Dilma precisa do apoio popular

07/08/2011

 

Eis aqui um belo e verdadeiro texto de colega do BB. Edemar.

 

 

 

 

sábado, 6 de agosto de 2011

Dilma precisa de apoio para sanear governo

 

A morte anunciada de Nelson Jobim como ministro serviu de mote para os políticos que estão apavorados com a possibilidade da presidente Dilma arrochar a corrupção irem à imprensa usar o surrado argumento : “os militares estão inquietos com o Amorim, não gostaram, isso é perigoso, tem que parar com essas mudanças, etc”.

Na normalidade democrática as regras são claras, e até prova em contrário estamos num estado de direito. Para abater esse tipo de jogada, de usar os militares para limpar os focos de corrupção, Lula foi direto ao ponto com a seguinte declaração, que serve também, por analogia, para os partidos da base aliada que estão vendo seus feudos de corrupção ruírem:
 
“Não sei se cabe aos militares gostar ou não gostar. Quando a presidente indica uma pessoa, ela está indicada. Ela é chefe das Forças Armadas, indicou o ministro e acabou. Não se discute, sabe?”
 
Pela primeira vez na história o Brasil tem um Plano Nacional de Defesa, que não é plataforma de um governo, mas uma política de estado. Aos poucos as forças armadas, que foram destroçadas desde o governo Collor, estão recuperando sua capacidade operacional. Soldos foram aumentados, embora insuficiente, e a carreira será reestruturada, com novos valores até 2014. O país vai começar a produzir submarinos, inclusive nucleares. Está previsto maior controle da Amazõnia e do pré-sal. Novos aviões deverão armar a defesa aérea. Blindados e helicópteros estão sendo comprados.
 
De Lula para cá, o Brasil considera que uma potência soberana tem que ter uma defesa forte, atuante, e que tem que participar do tabuleiro de jogo mundial. Quem melhor expressou essa nova visão, que rompe com a do Brasil submisso, quintal dos Estados Unidos, foi o novo ministro da Defesa, Celso Amorim. Suas posições, que desagradaram a direita e a mídia colonizadas, têm conformidade com a estratégia de pensarmos com as nossas próprias cabeças, sem tutela. Do que eles não gostaram?
 
– De priorizarmos a integração econômica regional fortalecendo o Mercosul e detonando a ALCA imposta pelos americanos.
– De consolidar o bloco com China, Rússia, India e África do Sul como líder dos emergentes.
– De termos tropas no Haiti participando do processo de reconstrução do país mais pobre das Américas.
– De tentarmos uma solução negociada para as crises do Irã e da Palestina, desagradando as potências militares que precisam manter esses conflitos para manter a hegemonia na região. De defendermos os alvos mais diretos do capital americano, Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina, tornando o Brasil reconhecido como liderança continental comprometida com a integração.
– De termos a Embrapa, Senai e outras empresas atuando em diversos países da África, em convênios para aprimoramento técnico.
– De exportarmos soluções como o Bolsa Família, para atenuar problemas em países pobres.
– De termos na FAO como diretor-geral o ex-ministro José Graziano, que implantou o Fome Zero no governo Lula.
– De reduzirmos a dependência econômica em relação aos Estados Unidos, pulverizando as parcerias com diversos outros países, minimizando os riscos em caso de crise como a atual.
– Do Brasil liderar um movimento pela reestruturação do FMI e do Banco Mundial, para que se tornem instrumentos de distribuição de riquezas e justiça social.
 
Por trás de toda essas ações, estava a figura de Celso Amorim, auxiliando Lula no projeto de afirmação do Brasil como nação soberana, independente dos grandes. Seria, portanto, o cara certo no lugar certo para tratar de problemas de controle de fronteiras, de integração militar pela paz continental e outras questões geopolíticas.
 
Os militares, olhando por esse ângulo, deveriam estar contentes com governos que afirmam a soberania e consideram as forças de defesa como estratégicas para o projeto enquanto potência mundial. E nada melhor que um estrategista internacional, com habilidades diplomáticas, prestigiado pela Presidente, para exercer a coordenação dessas ações.
 
Aí vêm de novo os insatisfeitos botando pilha nos militares: “Celso Amorim vai criar um verdadeiro Tribunal de Nuremberg nas forças armadas, com a Comissão da Verdade”. Que cada um seja responsabilizado pelos seus atos criminosos. Não serão muitos, e a grande maioria já não está na ativa. Deve ser trazida a cruel verdade para que esses crimes nunca mais se repitam, e para que as forças armadas enterrem de vez esses esqueletos, partindo definitivamente para uma visão de século XXI.
 
A mídia que aterroriza com isso é a mesma que apoiou as atrocidades cometidas por criminosos travestidos de militares no golpe militar, e que não quer respingos da apuração dos fatos. A mesma que tem medo de termos, como na Argentina e no Uruguai, a verdade incômoda aflorando, mesmo que os que participaram de atrocidades não venham a ser condenados por força da Lei da Anistia.
 
Não querem, principalmente, dar margem à discussão sobre a regulamentação dos meios de comunicação, que existe nos Estados Unidos e em quase todos os países desenvolvidos, e proíbe a criação de propriedades cruzadas dos meios e oligopólios, como hoje tem a Globo (jornal, tv, internet, rádio, etc). Para isso manipulam essas questões envolvendo os militares, como forma de puxá-los para os seus interesses.
 
Dilma agiu bem tirando Jobim, que já queria sair, mas não teve a decência de dizer que queria ser substituído, cavando a expulsão. Militar que é militar sabe que o que ele fez foi insubordinação, e não pode condenar sua saída da forma como foi. A presidente, simultaneamente, nomeou para diretor-geral do DNIT um general que é responsável pela área de construções do Exército, reconhecendo os méritos das forças armadas na condução de empreitadas de interesse nacional.
 
No Nordeste as obras feitas pelos Batalhões de Engenharia e Construção chamam a atenção pela qualidade e durabilidade. Agora mesmo, na reconstrução da BR-101 entre Recife e Natal, os militares mostram extrema competência. A nomeação do general é uma forma de reconhecer a qualidade e a confiança nos militares. Para completar, nomeou um outro diretor oriundo da Controladoria Geral da União, um auditor, mais um reforço técnico para garantir a qualidade das licitações.
 
Apoiar as ações saneadoras de Dilma deveria ser uma unanimidade entre os que querem moralizar este país, mas, definitivamente, há quem queira que tudo continue como está para ficar discursando por decência enquanto pratica a bandalheira.
 
 
Fonte: http://blogdobranquinho.blogspot.com/2011/08/dilma-precisa-de-apoio-para-sanear.html#comment-form
 
 
 
 
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Clube Bilderberg tabajara

24/07/2011

 

A criação desse inconstitucional Conselhão dos maiores empresários preocupou-me desde o primeiro momento, pois me é claro que nem sempre os interesses de nosso grande empresariado coincidem com os da maioria da população brasileira. Fico feliz em trazer-lhes artigo do Jornalista Mauro Santayana onde ele toca no assunto.

Edemar.                                                                                                                                                                                                                      

Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/61/mauro-santayana
 

Perigos do retrocesso

 
É preciso que trabalhadores e estudantes tenham consciência de que lutar contra as novas privatizações não é ir contra o projeto de governo da presidenta Dilma, mas sim seu apoio.

 
Por: Mauro Santayana
Publicado em 15/07/2011
Há algumas atitudes do governo que começam a preocupar os setores mais sensatos da intelectualidade e dos meios sindicais brasileiros. É notória a pressão que vem sofrendo a presidenta Dilma Rousseff para que se desvie de seu projeto de combater as desigualdades, internas e entre as nações. Como sempre, querem que o governo governe “para o mercado”, e não para o povo. Foi importante, e politicamente natural, que as organizações populares dessem todo o seu apoio ao presidente Lula, e aceitassem alguns sacrifícios, em nome da estabilidade governamental.

 
Os sindicatos admitiram que o governo convocasse grandes empresários nacionais a fim de constituir um conselho – extraconstitucional – para assessorar a administração, no qual os trabalhadores não tinham peso equivalente. Da mesma forma, eles admitiram alianças para que o presidente da República pudesse dispor de maioria no Congresso Nacional. Mas, agora, é importante que os trabalhadores e os jovens exerçam sua vigilância e se manifestem, porque, sob o disfarce do entendimento nacional, as mesmas forças entreguistas de sempre voltam a se articular para a retomada do processo de privatizações.
Essa mobilização reúne a grande imprensa, banqueiros e empresários associados a multinacionais e agências de governos estrangeiros. O objetivo é impedir o cumprimento do grande projeto nacional de desenvolvimento soberano, iniciado por Vargas, continuado por Juscelino e, façamos justiça, mantido pelo general Geisel. As mesmas forças que criaram e nutriram, enquanto puderam, o governo entreguista de Collor e o de Fernando Henrique, aproveitando-se do silêncio das forças populares, avançam agora sobre o governo Dilma Rousseff.
São inquietantes os sinais. O governo parece ter recuado da necessária reconstrução da Telebrás. Qualquer pessoa de bom senso sabe que as chamadas vantagens da privatização da telefonia constituem uma falácia. O desenvolvimento da tecnologia das comunicações eletrônicas (para o qual contribuímos, com as pesquisas avançadas, feitas por engenheiros brasileiros) possibilitou a redução dos custos dos aparelhos e dos sistemas operacionais, com imensos lucros para as empresas, fossem elas estatais, fossem privadas. O que fez com que os celulares se tornassem tão baratos não foi a privatização, foi a tecnologia. Na China, onde todas as grandes empresas estão sob o controle do Estado, há tantos celulares como no Brasil – e fabricados lá mesmo.
O sistema Telebrás, mantido sob controle público, seria hoje um dos maiores conglomerados do mundo e estaria ajudando nossos vizinhos a desenvolver os próprios projetos. Os grandes lucros auferidos pelas empresas estrangeiras – hoje enviados para o exterior – estariam promovendo o desenvolvimento tecnológico nacional e criando mais empregos entre nós. Além da grossa corrupção que houve nas privatizações, o negócio, do ponto de vista da economia nacional, foi um desastre. Iniciamos o processo no governo FHC com uma dívida pública de US$ 60 bilhões e o encerramos com mais de US$ 700 bilhões.

 
É preciso que os trabalhadores e estudantes tenham consciência de que lutar contra as novas privatizações não é ir contra o projeto de governo da presidenta Dilma, mas sim em seu apoio. Argumentam alguns que a urgência reclama a privatização de certas obras e serviços. Juscelino foi acossado pela mesma urgência, que foi a de contrair o tempo, realizando em cinco anos o que levaria 50. Uma tática de JK foi criar grupos executivos, independentes da burocracia governamental e das pressões políticas. Vários desses grupos foram dirigidos por engenheiros militares, como o da implantação da indústria automobilística, sob a chefia do almirante Lúcio Meira. É preciso reagir, enquanto ainda há tempo.


A última Geni

23/06/2011

 

 

Antonio Fernando Araujo

 

 

 

 
Primeiro foram os índios, mas como não sou índio…”, negros, mulheres, judeus, ciganos, deficientes, idosos, homossexuais, e quem mais se apresenta para engrossar essa lista discriminatória na qual o capitalismo já incluíra os pobres, descartáveis…, sorry, não tem poder de compra e, portanto, voz.
 
Apesar disso foi com silêncio que a Geni, alguém “que sofre e ama verdadeiramente seus semelhantes“, se fez ouvir na ópera e esfregou na cara das pessoas suas próprias hipocrisias. Um silêncio que, aparentemente as Marchas da Liberdade que pipocaram em todos o país no último fim de semana (18/06), não estão mais dispostas a levar adiante. Ao contrário, optaram por fazer barulho, agora um barulho que nasce silencioso nas redes sociais e se espalha ensurdecedor pelas praças. E curioso, a Geni é um travestí que parece ter se dedicado à missão de ajudar os seus iguais, os excluídos como ela, e como tal se apresenta como o símbolo apropriado de exclusão e solidariedade, esse binômio que costuma permear os humilhados, os castigados, vitimizados pelas calúnias dos que procuram rebaixá-los moralmente, já que não é tarefa fácil prá ninguém reconhecer e engolir a própria hipocrisia. E é com os anseios por justiça e reconhecimento, dessa Geni “tão coitada e tão singela” que as Marchas da Liberdade buscam uma identificação.
 
Pois bem, na do Rio, parecia que estavam todos lá, todas as “cidades misturadas…, toda a garotada, os que andam por terreiros & quilombos ou por terras digitais“, como disse Beto Moreira, até os gritos e os lutos da floresta, a marcha das vadias que denunciam a exclusão e o estupro, cuja culpabilidade Bispo algum pode atribuir à própria mulher, o aroma da maconha medicinal de 5.000 anos, a luta contra a homofobia repulsiva e a consequente discriminação aos homossexuais (“o Senhor é meu Pastor e ele sabe que sou gay“), a recusa da paz das UPP’s quando imposta sem voz às comunidades, o sistema financeiro que apodreceu e ameaça empobrecer ainda mais o mundo, a liberdade religiosa e o conselho tutelar que se quer livre e transparente, cuja ordenação e dignidade não sejam objeto de manipulação alguma, as camareiras e os bombeiros (tanto as de lá quanto os de cá, com os quais os maconheiros se solidarizavam enquanto propunham a legalização da erva), o direito ao aborto assistido – que meninas pobres e seus fetos rejeitados parem de morrer um ao lado do outro -, a valorização do trabalho das empregadas domésticas, a certeza enfim dessa Geni empunhando cartazes, faixas e estandartes, de estar contribuindo para a construção de um mundo que, ora todos apostam será melhor, pois para isso acalentam a esperança de que em breve a liberdade estará integralmente legalizada e com ela a honestidade e a sincera convicção de que até lá suas utopias é que irão prevalecer. E, com certeza, falarão mais alto do que o atual conservadorismo dos clérigos, do que a cobiça daqueles que detem o poder das armas, do capital e da mídia e muito mais do que a alienação imposta às grandes massas dos excluídos.
 
A Marcha da Liberdade …, decolou e virou o embrião de um novo movimento político e cultural: a marcha pela liberdade de expressão, a marcha dos diferenciados, dos insatisfeitos, dos indignados, dos que estão construindo futuros alternativos. Liberdade pra protestar! Liberdade pra morar! Liberdade pra circular! Liberdade para expressar os afetos! Liberdade de culto! Liberdade para o funk, o hip hop, o samba e o rap e todos os ritmos! Liberdade para agir e para pensar“, escreveu ainda Beto Moreira. “Quando um futuro intolerante se precipita e parece inevitável  é preciso reagir, deter, interceptar, barrar, desviar. A Marcha da Liberdade é a manifestação dos que não aceitam ser calados pela policia, pelos ruralistas, monoteístas, corporativistas, monetaristas, monopolistas… A Marcha da Liberdade Rio apoia qualquer causa que defenda a liberdade de todos se expressarem e se reunirem em nome daquilo que acreditam ser justo“, conclui.
 
Estamos portanto diante de uma multiplicidade de demandas heterogêneas, porém além disso, de uma das características principais do “espírito” desta época, propícia para a emergência de novos paradigmas e que basicamente consiste numa certa aversão aos sistemas políticos e filosóficos já arrumadinhos, estruturados que foram no seio de algum partido ou agremiação, como se eles proclamassem “todos unidos [também] contra slogans e símbolos de partidos, religiões ou etnias”. A grande sacada parece ser a descoberta do outro, essa alteralidade que insiste em apontar para uma ética comprometida até o pescoço com um processo de inclusão social de todas as minorias, onde qualquer Geni cuspida e maltratada possa ser capaz de gerar um sentimento de indignação tal que denunciada a violência, velada ou explícita, a qualquer segmento social, ele caia de imediato na rede
da urbi, sobrepujando assim em questão de minutos os arcos da Lapa e varrendo pra longe o que ainda sobrar da perfídia. E volto a lembrar: não se trata de criar uma nova seita, partido ou confraria, mas tão somente de propor empreitadas múltiplas que no plano tático não desgrude o olho das grandes metas que ora vicejam no solo promissor deste jovem século XXI, tal como esboçadas aqui.
 
Nesse sentido, as ruas e praças do mundo, e do Brasil em especial, passam a ser a vanguarda dos que querem direitos sociais amplamente reconhecidos e dos que almejam navegar em águas da plena democracia política e da democracia social que se deseja presente em todos os espaços. Tomara apenas que o capitalismo e sua feição neoliberal mais terrível não venha se somar aos sonhos desse punhado de Genis, apoderando-se deles e acabando por destroçá-los, como aparentemente é o destino que ora se vislumbra para a “primavera árabe“, com o Egito, manipulado pelo sionismo, voltando a protagonizar a miséria e a opulência do capitalismo nosso de cada dia. Apesar de tudo resta-nos uma certeza, e quem não entender isso será retirado da cadeira da história, de que esta geração sepultará de vez a Geni “feita pra apanhar…, que dá pra qualquer um” e ainda assim é “maldita“, essa estupenda Geni do Chico, a do “enorme zepelim” da Lapa, “dos cegos, dos retirantes e
de quem não tem mais nada“, essa mesma que, por enquanto ainda vimos na Marcha da Liberdade. Essa Geni, certamente, será a última.
 

 


Barbárie – continuação do post

20/06/2011

Por um desses lamentáveis e, no meu caso, frequentes, problemas entre a cadeira e o teclado, não consegui colocar os créditos devidos no corpo do post de título acima, publicado há poucos minutos, com pedido de desculpas. Edemar.

“Edemar, consternado e com a consciência de que um fato dessa absurdez precisa ser divulgado ao máximo, copiou de http://brasiliamaranhao.wordpress.com“.


Barbárie

20/06/2011

 

 
Publicado por: Rogério Tomaz Jr. | 19/06/2011

Blogueiro é assassinado no RN depois de enquete questionando prefeito

Durante o 2º Encontro Nacional de Blogueir@s Progressistas tomei conhecimento de um caso surreal de assassinato com possível motivação política.

Enquanto ouvia o relato do episódio, passou pela minha cabeça a possibilidade de eu estar dormindo e que a história não passava de uma crônica policialesca no meio do sonho.

A realidade é mais crua, entretanto.

Ednaldo Filgueira, 36 anos, presidente do PT municipal de Serra do Mel, colaborador do blog Serra do Mel (http://www.serradomel-rn.com) e jornalista comunitário, foi assassinado na noite da última quarta-feira (15), ao receber seis tiros de homens não identificados.

Segundo me disse o Thiago Aguiar – blogueiro potiguar que contou o caso (e gravou em vídeo para o Blog da Dilma) –, Ednaldo havia publicado no blog uma enquete perguntando à população se era possível acreditar na prestação de contas da prefeitura.

Na manhã do crime, o blogueiro recebeu ligações anônimas com ameaças por conta da enquete, que foi prontamente retirada do site.

Não foi suficiente. No final do dia aconteceu o crime que tornaria aquele o último dia da vida de Ednaldo.

Blogueiro assassinado em Serra do Mel (RN) na última semana era o presidente do PT local

A violência associada à política no interior do Brasil (não apenas do Norte/Nordeste, vale dizer) persiste por inúmeros e complexos motivos, mas a impunidade contribui muito para perpetuar tal situação.

Serra do Mel é um pequeno município criado em 1988 e situado próximo a Mossoró, cidade famosa por ser uma concorrida estância hidrotermal.

O prefeito se chama Josivan Bibiano de Azevedo e é do PSDB.

O caso – que não ganhou qualquer destaque na imprensa do RN – merece repercussão ampla na blogosfera e, quiçá, na grande mídia nacional que diz defender a liberdade de expressão. Para que os responsáveis pelo crime possam ser encontrados e punidos. E, também, para que o assassinato de blogueiros não vire moda.

Em Serra do Mel, divergências políticas ainda se resolvem na bala?

Rio Grande do Norte é plutocracia – Ao contrário do que acredita a maioria, que logo pensa em Maranhão e Sarney quando o assunto é atraso político, o Rio Grande do Norte, é o estado onde reina a oligarquia mais longeva do Brasil.

A oligarquia potiguar, entretanto, não está assentada em apenas um grupo familiar. São três famílias tradicionais que dominam não apenas o Executivo, mas também o Legislativo em âmbito municipal, regional/estadual e federal. Além disso, exercem grande influência no Judiciário, controlam a economia e a quase totalidade dos grandes meios de comunicação no estado.

Os clãs Alves, Maia e Rosado repartem o poder no Rio Grande do Norte desde a primeira metade do século XX. Destes grupos saíram ramificações, como a família Faria, que alternam alianças entre os três esquemas principais.

É um exemplo quase perfeito de uma plutocracia.

Dois fatos me dão esperança de mudança nesse cenário em médio prazo: a recente e vitoriosa ocupação da Câmara de Vereadores do Natal (o movimento “Fora Micarla”) e a visibilidade crescente da atuação de Fátima Bezerra, deputada federal do PT que preside a Comissão de Educação da Câmara em 2011.

Acompanharei o caso e publicarei mais notícias à medida que surjam novidades.

PS: Durante o Encontro de Blogueir@s Progressistas, fizemos uma homenagem a Ednaldo com uma salva de palmas, na mesa da manhã de sábado.

***

Para saber mais sobre as três famílias que compõem a oligarquia do Rio Grande do Norte, leia a excelente matéria de Edson Sardinha e Renata Camargo, do Congresso em Foco (clique aqui) sobre o assunto.

Para saber mais sobre o Fora Micarla e a ocupação da Câmara de Natal, leia o blog do Daniel Dantas (nenhuma relação com o banqueiro criminoso), um dos protagonistas do movimento:

http://deolhonodiscurso.wordpress.com 


Generais não dão flores

13/06/2011
 
 
Antonio Fernando
 
 
 
Quando o simpático tenente da PM paulista, achegando-se a um grupo de moças que na Marcha da Liberdade (28/05) seguiam pela av. Paulista portando flores e cantando, indagou-lhes quem eram os líderes do movimento ouviu, quase que numa única voz, que ali não havia líderes, todos eram soldados rasos nenhum general. E enquanto estendiam-lhe flores uma completou, “até porque generais não dão flores”.
É possível que nesse instante o tenente tenha ouvido algo mais, aquilo que só daqui a alguns anos a próxima geração contará de verdade sobre suas mães que nessa Marcha, numa espécie de desobediência coletiva, inauguraram um tempo de passeatas que depois se alastrou pelo país porque naquele dia não apenas entregaram flores, mas foram capazes de perceber com acerto “por quem os sinos dobravam”, coisa que os magistrados que vêem a sociedade de longe e pela vidraça do andar de cima e por isso a proibiram, foram incapazes de o fazer.
Pois bem, era por eles mesmos que os sinos dobravam. A rigor, não exatamente, mas por tudo que representavam, uma sociedade autoritária, traumatizada pelas ditaduras do século XX que tanto fez para sufocar as utopias, equivocada por essa idéia de progresso que ao misturar alta tecnologia e postura consumista imagina estar dando respostas adequadas à uma sociedade que acabou parida por um arremedo de capitalismo ao qual se convencionou chamar de neoliberalismo e no qual todos estamos mergulhados até o pescoço.
Entretanto, enquanto na ilusão os de toga ou gravata viram apenas a apologia à maconha o que os jovens queriam era algo impregnado de um outro sentido, o direito de não apanhar por manifestar livremente as suas idéias. E porque lhes acalentava o sentimento de revolta que germina na alma e anseios por passar a borracha naquilo tudo que ali estava, não lhes foi difícil perceber que suas inquietudes tinham muito a ver com o que há pouco acontecera na Tunísia e na praça Tahrir, do Cairo e se propagara pela Síria, Bahrein, Yemen, Wisconsin, praça Catalunha, Puerta del Sol e, naquele instante, acabara por conceber aquele ensaio proibido no vão do MASP, quando, na marcha que se seguiu, distribuíram flores pelas avenidas Paulista e Consolação, nem que fosse apenas para comprovar que distribuir flores pode ser mais letal do que emitir proibições.
Quem nos garante que a juventude européia, latino ou norte-americana está a salvo de angústias semelhantes? Quem é capaz de jurar que um universo de frustrações existenciais, decepções políticas de variados tons, um não sei o quê de uma auto-estima que em algum momento se escafedeu, de uma não percepção de que o mundo se constrói aos poucos, mas que suas urgências não lhes permite ver nem sentir, tudo isso enfim não seja capaz de fornecer a munição suficiente para que uma passeata pela legalização da maconha se torne o combustível suficiente para que a insurgência assuma suas verdadeiras cores, a de um clamor popular que se recusa, por exemplo, a aceitar uma “governabilidade a qualquer preço”, desde a presença de um Sarney até o salário da professora Amanda Gurgel, passando por essa vergonhosa taxa Selic que, de antemão, já assinala para esta geração impaciente que em muito pouco deve apostar quando lhe falarem de um futuro promissor, digno e comparável a de outros países? (ainda que possa parecer melhor, quando nos comparamos com nós mesmos).
Não se trata de desestabilizar o governo Dilma, como me apontaram, longe disso, mas talvez de chacoalhá-lo. Fazê-lo ver que não basta comparecer à cerimônia de beatificação de irmã Dulce. É importante marcar presença na Marcha da Liberdade, dia 18 próximo, no Rio, no Encontro de Blogueiros Progressistas, na mesma ocasião, em Brasília, na feira de Garanhuns e no forró de Caruaru, em julho, no Círio de Nazaré, em Belém do Pará, em outubro. Fazê-lo entender que, neste momento em que o mundo parece querer entrar em ebulição e o nosso país não está a salvo, mais decisivo do que as intrigas do palácio é o gesto de chegar perto, bem perto. De dar as mãos aos indígenas e ribeirinhos para, contornados os impasses e junto com eles, às margens do Xingu, assistir a primeira carga de dinamite dar início a construção de Belo Monte e testemunhar o otimismo aflorando nos semblantes em volta. Fazê-lo perceber que nossos jovens têm pressas e sonhos e parecem querer passar o rodo na UNE e a na UBES, quietas até demais, como se estivessem cochilando ou por terem se tornado obsoletas antes do tempo, naqueles entraves jurássicos ou jurídicos que lhes obstrua o caminho das suas utopias, das suas realizações, sejam elas de natureza ética, política, profissional, moral ou existencial e em tudo o mais que lhes lembre o quanto é repugnante, por exemplo, um Pimenta Neves e os poucos meses que passará na cadeia ou os motivos que levaram à morte o casal sindicalista Zé Cláudio e Ma. do Espírito Santo, assassinado no Pará, cujos autores e mandantes, certamente ficarão impunes.
Em meio a sentimentos de tolerância, de solidariedade, de liberdade, de fraternidade, outros temas afins a tudo que entendemos como respeito aos inúmeros dos nossos valores emergem. E aí entra em cena a ânsia de expurgar a mentira e a hipocrisia presente, por exemplo, na grande mídia nativa, mais especificamente a oriunda da grande família GAFE (Globo, Abril, Folha e Estadão), de bradar pelos direitos das mulheres, pelo combate à pobreza, à desigualdade social, ao racismo, xenofobia e homofobia, pelo realce da nossa auto-estima, por um futuro próximo (não o daqui a 15 ou 20 anos) livre de um capitalismo predatório e egoísta, como se fôssemos – e os jovens em especial -, herdeiros delirantes daquela geração de hippies que valorizava a integridade, a honestidade e a verdade como princípios imutáveis de vida já que nesses aspectos, em muito se parecem, com o que sentiram os dos países árabes e agora sentem os da Espanha e, se estou certo, até mesmo o que distingue esses de São Paulo.
Assim, quando se assiste o ressurgimento dessas manifestações populares anticonservadoras, antiautoritarismos, solidárias, nascidas e articuladas nas redes sociais e ainda se constata que há flores de sobra para a PM’s e magistrados paulistas, podemos apostar então, os jovens saberão com destemor, reservá-las em maior escala para as centenas de camponeses sem terra, para os trabalhadores rurais, para a massa dos sem-advogado, rotos e pobres, sindicalistas, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, favelados e em especial para todos aqueles que defendem a volta do país que lhes pertence, seu pedaço de chão ou teto, ousam sonhar e ir contra alguma coisa, uma injustiça, por exemplo, e por isso são mártires anunciados, marcados para morrer. Estou certo que, daquela egoísta indiferença que Bertold Brecht, Maiakovski e Niemöller lamentaram em seus poemas esta geração já acena por querer se livrar, convidando Dilma a se juntar a ela, combinando tudo direitinho pela internet e depois não arredar mais o pé das ruas. 

Comunicação – Direito à

12/06/2011

 
Antonio Fernando Araujo
 
 
O Brasil precisa estar pronto para “pôr sua própria casa em ordem” no que diz respeito a direitos humanos, se quiser ter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, recomendou o indiano Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional, em 27 de abril passado, numa entrevista concedida ao Portal iG. Mais adiante assegurou: “O Brasil é um dos poucos países globalmente que reduziram a desigualdade – em muitos, a pobreza caiu, mas não a desigualdade, como no Brasil”. Em que esse “dever de casa” poderia servir de exemplo aos demais aspectos da atuação brasileira, tanto no que diz respeito ao cenário interno quanto naquilo que aponta para o panorama internacional? O Oriente Médio e os países do norte da África mostraram isso de uma maneira clássica. As pessoas que estão protestando agora estão porque não têm emprego e porque não tem voz. Na semana seguinte ao ataque à escola de Realengo, o Rio de Janeiro sediou a maior feira latinoamericana de armas, a LAAD.
 
Se aos olhos do mundo podemos estar passando a impressão de que nos descuidamos de alguns outros aspectos do cotidiano nacional, no plano da democratização da comunicação no Brasil queremos agora “iniciar uma proposta de marco regulatório e organizar um grande movimento nacional com o objetivo de pressionar o Governo Federal para que apresente sua proposta para o setor”, dizia o texto de convocação do Fórum, de tal forma que fique evidente que estamos aptos a definir uma avançada plataforma política para uma luta que visa, primordialmente, estabelecer um marco regulatório das comunicações com as feições típicas de uma legislação democrática, moderna e quem sabe, futurista até. 
 
Ainda que em todos os quatro Grupos de Trabalhos (GT), em que se dividiram os participantes do Fórum, o nível técnico dos debates tenha alcançado o topo da sofisticação e isso tenha sido visto como uma virtude, houve quem, ao final, subisse à tribuna para fazer exortações. Uma delas, para rogar que ao término do evento, se incluísse entre as recomendações, a de não se levar a cabo qualquer ideia – ainda que de um mero plebiscito -, que implicasse, pelo menos por enquanto, numa convocação em que a “mãinha” de cada um de nós seja chamada a se pronunciar a respeito de qualquer um dos temas debatidos. – “Vamos levar uma surra!”, sem dúvida, um mau presságio. Temeu-se, e não sem boa dose de razão, que todas as poucas conquistas voltadas para a democratização da comunicação no Brasil, a respeito da qual tanto já se discutiu, isso há alguns pares de anos, escorreriam facilmente pelo ralo, diante da singela constatação de que, provavelmente, as santas mãezinhas da maioria dos participantes do Fórum encontrariam sérias dificuldades para entender o porquê do governo tanto querer democratizar e tornar público o controle da comunicação no país quando todas elas estão “carecas de saber” que, na verdade, o que ele pretende mesmo é “censurar a imprensa livre”.
 
Portanto, se por um lado a constatação de que a terrível desigualdade de conhecimentos técnicos entre os próprios participantes dos GT’s, em última instância, ajudou a reproduzir no microcosmo do seminário a mastodôntica realidade do pouco saber político presente no macrocosmo brasileiro, tal verificação ainda serviu para que, ao menos no aspecto essencialmente técnico, as conclusões e recomendações do encontro não repetissem e muito menos divergissem em profundidade daquilo que foi prescrito em 2009 quando no governo Lula, Franklin Martins realizou a Iª CONFECOM (Conferência Nacional de Comunicação). Com sabedoria, cuidava-se assim de evitar desperdícios de tempo e esforços na ingrata tarefa de “reinvenção da roda”. E isso parece ter sido levado em conta, bem assimilado no instante de formular o documento final do seminário, pois ficou lá escrito que a sociedade já contribuíra significativamente para essas discussões e que “as mais de 600 propostas ali aprovadas representam demandas de um conjunto significativo de cidadãos e cidadãs e entidades da sociedade civil, do poder público e do setor empresarial, e devem ser utilizadas como referência neste debate.”
 
Resgatou-se dessa forma um elenco de preocupações objetivas já esboçadas anteriormente e agora aqui, novamente reproduzidas por gente da área da Comunicação vinda de todo o país, do Pará ao Rio Grande do Sul, passando por Brasília, Bahia, Paraná, Ceará, São Paulo e Minas quando abordaram o fato de que no longo processo de universalização da Banda Larga, não apenas o valor do serviço ou o preço de uma tarifa a ser paga pelo usuário deva constituir-se no único fator a ser levado em conta no instante de pensar na disseminação do acesso. Acresça-se a ele também os custos de todas as demais aquisições (micro, laptop, scanner, etc) e contratações (treinamento, manutenção, etc) e cuja experiência pioneira engatinhou na Comunidade Santa Marta, em Botafogo, Rio de Janeiro – contando inclusive com a intervenção de “lan-houses” locais, esses “Jardins da Infância” da blogosfera não reconhecidos pelo MEC -, e que demonstrou não serem nada desprezíveis. E se a universalização da Banda Larga que se pretende é um estupendo desafio atado à ideia inadiável da democratização da comunicação no Brasil como um todo – imprensa escrita inclusive – e não apenas dos veículos associados à radiodifusão, esses valores todos se somam ao fato de que, ainda assim, não interessa às concessionárias ou a quem quer que seja do Mercado levá-la até às populações ribeirinhas dos rios amazônicos e tampouco ao vasto universo periférico de uma metrópole qualquer, onde um jovem de escassos recursos ou uma escola modesta ver-se-iam de mão presas, sem saber como pleitear ou exigir uma “razoável” velocidade de transmissão, o fornecimento de um serviço contínuo e, principalmente, o provimento de um conjunto de recursos técnicos e operacionais que caracterizam a prestação desse serviço como algo de boa qualidade, ainda que já tivessem transposto a fase inicial de aquisição dos equipamentos.
 
Não fosse pela noção geral de que em todos os aspectos da comunicação no Brasil os imensuráveis interesses da poderosa mídia oligopolizada se fazem presentes no jogo, os debates estariam encerrados aqui. Sabemos, entretanto que a grande família GAFE da imprensa (Globo, Abril, Folha e Estadão) tem consciência de que o que eles concebem, os interesses patrimoniais e políticos que defendem, a censura que estabelecem em toda matéria onde se denunciam suas posturas antidemocráticas encontra em seus veículos a possibilidade ampla de repercussão, especialmente junto à classe média. Assim, consagram a ideia de que qualquer opinião contrária a de seus editoriais deve reverberar na sociedade como algo que ofende a liberdade de imprensa, se possível, impregnada dos hálitos da censura e dos controles arbitrários como nos tempos rançosos da ditadura.
 
E é exatamente isso que “mãinha” precisará entender. Pelo menos enquanto estiver claro para nós que ainda somos minoria, frágeis diante do poder midiático e financeiro da família GAFE. Embora possamos contar com a força disseminatória e de mobilização dos blogues e das redes sociais que bem ou mal estão dando alguma voz à “primavera árabe”, não temos entretanto e no que diz respeito à democratização da comunicação, um discurso comum e de assimilação fácil pelo grande público que não seja um episódio de ilusionismo, mas ao contrário, algo que possa ser transformado numa bandeira de luta capaz de contaminar a multidão e levá-la a se contrapor aos discursos sombrios e ameaçadores daquela mídia hegemônica que teme perder seus privilégios, privilégios esses que, embora remanescentes aqui, já estão há muito extintos no restante do mundo civilizado. Mas é neste ponto que queremos chegar.
 
Bem antes de “mãinha” perceber o quão importante é o Estado regular os grandes portais, estabelecer a neutralidade da rede, definir que papel a Telebrás vai desempenhar, papel esse fruto do regime no qual o serviço da Banda Larga será prestado, fazer renascer o Conselho de Comunicação Social e, sujeito a outros, por sua vez criados nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal, “linkados” entre si e em diálogo com a realidade, uma Agência ou qualquer outro nome que se queira dar a um órgão regulador que não contenha o odor do neoliberalismo que criou as demais e sobretudo incorporar a Comunicação no grande marco regulatório que a Constituição de 88 concebeu para a Educação, para a Justiça e os Direitos Humanos, para a Ciência e Tecnologia e para a Cultura e que desde então procuram em conjunto, nortear com princípios democráticos as relações entre o Estado, o Mercado e a Sociedade, ela terá “que votar com a gente” carregando em si a plena convicção de que a Banda Larga no Brasil discrimina, é cara, lenta e para poucos e que esta geração está fadada a fazer o “dever de casa”, sem poder se dar ao luxo de dispensar a contribuição dela porque o que se quer é que sejam estabelecidas as “regras que afirmem a liberdade de expressão e o direito à comunicação de toda a população, buscando garantir a pluralidade e a diversidade informativa e cultural”, como consta da Carta final e ela tem que saber disso na ponta da língua, que não se trata de um sonho disparatado e muito menos de censura de qualquer espécie.
 
Assim e quase sem perceber ela estará ajudando a “pôr sua própria casa em ordem”, vendo-a emergir desse caos social onde, em meio a complexidade tecnológica e a diversidade de conteúdos, está mergulhada a comunicação no Brasil e, conosco, estará concorrendo para que o avanço da democracia na esfera e na blogosfera, leve o país a se exibir ao mundo, não mais nessa posição desconfortável que o gráfico de jun/2009, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) mostra, mas, ao contrário, com o perfil de uma nação que ostenta um otimismo desafiante para encarar o futuro, que coleciona um histórico de muitos anos de lutas bem sucedidas, como as descreveu um dos palestrantes no primeiro dia, e por mérito próprio, a fazer jus a uma posição de destaque, resultado de mais uma redução de desigualdades, de um “dever de casa” enfim, bem cumprido. Penso que foi isto que quisemos dizer quando, com a convicção de um apóstolo, aprovamos a Carta final na qual se pode lê: “este debate não pode ser feito sem o pleno envolvimento da sociedade brasileira, representada em toda a sua diversidade. De sua parte, as entidades participantes deste seminário se colocam a tarefa de organizar suas propostas em um documento que sintetize e aprofunde as referências da Iª Conferência Nacional de Comunicação, a fim de compartilhar esse acúmulo com o conjunto da população.”