Os cem primeiros dias do governo Dilma – Parte final

De 06 a 10/04/2011

qua – 06/04 – Através do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo federal irá anunciar amanhã, dia 07/04, data em que se comemora o Dia Mundial da Saúde, um plano de redução gradual na quantidade de sódio presente em 16 categorias de alimentos. Na ocasião, as associações que representam os produtores de alimentos processados assinarão um acordo com o governo cujo objetivo é reduzir o consumo excessivo de sal (cerca de 40% do sal é composto de sódio), que está associado a uma série de doenças crônicas, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, problemas renais e cânceres. Os primeiros alimentos a sofrerem a redução do sódio serão as massas instantâneas, pães e bisnaguinhas. O acordo a ser estabelecido entre o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) vem ao encontro do esforço entre governo e indústria para aperfeiçoar a qualidade dos produtos disponíveis no mercado, como já ocorre no caso das gorduras trans. Essas ações integram o Fórum de Alimentação Saudável.

qui – 07/04 – Conforme matéria do Estadão, “a presidenta Dilma Rousseff se emocionou durante solenidade comemorativa de um milhão de empreendedores inscritos no Programa Microempreendedor Individual, no Palácio do Planalto. Ao discursar para os presentes, Dilma destacou que hoje seria um dia de muita comemoração pelo fato de o País estar avançando no sentido da formalidade dos negócios, mas disse que não faria esse discurso porque ‘Hoje temos que lamentar o fato que ocorreu em Realengo’. A presidente decretou luto de três dias por causa do atentado. Ao se referir à tragédia que aconteceu em uma escola no Rio de Janeiro, Dilma disse que ‘Não é característica do País ocorrer esse tipo de crime. Considero que todos nós aqui presentes estamos unidos em repúdio ao ato violento, sobretudo cometido contra pessoas indefesas’, disse a presidente, com a voz embargada. Em seguida, ela encerrou seu pronunciamento cumprimentando os empreendedores individuais, mas homenageando as vítimas da tragédia no Rio, e pedindo um minuto de silêncio. Ela quase chorou ao dizer: ‘Nossa homenagem a estes brasileirinhos que foram retirados tão cedo da vida’. Após o minuto de silêncio, ela declarou encerrada a solenidade, que durou apenas cerca de 15 minutos. A solenidade, que reuniu centenas de pessoas, foi realizada para comemorar a marca de 1 milhão de trabalhadores formalizados pelo Programa do Empreendedor Individual que tem como objetivo inserir na economia formal o cidadão que trabalha por conta própria no comércio, na indústria e na prestação de serviço. A marca superior a 1 milhão de formalizados foi atingida em 17/03/2011, quando a Receita Federal registrou 1.004.764 adesões. A meta é chegar a 1 milhão e 500 mil empreendedores até o final de 2011.”

sex – 08/04 – “Um dia muito triste para o Brasil.” Segundo o blog do Planalto, foi assim que o líder da banda irlandesa U2, Bono Vox, avaliou o ataque ocorrido ontem (7/4), numa escola Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona Oeste do Rio de Janeiro, que culminou com 13 mortos – 12 meninas e meninos, além do autor dos disparos -, ao cumprimentar a presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta-feira (8/4), no Palácio da Alvorada. Bono afirmou que a presidenta Dilma, apesar ‘de gentil e receptiva’, estava muito triste com a tragédia.Paul David Hewson, ou Bono Vox, apresentou os outros componentes da banda: o guitarrista The Edge (David Howell Evans), o baixista Adam Clayton e o baterista Larry Mullen Junior.

Ainda segundo o mesmo blog, “o encontro entre a presidenta Dilma Rousseff e a banda irlandesa de rock U2, foi ainda marcado por debates sobre o combate à extrema pobreza, à corrupção e ao HIV/Aids, conforme afirmou em entrevista coletiva Bono Vox, que é ainda ativista social e presidente da Fundação ONE que realiza trabalhos na África.” Bono Vox frisou que a presidenta Dilma ficou entusiasmada e “muito ansiosa” em conhecer o trabalho que ele realiza no combate à pobreza. Segundo ele, “ela se mostrou bastante motivada para a realização do programa de combate à extrema pobreza e orgulhosa com a crescente redução dos índices de desigualdade no Brasil. Apesar disso, completou Bono, ela sente que ainda há muito para se avançar nesse sentido e que o país ‘precisa de muito mais’. A presidenta Dilma e os integrantes do U2 conversaram também sobre o combate à corrupção, ‘inspirados na Ficha Limpa’. Bono Vox pediu à presidenta apoio à campanha da Fundação ONE por maior transparência [nas atividades relacionadas] ao petróleo, gás e mineração.”

Ao receber cerca de 450 mulheres, do Movimento de Atingidos por Barragens, no Palácio do Planalto, a presidenta, Dilma Rousseff, disse que não faria demagogia fácil, com os movimentos sociais. – Todo governo está atento às reivindicações. Não vou fazer a demagogia fácil de dizer que atenderemos tudo, mas vou fazer a promessa de que escutarei todas e farei todo o possível para aproximar o atendimento do 100%, disse Dilma, segundo o Jornal Correio do Brasil. Na carta, entregue a presidenta pelas mulheres, consta o pedido de imediata suspensão dos trabalhos no Rio Xingu, no Pará. – Somos um país que tem na energia hidrelétrica uma das suas riquezas. Agora, é também certo que não pode haver contradição entre o uso da energia hidrelétrica e o interesse das populações, tanto do ponto de vista das condições de trabalho como das questões ambientais, ponderou a presidenta.

sab – 09/04 – Segundo comentou a reporter Karla Mendes, n’O Estado de S. Paulo, o ministro das Minas Energia Edison Lobão, informou que a presidenta Dilma se opõe ao aumento do preço do combustível, cujo valor estaria defasado após alta da cotação internacional do petróleo. “A Dilma é quem mais freia (o reajuste). Ela não quer aumento de preço (da gasolina)”, afirmou Lobão, após o término do programa “Bom Dia Ministro”, do qual participou ontem. Segundo ele, a Petrobrás tem pleiteado o reajuste sob a justificativa de que os preços não sobem há nove anos e a última alteração ocorreu há dois anos, mas para baixo. O governo, porém, tem resistido ao aumento. “Temos dito que não concordamos com esse aumento”, enfatizou. O ministro admitiu, no entanto, que, se a cotação do barril de petróleo ultrapassar “muito” os níveis atuais, o reajuste será inevitável. Entretanto, Lobão não quis dar um valor exato. “A Petrobrás imaginava que, se o petróleo chegasse a US$ 105, teria de haver reajuste. Mas estamos a US$ 120 e não houve.”

dom – 10/04 – Hoje o governo Dilma completa 100 dias. Assim e da minha parte, completo um trabalho iniciado em 01 de janeiro, dia da posse, cujo objetivo foi fornecer algum subsídio para que observemos esse período com olhos distantes dos da grande mídia empresarial e, dessa forma, possamos fazer um avaliação mais realista dos prováveis significados de cada um dos gestos da presidenta e, quem sabe, através deles, projetar possíveis caminhos que seu governo poderá trilhar nos próximos anos. Em outro texto, que intitulei “100 Dias do Governo Dilma – um olhar sobre a mídia” me detive em analisar o papel e as razões da imprensa tradicional nesse período, aliás como outros já o fizeram. Outras abordagens podem e devem ser feitas, a meu ver menos importantes, mas que certamente complementarão qualquer análise que se faça, com a mesma intenção. Hoje Dilma está na Grécia, numa escala que a leva para a China e, se quisermos, poderemos acrescentar nessa coincidência, mais um simbolismo. Finalizo assim reproduzindo trechos do artigo que o jornalista e escritor Alfredo Bessow deixou hoje em seu blog Passe Livre: “Nestes 100 primeiros dias do governo Dilma… as elites tentam mostrar Dilma como a anti-Lula, tentando cooptá-la, em lugar de compreender, entender e aceitar que o Governo Dilma é a continuidade do Governo Lula – mesmo não sendo o mesmo e nem querendo ser igual. Até porque o Brasil que Dilma herdou não é nem parecido com o Brasil que Lula assumiu em janeiro de 2003. (…) Dilma não é Lula, mas os dois têm o mesmo projeto e assumiram o mesmo desafio de levar justiça social para milhões de brasileiros que sempre viveram às margens de qualquer possibilidade de inserção social. Podem ser diferentes as palavras, podem ser diferentes os métodos – mas o objetivo é exatamente igual. Enquanto as nossas elites não entenderem isso, elas continuarão dando com os burros na água na espera de um 3º turno, que, na visão e sonho deles, significaria o efetivo distanciamento de Lula e Dilma. Sonhem…”

Antonio Fernando

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