Os cem primeiros dias do governo Dilma – 12ª parte

 

De 02 a 04/03/2011

qua – 02/03 – É possível que o grande mérito da ida da presidenta Dilma aos programas de Hebe Camargo (Rede TV) e de Ana Maria Braga (Globo) possa ser atribuído ao fato de, por serem eles, primordialmente assistidos por mulheres, estas “terão a oportunidade de prestar atenção no que ela diz, em vez do que dizem dela”. Isso é o que nos assegura Paulo Hnerique Amorim, em seu blog. Prosseguindo escreve: “Para o perfil da audiência desses programas, não é uma má decisão a Presidente aparecer como ela é. É bastante provável que uma boa parte das telespectadoras destes programas tenham formado uma imagem deturpada da Presidenta pelo que ouviram dizer de homens que acompanham a política, e aí passem a ficar com uma boa imagem dela.” Entretanto ele faz questão de deixar um alerta: “O problema é conseguir ganhos de imagem pelo lado do PIG, e perda da imagem junto à militância aguerrida do outro lado do PIG, que tem se sentido preterida, conforme inúmeros comentários sinceros na última semana, aqui e em diversos outros blogs.”

De tudo que foi escrito sobre o aumento pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central, de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, a partir de hoje, fazendo-a saltar de 11,25% ao ano para o patamar de 11,75%, destaco um aspecto que muito tem a ver com o esforço de descolamento do governo Dilma do de Lula, dentro da estratégia mais ampla de desconstrução de Lula e de isolamento político de Dilma. Sobre isso escreveu Paulo Kliass, da Agência Carta Maior: “A novidade do momento foi a sutil tentativa de cravar uma cunha entre os governos de Lula e de sua sucessora. Malandramente começa a ser plantado o discurso de que o culpado por esse aperto monetário de agora teriam sido a ‘farra e a gastança’ promovidas por Lula ao longo de 2010. Ou seja, Dilma estaria tendo de pagar a conta de uma política fiscal – dita ‘irresponsável’ – desenvolvida por seu antecessor… Uma loucura! Na verdade, trata-se de uma forma inteligentemente sacana de buscar desqualificar justamente uma saída encontrada entre 2009 e 2010 para evitar que os efeitos da crise econômica e financeira internacional atingissem com conseqüências ainda mais graves o nosso País. É claro que pode ter ocorrido um ou outro equívoco, abuso ou exagero nos gastos efetuados no período referido. Mas, em termos gerais, não foi, de forma alguma, uma política irresponsável de gastos públicos. Pelo contrário, foi a colocação em marcha de uma opção deliberada de promover o crescimento da economia por meio da ação do Estado, realizando investimentos que o setor privado não queria ou não podia realizar. Uma política de sustentação dos níveis da demanda interna por meio de valorização do salário mínimo, Bolsa Família e aposentadorias do INSS, entre outras.”

qui – 03/03 – O novo diretor da Fundação Casa de Rui Barbosa será o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, segundo informou o colunista do Globo, Ancelmo Gois nesta quinta-feira. Ele aceitou o convite da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, para assumir o cargo no lugar do sociólogo Emir Sader, que teve a nomeação suspensa na quarta-feira depois de chamar a ministra de autista em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”. Num texto publicado na quarta-feira no blog que mantém na internet, Sader classificou Wanderley como “um dos grandes pensadores brasileiros”. “Hoje os grandes pensadores brasileiros são os que exercem ativamente o pensamento crítico contra o pensamento único. Pensadores como Marilena Chaui, Maria Conceição Tavares, José Luiz Fiori, Maria Rita Kehl, Wanderley Guilherme dos Santos, Leonardo Boff, Marcio Pochmann, Tania Bacelar – para mencionar apenas alguns – desenvolvendo suas formas distintas de pensamento em uma lógica oposta aos dogmas do pensamento único, que continua a orientar a velha mídia”, escreveu Sader. Wanderley é graduado em filosofia pela UFRJ, com doutorado em ciência política pela Stanford University e pós-doutorado pela UFRJ. Atualmente é professor pesquisador da Universidade Cândido Mendes. Ele é autor de diversos livros, entre eles “Razões da Desordem” (1994), “Décadas de Espanto”(1998), Roteiro Bibliográfico do Pensamento Político-Social Brasileiro (1870-1965)” (2002) e “O Cálculo do Conflito – Estabilidade e crise na política brasileira” (2003).

sex – 04/03 – Segundo Letícia Cruz, da Rede Brasil Atual, 44% das manifestações já expressas na internet, nesses 50 dias de governo Dilma, são contrárias a ela. Uma pesquisa levada a cabo pela MITI Inteligência, empresa voltada ao monitoramento de mídia e de redes sociais revela que comentários neutros e negativos sobre os primeiros dias de mandato dominaram nas redes sociais. Segundo a tal pesquisa, 43,99% dos comentários foram negativos. A maioria deles comentou a ausência da presidenta da rede de microblogue Twitter depois da eleição. Os concorrentes de Dilma no pleito mantiveram-se ativos, o que despertou comparações por parte de internautas. Outros 48,76% das manifestações monitoradas foram neutras e 7,25%, positivas. Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência não quis comentar o estudo. Ainda segundo Letícia Cruz, “a imprensa regional tem 51,65% de notícias relacionadas à Dilma. Portanto, um dos pontos observados pela pesquisa é o grande percentual de presença da mídia online, com 18,4%. A grande imprensa é responsável por 12,08% das menções, ficando atrás da cobertura realizada na internet. Em seguida, estão os veículos especializados em política 10,33%, blogues 4,39% e, as agências de notícias, 3,16%.”

Antonio Fernando.

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