensando na Educação. Hoje o Correio do Brasil anunciou que “as redes públicas dos 5.565 municípios brasileiros começaram o período letivo deste ano com 100% de implantação do ensino fundamental de nove anos. Isso significa que crianças de seis anos de idade têm matrícula assegurada no primeiro ano do ensino fundamental público, conforme determina a Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. De acordo com a secretária de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda, a universalização da matrícula aos seis anos é uma conquista, especialmente para as famílias das classes populares ou carentes que eram as que tinham as menores possibilidades de conseguir vagas para os filhos. Para a coordenadora do ensino fundamental da SEB, Edna Martins Borges, o ingresso das crianças aos seis anos representa uma ampliação do direito à educação.”

qua – 16/02 – Há um zum-zum-zum diário relacionado com “a decisão da presidenta Dilma Rousseff de promover um corte cirúrgico de 50 bilhões no Orçamento da União”. Segundo Altamiro Borges, em seu blog, isso “confirma que os tecnocratas neoliberais estão com a bola toda no início do novo governo. Eles já bombardearam a proposta de aumento real do salário mínimo, aplaudiram a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros e, agora, festejam os cortes nos gastos púbicos. Tudo bem ao gosto das elites rentistas e para delírio da mídia do capital, que agora decidiu bajular a nova presidenta.” E conclui em tom de inquietude: “Como se observa, as perspectivas no início do governo da presidenta Dilma Rousseff são preocupantes. Há indícios de que as velhas teses ortodoxas voltaram a ganhar força no Palácio do Planalto, sob o comando do ministro Palocci. Na prática [isso] evidencia a força da ditadura financeira no Brasil. Esta opção, porém, não tem nada de racional sob o ponto de vista dos trabalhadores. Foram exatamente as medidas heterodoxas de estímulo ao mercado interno, adotadas no segundo mandado de Lula, que evitaram que o país afundasse na crise mundial que abala o capitalismo desde 2008. Nas eleições de 2010, o povo votou na continuidade e no avanço daquele modelo econômico de desenvolvimento e não na regressão à ortodoxia neoliberal.”

É a jornalista Jussara Seixas quem escreve: “Em meio ao anunciado corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, o governo federal colocou hoje à disposição das 24 maiores cidades do país R$ 18 bilhões a serem distribuídos para bancar a realização de obras de infraestrutura de transportes públicos, como linhas de trens e metrôs, por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)Mobilidade Grandes Cidades. Os municípios, todos com mais de 700 mil habitantes foram divididos em três grupos, de acordo com sua população. Eles terão até o dia 3 de abril para apresentar projetos a serem analisados pelo governo. A divulgação dos projetos selecionados deverá acontecer até o próximo dia 12 de junho, segundo o governo.”

qui – 17/02 – Mas é bom que Emir Sader venha à tona e, em seu blog, coloque o tom adequado ao debate: “O acerto das contas publicas se faz na lógica do compromisso do governo da Dilma de estabelecimento de taxas de juros de 2% ao final do mandato, alinhadas com as taxas internacionais, golpeando frontalmente o eixo do principal problema econômica que temos: as taxas de juros reais mais altas do mundo, que atraem o capital especulativo. A negociação do salário mínimo se faz com o apoio do Lula. A intangibilidade dos investimentos do PAC já tinha sido reafirmada pelo Lula no final do ano passado.”

A mídia tradicional não dorme. E para manter suas artimanhas sempre vivas na cabeça, é o mesmo Emir Sader que nos alerta: “O esporte preferido da mídia é fazer comparações da Dilma com o Lula. Sem coragem para reconhecer que se chocaram contra o país – que deu a Lula 87% de apoio e apenas 4% de rejeição no final de um mandato que teve toda a velha mídia contra – essa mídia busca se recolocar, encontrar razões para não ser tão uniformemente opositora a tudo o que governo faz. O melhor atalho que encontraram é o de dizer que as coisas ruins, que criticavam, vinham do estilo do Lula, que Dilma deixaria de lado. Juntam temas de política exterior, tratamento da imprensa, rigor nas finanças públicas, menos discurso e mais capacidade executiva, etc., etc. Como se fosse um outro governo, de outro bloco de forças, com linhas politica e econômica distinta. Quase como se a oposição tivesse ganho. Ao invés de reconhecer seus erros brutais, tratam de alegar que é a realidade que é outra. A velha mídia busca pretextos para falar mal de Lula, no elogio a Dilma, tentando além disso jogar um contra o outro. A mesma imprensa que não se cansou de dizer que ela era um poste, que não existiria sozinha na campanha sem o Lula, etc., etc., agora avança na direção oposta, buscando diferenças e antagonismos onde não existem.”

sex – 18/02 – Os velhos jornalões “O Globo” e “Estadão” continuam em sua cruzada. Visam derrubar a qualquer preço a popularidade de Lula. Nunca antes na história deste país, os jornais chegaram ao ridículo de escalarem uma reportagem para espionar a hospedagem de um ex-presidente em um hotel. Mas sequer reportagem fizeram. Inventaram uma mentira despudorada. Os jornalões já começaram mentindo descaradamente ao dizer que a menor diária no hotel é R$ 2.785,00. Basta uma rápida consulta na internet para desmentir, pois existem diárias de R$ 695,00. Quem nos informa é o blog Amigos do Presidente Lula, que prossegue: “É um valor alto para o poder aquisitivo da maioria dos brasileiros, mas hotéis no Rio são mesmo caros nesta época de verão. Os mais baratos nos principais bairros da orla são próximos a R$ 300,00.” E finaliza: “nunca vi o Globo, o Estadão e companhia, se interessarem pelo hotel, nem pelo custo da diária, dos lugares onde se hospeda o ex-presidente FHC em Genebra, em Madri, em Nova York, Barcelona, em Paris… opsss…, em Paris o ex-presidente tucano é o feliz proprietário de um apartamento próprio na Av. Foch, endereço acessível apenas a milionários ou governantes corruptos.”

sab – 19/02 – Parece coisa do “reino de Avatar”, mas não, está ocorrendo no Acre. Tudo porque, quanto mais fusos horários exisitirem no Brasil, mais trabalheira será exigido das emissoras de TV para adaptar suas transmissões aos diferentes fusos horários vigentes no País em função da classificação indicativa dos programas. O que as emissoras alegam é que custo disso é alto, além de causar prejuízos com a queda de anunciantes. Só que não combinaram isso com a população que num referendo em 2010 decidiu que o Acre, sim, deveria manter o quarto fuso horário do território brasileiro (o primeiro é na ilha de Fernando de Noronha), ou seja, duas horas a menos do que a hora de Brasília. Ocorre que a ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão) – Rede Globo e Rede Amazônica de Televisão a frente – até agora não se conformou com o resultado. É o Altino Machado, que em seu blog da Amazônia, completa a informação assegurando-nos que, tendo o tal referendo sido homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), estava decidido a assinar Ato Declaratório reintegrando o Acre à faixa de fuso horário aprovada pela população. Foi quando entrou em cena a força do lobby da Abert, transferindo a decisão para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o senador Sérgio Petecão (PMN-AC) foi escolhido como relator. Quando tudo ia ser finalmente decidido no último dia 16/02, a favor da população do Acre, cancelaram a reunião do CCJ, levando o senador Petecão, após receber na quinta-feira (17/02) representantes da Abert, a exclamar:
– Nunca imaginei que esse assunto envolvesse um jogo tão pesado. Até o senador Eduardo Braga já telefonou para mim, a pedido do empresário Phelippe Daou, da Rede Amazônica.
Talvez seja oportuno perguntar se não teria sido esse um dos motivos pelo qual o então senador Tião Viana (PT-AC) – autor de Lei 11.662 contrária ao desejo da população e que pretendia atender a ABERT alterando o fuso horário do Acre, mas que não vingou – quase não se elege governador.

Antonio Fernando

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